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Café tem forte volatilidade com previsão de safra recorde e produtores retraídos no mercado

Estimativas da Conab indicam colheita recorde em 2026, mas desvalorização e baixa liquidez marcam o início do ano no mercado de café brasileiro


Publicado em: 11/02/2026 às 11:40hs

Café tem forte volatilidade com previsão de safra recorde e produtores retraídos no mercado
Perspectiva de safra recorde pressiona preços do café

O mercado de café inicia fevereiro sob forte pressão nos preços, influenciado por projeções otimistas para a safra brasileira de 2026/27. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), a desvalorização dos grãos se intensificou após a divulgação de novas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que apontam para uma colheita recorde no país.

A previsão da Conab indica um crescimento de 17,2% na produção total, atingindo 66,2 milhões de sacas. O destaque fica para o café arábica, com aumento de 23,2%, totalizando 44,1 milhões de sacas, enquanto o robusta deve crescer 6,3%, alcançando 22,1 milhões de sacas. Se confirmada, essa será a maior safra da história brasileira, superando o recorde anterior de 2020/21.

Estoques em recomposição, mas produtores se mantêm cautelosos

Mesmo com o aumento esperado da produção, especialistas alertam que os estoques ainda estão em níveis baixos. O analista de mercado Haroldo Bonfá, da Pharos Consultoria, destaca que o Brasil encerrou a safra 2025/26 com apenas 2 milhões de sacas em estoque de passagem, após atender ao consumo interno de cerca de 22 milhões e exportar aproximadamente 39 milhões de sacas.

Bonfá lembra que o país iniciou a safra anterior praticamente sem estoques, o que ainda mantém o equilíbrio entre oferta e demanda global. Por isso, apesar da previsão de uma safra robusta, o mercado segue atento ao comportamento do clima e à recomposição dos estoques nos próximos meses.

De acordo com pesquisadores do Cepea, esse novo cenário de produção elevada pode ajudar na recuperação dos estoques, mas sem gerar excedentes expressivos. A relação ajustada entre oferta e demanda segue sendo um fator de sustentação para os preços a médio prazo.

Clima e cenário internacional influenciam o mercado

O bom volume de chuvas nas principais regiões produtoras tem favorecido o desenvolvimento das lavouras e a maturação dos frutos, reforçando a expectativa de uma colheita de alta qualidade. No entanto, a variação climática ainda é um ponto de atenção, podendo afetar o ritmo de colheita e o resultado final da safra.

No cenário internacional, a entrada do café do Vietnã tem ajudado a equilibrar a oferta global. Segundo Marcelo Moreira, analista da Archer Consulting, o país asiático exportou entre 3,40 e 3,70 milhões de sacas apenas em janeiro de 2026, o que traz alívio momentâneo para o abastecimento até a chegada da nova safra brasileira, prevista para começar no final de abril.

Bolsas internacionais registram fortes oscilações

A manhã desta quarta-feira (11) foi marcada por movimentos opostos nas cotações internacionais. O café arábica registrava alta de 40 pontos, cotado a 294,60 cents/lbp no contrato de março/26, enquanto os contratos para maio e julho subiam 100 e 110 pontos, respectivamente.

Já o robusta apresentava quedas moderadas, com recuos de US$ 20 a US$ 21 por tonelada nos principais contratos, sendo negociado a US$ 3.723/t (março/26) e US$ 3.662/t (maio/26).

Produtores retraídos e negociações lentas

Com o cenário de desvalorização interna e incerteza quanto à sustentação dos preços, produtores brasileiros seguem cautelosos. Muitos têm evitado novas vendas, aguardando melhores condições de mercado. O Cepea aponta que, nas últimas semanas, as negociações permanecem praticamente paralisadas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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