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Crise Logística nos Portos Brasileiros Gera Prejuízo de R$ 66,1 Milhões aos Exportadores de Café em 2025

Falta de infraestrutura, atrasos e filas de caminhões reduziram embarques e fizeram o país perder mais de US$ 2,6 bilhões em receitas cambiais


Publicado em: 27/01/2026 às 19:20hs

Crise Logística nos Portos Brasileiros Gera Prejuízo de R$ 66,1 Milhões aos Exportadores de Café em 2025
Foto: Diego Vargas
Infraestrutura Defasada Compromete Exportações de Café

O setor exportador de café brasileiro encerrou 2025 com prejuízo logístico de R$ 66,1 milhões, segundo levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). O valor é resultado direto do esgotamento da infraestrutura portuária nos principais terminais do país.

De acordo com o estudo, o não embarque de 1.475 contêineres, equivalentes a 486,3 mil sacas de 60 kg, apenas em dezembro, gerou perdas de R$ 4,63 milhões. As causas envolvem filas de caminhões, pátios lotados, falta de berços para atracação, atrasos e reprogramações de navios.

“Esses problemas geraram custos adicionais com armazenagem, pré-stacking e detentions, comprometendo a competitividade do setor”, explicou Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé.

Impacto Econômico: Bilhões Perdidos em Receita Cambial

No acumulado de 2025, 55% dos navios enfrentaram atrasos ou mudanças de escala, o que resultou na não exportação média de 1.824 contêineres por mês — cerca de 602 mil sacas de café.

Com isso, o Brasil deixou de receber US$ 2,64 bilhões (aproximadamente R$ 14,67 bilhões) em receitas cambiais. Segundo o Cecafé, esse cenário afeta toda a cadeia produtiva, já que o país é um dos que mais repassam o valor das exportações aos produtores — mais de 90% do valor FOB nas últimas safras.

Portos Superlotados e Gargalos Estruturais

Apesar dos recordes gerais de movimentação de cargas anunciados por autoridades públicas, os exportadores afirmam que o quadro mascara as deficiências operacionais.

O Cecafé alerta que os gargalos atingem não apenas o café, mas também açúcar, algodão e outros produtos agrícolas que dependem do transporte conteinerizado.

“É urgente que o governo invista em infraestrutura, amplie pátios e berços, e aprofunde calados para receber grandes embarcações. Caso contrário, o país continuará perdendo bilhões de dólares por ano”, destacou Heron.

Setor do Café e Outras Commodities Reivindicam Soluções

No final de 2024, a Associação Comercial de Santos (ACS) promoveu um encontro entre a Autoridade Portuária de Santos (APS) e entidades setoriais como Cecafé, ANEA, AEXA e IBÁ, para debater os prejuízos logísticos.

O evento reforçou que o esgotamento da capacidade portuária em Santos afeta todo o agronegócio exportador.

Heron ressaltou ainda que, entre 2016 e 2025, as exportações do agronegócio cresceram 72%, saltando de 158,9 milhões para 273,1 milhões de toneladas, segundo dados do AgroStat/Mapa. “Sem investimentos ágeis, o país perde competitividade e acumula prejuízos no comércio exterior”, alertou.

Incertezas Regulatórias e Novas Alternativas Logísticas

A situação pode piorar com a possível judicialização do leilão do Tecon Santos 10, que, segundo o Cecafé, pode atrasar a ampliação da capacidade portuária.

Por outro lado, há expectativa de descentralização logística com a parceria entre o Imetame Porto Aracruz e a Hanseatic Global Terminals (HGT), subsidiária da Hapag-Lloyd. A iniciativa pode atrair embarques para o Espírito Santo, desafogando o Porto de Santos e reduzindo prejuízos aos exportadores.

Raio-X dos Atrasos: Santos e Rio de Janeiro em Destaque

O Boletim Detention Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, mostrou que em dezembro de 2025, 52% dos navios (187 de 361) sofreram atrasos ou mudanças de escala nos principais portos.

  • Porto de Santos: responsável por 78,7% das exportações de café, registrou 65% de atrasos — 105 navios impactados, com espera de até 82 dias.
  • Porto do Rio de Janeiro: segundo maior exportador, com 17,7% de participação, apresentou 41% de atrasos, sendo 52 dos 127 navios afetados.

Mesmo com uma queda de 20% nas exportações de café, a pressão logística continua, com contêineres aguardando embarque por semanas.

Conclusão: Falta de Estrutura Reduz Competitividade do Brasil

O Cecafé alerta que a defasagem portuária ameaça a competitividade do Brasil no mercado global de café. A lentidão nos investimentos e a burocracia em licitações podem comprometer os embarques futuros e afetar diretamente a renda dos produtores.

“Os gargalos logísticos não prejudicam apenas exportadores, mas também milhares de cafeicultores que dependem das exportações para garantir sua renda. Investir em infraestrutura é investir na sustentabilidade do agronegócio brasileiro”, concluiu Eduardo Heron.

Fonte: Portal do Agronegócio

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