Café

Com dólar alto, produtores de café 'gourmet' comemoram exportações

Em São Sebastião da Grama, no interior de São Paulo, o ditado é exato: a grama está mesmo crescendo mais verde


Publicado em: 03/12/2015 às 15:30hs

Com dólar alto, produtores de café 'gourmet' comemoram exportações

Em um ano de turbulência econômica no país, a pequena cidade a 250 km da capital paulista vai muito bem, obrigada.

Historicamente ligada à produção de café para exportação os cafeicultores da região colhem os benefícios da alta do dólar e vivem um momento de otimismo que contrasta com os atuais números negativos da economia nacional.

Com dólar alto, produtores de cafés 'gourmet' no interior de SP comemoram exportações

"O volume de exportações de grãos neste ano aumentou cerca de 30% em relação a 2014", afirma Paulo Henrique Baptistella, dono de uma exportadora de Grama, como é carinhosamente apelidada a cidade.

No Brasil, a exportação de café na safra 2014/2015 registrou um recorde histórico: foram 36 milhões de sacas vendidas, um aumento de 7% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Localizada no Vale da Grama, na divisa de São Paulo com Minas Gerais, a região tem alguns diferenciais. Terras acima de mil metros de altitude, temperatura amena –em torno dos 20º C a maior parte do ano–, e solos ricos em micronutrientes favorecem o plantio de cafés especiais, como o árabico e o "fine cup", considerados "gourmet".

Por causa disso, marcas produzidas na cidade já receberam diversos prêmios nacionais e internacionais de qualidade e têm a maior nota do Brasil pelo Programa de Qualidade do Café.

É a qualidade que chama a atenção de compradores em outros países, pois com o grão "gourmet" é possível melhorar o sabor de cafés menos nobres. "É um privilégio comprar o café daqui porque há 'blend' [composição de vários cafés para elevar a qualidade] para todos os países", afirma Baptistella.

A alta do dólar, para o exportador, é bem-vinda. "Tem a preocupação com a economia e política do país, mas certamente estamos em um bom momento", diz.

O empresário, assim como a maioria dos moradores de Grama, sempre trabalhou com café. Ele começou na torrefação de grãos do seu pai em 1996, com o tempo, comprou uma fazenda e, em 2006, começou a trabalhar exclusivamente com exportação. Ele espera aumentar o faturamento em 20% neste ano.

Herdeiro de uma família que trabalha com café há mais de um século, o empresário Augusto Carvalho Dias Carneiro também comemora.

Ele vive há 20 anos nos Estados Unidos, onde montou uma firma de importação para levar o café da família. "Nesse momento em que o dólar está alto, eu acho é bom para os dois lados, porque o preço fica mais justo", afirma.

Alguns plantadores chamam a atenção para o fato de que, em consequência da alta da moeda americana, insumos e adubos –que são adquiridos em dólar– também sobem e provocam aumento dos custos de produção.

Ainda assim, para Bapstitella, "há um pouco de 'chororô' nessas reclamações". "A mão de obra é cotada em reais, assim como uma série de outras variáveis. Não é tempo de reclamar".

Em 2015, segundo dados do Conselho de Exportadores de Café (Cecafe), a evolução da exportação de cafés especiais teve 10,5% de aumento em relação ao mesmo período de 2014. "Estamos prevendo uma safra boa para 2016.

Não temos muito estoque, está tudo correndo dentro da normalidade e com preços bons. O dólar está ajudando, o preço do café na bolsa de Nova York se mantém estável. Todos da cadeia estão ganhando", diz o exportador.

Fonte: Rede Social do Café

◄ Leia outras notícias
/* */ --