Publicado em: 26/02/2026 às 16:30hs
A Chapada de Minas, composta por 22 municípios no Vale do Jequitinhonha, celebrou nesta terça-feira (24/2) um marco histórico: o reconhecimento como Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O registro foi resultado da atuação conjunta do Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM) e do Sebrae Minas, que há anos desenvolvem ações para fortalecer a cadeia produtiva e valorizar o café regional.
Com a inclusão da Chapada, o Brasil passa a ter 156 Indicações Geográficas — sendo 124 de Indicação de Procedência (IP) e 32 de Denominação de Origem (DO). Em Minas Gerais, essa é a sétima região cafeeira a obter o selo, ao lado de Cerrado Mineiro, Mantiqueira de Minas e Canastra (todas DO), além de Matas de Minas, Sudoeste de Minas e Campos das Vertentes (IP).
O reconhecimento do INPI representa mais que um título: ele é um instrumento de valorização territorial, de proteção do saber-fazer local e de fomento ao desenvolvimento regional sustentável, especialmente entre pequenos produtores.
De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva, a IG vai ampliar a visibilidade e a competitividade dos cafés produzidos na Chapada.
“Além do impacto econômico, a Indicação Geográfica consolida a identidade da região, fortalece o comércio e reconhece o trabalho dos produtores que se dedicam diariamente para alcançar padrões de excelência”, destacou.
A presidente do ICCM, Carmem Lídia Junqueira, também celebrou o feito:
“Essa conquista é fruto de anos de dedicação e do apoio constante do Sebrae, que ofereceu capacitação e suporte técnico. A Chapada de Minas agora figura oficialmente no mapa do café brasileiro como referência em qualidade e tradição”, afirmou.
A região da Chapada de Minas reúne 5,8 mil cafeicultores, que cultivam cerca de 30 mil hectares, com produção anual estimada em 400 mil sacas. Juntos, os municípios envolvidos — entre eles Capelinha, Itamarandiba, Diamantina, Turmalina, Novo Cruzeiro e Malacacheta — formam um importante polo socioeconômico, com 20 mil empregos diretos e indiretos e uma população total de 362 mil habitantes.
Os cafés da Chapada se destacam por seu perfil sensorial diferenciado, com sabor adocicado e notas de chocolate, caramelo e frutas vermelhas, além de corpo aveludado e acidez viva e equilibrada. O conjunto resulta em uma experiência marcante, que reforça a identidade e o potencial de valorização do produto mineiro no mercado nacional e internacional.
O pedido de registro da IG foi protocolado no INPI em setembro de 2025, mas a trajetória que levou à conquista começou bem antes. Desde 2018, o Sebrae Minas e o ICCM atuam em parceria com foco no desenvolvimento técnico e gerencial dos produtores.
O trabalho incluiu treinamentos, capacitações, visitas técnicas a feiras e eventos, além dos chamados Dias de Campo, que permitem o compartilhamento de boas práticas produtivas.
Em 2019, foi lançada a marca territorial “Chapada de Minas”, um selo que já assegurava a procedência e autenticidade do café da região. A iniciativa fortaleceu a governança local e agregou valor comercial ao produto, abrindo portas para novos mercados.
Outro avanço importante foi a adesão dos produtores ao Programa Educampo, que oferece indicadores de desempenho e ferramentas de gestão para aumentar produtividade, rentabilidade e eficiência na administração das propriedades.
Com o reconhecimento da Indicação Geográfica, a Chapada de Minas consolida seu nome entre as principais regiões produtoras do estado e do Brasil. A certificação reforça o compromisso dos produtores com a qualidade, sustentabilidade e identidade territorial, abrindo caminho para novas oportunidades comerciais e turísticas no Vale do Jequitinhonha.
Fonte: Portal do Agronegócio
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