Café sobe nas bolsas após forte volatilidade; oferta restrita, estoques em queda e clima no Brasil sustentam mercado
Arábica e robusta iniciam esta quarta-feira em alta após realização de lucros na sessão anterior. Mercado acompanha colheita brasileira, redução dos estoques certificados da ICE e comportamento do dólar.
Publicado em: 15/07/2026 às 11:25hs
O mercado internacional do café voltou a operar em alta na abertura desta quarta-feira (15), recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior. As cotações do arábica e do robusta são sustentadas pela oferta global ainda restrita, pela contínua redução dos estoques certificados da ICE Futures US e pelas incertezas em torno das condições climáticas nas principais regiões produtoras do Brasil.
O movimento ocorre após uma terça-feira marcada por forte volatilidade, quando os contratos chegaram a registrar expressivos ganhos ao longo do pregão, mas encerraram o dia em queda diante de um intenso movimento de realização de lucros e correção técnica.
Café arábica e robusta avançam nas bolsas internacionais
Na ICE Futures US, em Nova York, o contrato de café arábica com vencimento em setembro de 2026 era negociado na manhã desta quarta-feira a 329,50 cents de dólar por libra-peso, avanço de 340 pontos. O contrato para dezembro de 2026 subia para 311,30 cents/lbp, com valorização de 330 pontos.
Na ICE Europe, o café robusta também apresentava valorização. O vencimento setembro de 2026 era cotado a US$ 3.899 por tonelada, alta de US$ 50, enquanto o contrato novembro de 2026 avançava para US$ 3.854 por tonelada, ganho de US$ 54.
Sessão anterior foi marcada por realização de lucros
Na terça-feira (14), a Bolsa de Nova York encerrou o dia em baixa, mesmo após os contratos registrarem fortes ganhos durante boa parte da sessão.
O contrato setembro/2026 fechou cotado a 326,10 cents de dólar por libra-peso, recuo de 3,90 cents, equivalente a 1,2%. Já o vencimento dezembro/2026 terminou a 308,00 cents/lbp, com desvalorização de 3,05 cents, ou 1%.
Segundo analistas, a queda refletiu principalmente movimentos de realização de lucros e correções técnicas após a recente valorização do mercado. Durante o pregão, a desvalorização do dólar frente ao real chegou a impulsionar os preços, mas o cenário mudou ao longo da sessão.
De acordo com análise do Escritório Carvalhaes, os contratos do arábica chegaram a avançar mais de 2.200 pontos antes de inverterem a tendência e encerrarem o dia no campo negativo. No robusta, as cotações atingiram máxima próxima de US$ 4.033 por tonelada, encerrando posteriormente com ganhos mais modestos.
Estoques certificados seguem em queda e reforçam sustentação dos preços
Apesar das oscilações diárias, os fundamentos permanecem favoráveis ao mercado.
Os estoques certificados de café arábica da ICE Futures US voltaram a recuar, com redução de 2.922 sacas, totalizando 339.652 sacas. O volume permanece aproximadamente 489 mil sacas abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, reforçando o cenário de oferta limitada no mercado internacional.
A disponibilidade restrita também continua sustentando o mercado físico brasileiro. Produtores seguem comercializando apenas os volumes considerados necessários, adotando postura cautelosa enquanto acompanham a evolução da colheita, do clima e das cotações internacionais.
Clima no Brasil continua no radar do mercado
As condições climáticas permanecem entre os principais fatores monitorados pelos investidores.
As chuvas registradas no início da semana dificultaram temporariamente os trabalhos de colheita e secagem dos grãos em parte das regiões produtoras do Sudeste. A previsão, entretanto, indica retorno do tempo seco ao longo desta quarta-feira, favorecendo o avanço das atividades no campo.
Uma massa de ar frio continua mantendo temperaturas mais baixas durante as madrugadas, especialmente no Sul de Minas Gerais. Apesar disso, os modelos meteorológicos apontam risco muito baixo para ocorrência de geadas nas principais áreas cafeeiras do país.
Dólar também influencia a formação dos preços
O mercado acompanha ainda o comportamento do câmbio.
Após encerrar a terça-feira cotado a R$ 5,0780, o dólar voltou a recuar e passou a operar próximo de R$ 5,06 nesta quarta-feira. A valorização do real reduz a competitividade das exportações brasileiras e influencia diretamente a formação dos preços internos do café, fator que segue no radar dos agentes do mercado.
Perspectivas para o mercado do café
O mercado de café deve permanecer altamente volátil nas próximas sessões. A combinação entre oferta mundial restrita, queda dos estoques certificados, evolução da colheita brasileira, condições climáticas e comportamento do dólar continua sendo determinante para a formação dos preços.
Enquanto os fundamentos seguem indicando sustentação para as cotações, investidores permanecem atentos aos movimentos técnicos nas bolsas internacionais, que têm provocado oscilações expressivas entre os pregões.
Fonte: Portal do Agronegócio
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