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Café

Colheita do café chega a 99% no Cerrado Mineiro, mas chuvas e granizo elevam risco de doenças

Precipitações interromperam o recolhimento do café de chão, favoreceram nova florada e aumentaram a necessidade de manejo preventivo nas lavouras atingidas


Publicado em: 22/09/2026 às 11:35hs

Colheita do café chega a 99% no Cerrado Mineiro, mas chuvas e granizo elevam risco de doenças

A colheita do café alcançou 99% da área projetada na região de atuação da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), em Minas Gerais. Apesar da proximidade do encerramento da safra, as chuvas registradas entre 10 e 16 de setembro elevaram a umidade do solo e paralisaram o recolhimento do café de chão na maior parte das propriedades.

Segundo o acompanhamento técnico da cooperativa, 91% da produção total já foi beneficiada. O rendimento médio permanece em 455 litros de café por saca de 60 quilos, resultado considerado um dos melhores das últimas safras no Cerrado Mineiro.

As precipitações também estimularam uma nova florada em diversas áreas. Por outro lado, episódios de granizo e ventos fortes provocaram danos nas lavouras e ampliaram o risco de doenças como phoma e bacterioses.

Café de chão representa 30% da safra

Os técnicos da Expocacer estimam que o café de chão corresponda a aproximadamente 30% do volume total produzido nesta safra. Desse montante, cerca de 81% já foi recolhido.

Com a colheita praticamente concluída, a evolução dos indicadores ocorre em ritmo mais lento. Restam áreas pontuais com operações em andamento, especialmente aquelas onde ainda há frutos caídos aguardando recolhimento.

O aumento da umidade impede o acesso das máquinas e dificulta os trabalhos no solo. Dessa forma, novos avanços dependerão de uma sequência de dias secos nas propriedades que ainda não concluíram as operações.

Chuvas favorecem nova florada do café

Embora tenham interrompido o recolhimento, as chuvas favoreceram a abertura de uma nova florada, considerada expressiva em diferentes áreas do Cerrado Mineiro.

A antecipação do ciclo exige ajustes no planejamento agronômico. A orientação é antecipar os manejos de proteção antes e depois da florada, considerando as condições climáticas, o estágio de desenvolvimento das plantas e as características de cada propriedade.

O desempenho da próxima safra dependerá não apenas da abertura das flores, mas também do pegamento e da regularidade das chuvas ao longo das fases seguintes. Por isso, os produtores devem acompanhar a umidade do solo e as previsões meteorológicas.

Granizo atinge lavouras jovens e áreas produtivas

Na última semana, diferentes regiões do Cerrado Mineiro registraram chuvas de granizo com intensidades de leves a fortes. O fenômeno foi observado em propriedades de Patos de Minas, Perdizes, Serra do Salitre e Araxá.

Associado à ocorrência de ventos, o granizo atingiu lavouras jovens, inclusive áreas de primeira safra, e cafezais mais antigos. Foram identificados danos em folhas, ramos, frutos, flores e botões florais.

Além das perdas diretas, as lesões podem comprometer novas brotações e facilitar a entrada de patógenos. A situação aumenta a possibilidade de ocorrência de phoma e bacterioses nas áreas afetadas.

Expocacer recomenda manejo preventivo

A recomendação dos técnicos é avaliar individualmente cada propriedade atingida pelo granizo. A intensidade dos danos pode variar dentro de uma mesma região, exigindo medidas ajustadas às condições de cada talhão.

Entre as ações recomendadas estão pulverizações preventivas com fungicidas protetores e a continuidade do manejo fitossanitário. Qualquer intervenção deve ser definida com orientação técnica.

A rapidez na avaliação é considerada importante para reduzir os riscos de infecção nos ferimentos provocados pelo granizo e favorecer a recuperação das plantas.

Umidade exige controle de plantas daninhas

O aumento da umidade do solo também favorece o desenvolvimento de plantas daninhas. Por isso, o controle dessas espécies deve ser priorizado para evitar competição por água e nutrientes com os cafezais.

Os técnicos também orientam os produtores a programar a aplicação de calcário, gesso e compostos orgânicos, além de ajustar o manejo nutricional das lavouras.

Nas áreas irrigadas, a fertirrigação pode ser conduzida de acordo com o planejamento de cada propriedade. Nos cafezais de sequeiro, o início das adubações deve acompanhar a disponibilidade de umidade e o desenvolvimento das plantas.

Monte Carmelo registra 44,5 milímetros de chuva

As precipitações ocorreram de maneira irregular no Cerrado Mineiro entre 10 e 16 de setembro. Os maiores volumes foram registrados em Monte Carmelo, com aproximadamente 44,5 milímetros.

Araxá acumulou 40,5 milímetros, enquanto Patrocínio registrou 34,3 milímetros e Serra do Salitre, 30,2 milímetros.

Para os próximos dias, a previsão aponta volumes menores e distribuição irregular. Os acumulados estimados ficam próximos de 1,8 milímetro em Araxá e 1,4 milímetro em Serra do Salitre.

As temperaturas devem aumentar, com máximas de até 34°C. Nesse cenário, a orientação é manter o acompanhamento meteorológico e reforçar a atenção às lavouras atingidas pelo granizo, especialmente diante do risco de doenças e da necessidade de proteger a nova florada.

Fonte: Portal do Agronegócio

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