Café

Chuvas beneficiam o café arábica, mas elevam preocupações com o robusta no Espírito Santo

Clima mais úmido favorece o enchimento dos grãos de arábica, enquanto o excesso de chuvas ameaça lavouras de robusta e mantém volatilidade nas cotações internacionais


Publicado em: 28/01/2026 às 12:00hs

Chuvas beneficiam o café arábica, mas elevam preocupações com o robusta no Espírito Santo
Chuvas trazem alívio aos produtores de arábica

As chuvas mais volumosas registradas nos últimos dias em quase todas as regiões cafeeiras do Brasil trouxeram alívio aos produtores de café arábica. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o aumento da umidade após o estresse climático no final de 2025 tem favorecido o enchimento dos grãos, etapa fundamental para o bom desenvolvimento da safra.

O cenário é considerado positivo para o arábica, que vinha enfrentando condições adversas nos meses anteriores. Com a regularização das precipitações, há expectativa de melhora na produtividade e na qualidade dos grãos para a colheita de 2026.

Excesso de chuva preocupa o cultivo de robusta

Por outro lado, as chuvas intensas têm causado apreensão entre os produtores de robusta, especialmente no norte do Espírito Santo. Segundo o Cepea, algumas áreas foram afetadas por alagamentos, o que pode comprometer parte das lavouras e favorecer o surgimento de doenças fúngicas.

Os especialistas alertam que a umidade excessiva em regiões produtoras pode gerar perdas pontuais e aumentar os custos com manejo fitossanitário, exigindo atenção redobrada dos cafeicultores nos próximos dias.

Mercado de café passa por ajustes técnicos

No mercado internacional, os preços do café iniciaram a quarta-feira (28) em queda, após uma sequência de fortes altas. O movimento é atribuído a ajustes técnicos e à realização de lucros nas bolsas de Nova York e Londres.

Por volta das 9h30 (horário de Brasília), o contrato de arábica com vencimento em março de 2026 registrava queda de 775 pontos, cotado a 359,50 cents por libra-peso. Já o robusta recuava US$ 67, sendo negociado a US$ 4.208 por tonelada no mesmo período.

Câmbio e cenário geopolítico ampliam a volatilidade

Além das condições climáticas, o comportamento do câmbio e as tensões geopolíticas continuam influenciando as cotações do café. O enfraquecimento recente do dólar, que atingiu mínimas de mais de quatro meses, incentivou a cobertura de posições vendidas e contribuiu para oscilações nas bolsas.

De acordo com relatório do Itaú BBA, o mercado segue sensível tanto às variações climáticas no Brasil quanto ao ambiente político global. O documento destaca que conflitos regionais e restrições diplomáticas podem impactar as relações comerciais e manter a volatilidade elevada nos preços internacionais da commodity.

Expectativas para a safra e tendência de preços

Com o avanço da safra e o retorno das chuvas, o Cepea prevê que a volatilidade dos preços deve permanecer até que sejam divulgadas estimativas mais precisas sobre o volume total da produção brasileira. Enquanto o arábica tende a se beneficiar das condições atuais, o robusta ainda enfrenta riscos climáticos que podem influenciar a oferta e as cotações nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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