Publicado em: 25/02/2026 às 11:55hs
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) lançou nesta terça-feira (23) uma plataforma digital para monitorar as áreas de produção de café no Brasil, com o objetivo de ampliar a transparência e garantir que o cultivo do grão não ocorra em áreas desmatadas após 2020.
A iniciativa, chamada de Plataforma do Parque Cafeeiro, foi desenvolvida em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais. O sistema combina bancos de dados públicos e tecnologia de sensoriamento remoto por satélite, permitindo o rastreamento detalhado da origem do café brasileiro.
Segundo a Conab, a ferramenta representa um avanço estratégico para fortalecer a competitividade do setor cafeeiro nacional, ampliando a confiança internacional na sustentabilidade da produção.
O lançamento da plataforma ocorre em um momento crucial para o agronegócio brasileiro, diante da iminente aplicação da Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR).
A norma, que entra em vigor ainda este ano para grandes empresas, proíbe a importação de commodities cultivadas em áreas desmatadas após 31 de dezembro de 2020. Já as pequenas e médias empresas terão até 30 de junho de 2027 para se adequar às novas exigências ambientais.
Com isso, o Brasil busca garantir a continuidade do acesso ao mercado europeu, principal destino do café nacional.
Durante a cerimônia de lançamento, o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, Marcos Matos, destacou a importância da medida para o setor exportador.
“A União Europeia representa aproximadamente 44% do nosso mercado de café. Mantê-lo exige transparência e conformidade ambiental”, afirmou Matos.
As exportações brasileiras de café para o bloco europeu somam cerca de US$ 7 bilhões por ano, consolidando o Brasil como líder mundial na produção de café arábica e segundo maior produtor de cafés canéforas (robusta e conilon).
De acordo com a Conab, a safra de 2026 deve alcançar um recorde de 66,2 milhões de sacas de 60 kg, reforçando o protagonismo do país no comércio global do grão.
Para o presidente da Conab, Edegar Pretto, a plataforma é uma ferramenta fundamental para comprovar que o café brasileiro é sustentável e livre de desmatamento.
“O café brasileiro, que é sinônimo de qualidade, agora também será sinônimo de rastreabilidade e confiança”, afirmou Pretto.
Além de identificar possíveis áreas de desmatamento, o sistema também verifica se há invasão de terras indígenas ou quilombolas, reforçando o compromisso do Brasil com a produção responsável e o respeito socioambiental.
Fonte: Portal do Agronegócio
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