El Niño volta ao radar do café e pode impactar oferta global em 2026/27 e 2027/28, aponta análise
Fenômeno climático reacende preocupação no mercado internacional de café, com possíveis efeitos mais relevantes na América Central e na Ásia; safra brasileira 2026/27 tende a ser pouco afetada, segundo a Hedgepoint Global Markets.
Publicado em: 01/07/2026 às 10:30hs
O retorno do fenômeno climático El Niño previsto para o segundo semestre de 2026 volta a colocar o clima como fator central de atenção no mercado global de café. Apesar de impactos distintos entre regiões produtoras, o cenário reforça o monitoramento sobre a oferta mundial nos próximos ciclos.
De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, a intensidade, duração e o período de atuação do fenômeno são determinantes para definir seus efeitos sobre a produção cafeeira em diferentes origens.
Safra brasileira 2026/27 deve ter impacto limitado
No Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, a expectativa é de que a safra 2026/27 não sofra impactos diretos relevantes com o El Niño.
No entanto, a análise aponta que um outono e inverno mais chuvoso pode gerar atrasos pontuais na colheita, o que tende a aumentar a volatilidade no mercado no curto prazo. Ainda assim, o cenário climático segue sob acompanhamento, especialmente diante da possibilidade de intensificação do fenômeno no segundo semestre de 2026.
Atenção se volta para a safra 2027/28
Embora a safra atual apresente menor risco, o mercado já observa com atenção os possíveis reflexos do clima na florada da safra 2027/28.
A fase de florada é determinante para o potencial produtivo do cafeeiro, e alterações em temperatura e regime de chuvas podem comprometer o desenvolvimento das lavouras. Por isso, o comportamento climático nos próximos meses será decisivo para as projeções de médio prazo.
América Central e Ásia podem ter maior exposição ao clima
Fora do Brasil, os impactos do El Niño tendem a ser mais expressivos. Regiões produtoras da América Central e do Sudeste Asiático aparecem como as mais vulneráveis, podendo enfrentar efeitos tanto na safra 2026/27 quanto na 2027/28.
Essas áreas são mais sensíveis às variações de precipitação e temperatura associadas ao fenômeno, o que pode afetar etapas críticas do desenvolvimento das lavouras e reduzir o potencial produtivo.
Mercado amplia monitoramento climático global
Com a possibilidade de um evento mais forte entre o final de 2026 e o início de 2027, o mercado de café deve intensificar o acompanhamento das condições climáticas nas principais regiões produtoras.
Mesmo com risco limitado para o Brasil no curto prazo, o clima permanece como uma das principais variáveis de precificação do café, especialmente diante da dependência global da oferta em poucas origens produtoras.
Segundo a análise da Hedgepoint Global Markets, o impacto do fenômeno varia de acordo com a região e o período do ciclo agrícola:
“No Brasil, a produção da safra 26/27 não deve ser impactada, mas podem surgir desafios para o andamento da colheita e devemos ter atenção à fase de floração da safra 27/28. Já em outras origens, especialmente na América Central e no Sudeste Asiático, pode haver efeitos negativos tanto para a safra 26/27 quanto para a 27/28”, destaca a análise da companhia.
Com isso, o mercado global segue em alerta para possíveis ajustes na oferta e na volatilidade dos preços do café nos próximos anos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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