Chuvas atrasam colheita do café no Sul de Minas e comprometem qualidade da safra 2026
Levantamento aponta que apenas 30% da safra foi colhida até o início de julho, enquanto excesso de chuvas provoca paralisações, atraso nos trabalhos, floração antecipada e riscos à qualidade da bebida.
Publicado em: 09/07/2026 às 11:35hs
A colheita do café no Sul de Minas Gerais enfrenta um dos cenários mais desafiadores dos últimos anos. Com chuvas muito acima da média durante o mês de junho, os trabalhos avançaram lentamente e chegaram à metade do calendário da safra 2026 com apenas 30% da produção colhida, percentual bem inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Levantamento realizado pelo Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), com base em entrevistas realizadas com 32 técnicos de campo que acompanham aproximadamente 900 propriedades cafeeiras no Sul de Minas e parte do Centro-Oeste mineiro, revela que praticamente todas as lavouras sofreram impactos causados pelas condições climáticas.
Excesso de chuvas reduz ritmo da colheita do café
O principal fator para o atraso da safra foi o volume de precipitações registrado em junho. Segundo dados da Fundação Procafé, o município de Varginha acumulou 64 milímetros de chuva durante o mês, exatamente o dobro da média histórica de 32,4 milímetros registrada desde 1974.
As precipitações frequentes impediram o avanço das máquinas e interromperam a colheita manual em diversas propriedades, elevando custos operacionais e comprometendo o planejamento das fazendas.
De acordo com os técnicos do ATeG, todas as propriedades monitoradas tiveram algum período de paralisação dos trabalhos. Entre elas:
- 47% permaneceram com a colheita interrompida por até dez dias;
- 43% registraram paralisações de até cinco dias;
- 9% enfrentaram interrupções superiores a dez dias.
Umidade aumenta risco de perda de qualidade do café
Além de retardar a retirada dos frutos das plantas, as chuvas elevam significativamente o risco de perdas na qualidade final do café.
Segundo o supervisor do Programa ATeG, Guilherme Ferreira Marques, tanto a colheita mecanizada quanto a manual precisam ser suspensas durante períodos chuvosos.
A umidade provoca queda de frutos no solo, aumenta a necessidade de recolhimento manual e dificulta a secagem dos grãos nos terreiros, principalmente em propriedades que não possuem secadores mecânicos. Esse ambiente favorece o desenvolvimento de fungos, reduzindo a qualidade da bebida e podendo comprometer a classificação do café destinado aos mercados mais exigentes.
Quase todas as propriedades registram atraso na safra
O levantamento mostra que o atraso da colheita já atinge 97% das propriedades acompanhadas pelo programa.
Entre os técnicos consultados:
- 37% estimam atraso de até 20 dias;
- outros 37% apontam atraso de aproximadamente 15 dias;
- 15% indicam defasagem de até dez dias.
O percentual de colheita concluída, de apenas 30% no início de julho, evidencia a diferença em relação à safra anterior, quando aproximadamente 52% da produção já havia sido colhida no mesmo período.
Chuvas provocam floração antecipada em lavouras
Outro efeito das condições climáticas foi a ocorrência de floração antecipada em pelo menos 213 propriedades produtoras de café.
O fenômeno preocupa os especialistas porque pode comprometer a uniformidade do ciclo produtivo da próxima safra, dificultando o manejo das lavouras e aumentando os desafios durante a colheita futura.
Na Fazenda Lagoinha, localizada em Lagoa da Prata, no Centro-Oeste de Minas Gerais, praticamente toda a lavoura formada por cerca de quatro mil pés de café apresentou florada ainda durante o mês de junho.
Segundo o produtor Wandilson Castro Lacerda, a antecipação ocorreu justamente durante a colheita, embora a propriedade tenha sido beneficiada por já estar com boa parte dos trabalhos adiantada. Mesmo assim, as chuvas interromperam as atividades por uma semana inteira.
Clima reforça preocupação com a qualidade da safra de café
Com o avanço lento da colheita e previsões de novas instabilidades climáticas, produtores seguem atentos ao comportamento do tempo para minimizar perdas na qualidade dos grãos.
O cenário reforça a importância do manejo adequado da pós-colheita e da secagem eficiente dos frutos, fatores considerados decisivos para preservar o padrão de qualidade do café mineiro, principal origem da produção nacional destinada tanto ao mercado interno quanto às exportações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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