Café sobe em Nova York e Londres com clima em foco após quedas em setembro
Preocupações com a florada no Brasil e as chuvas no Vietnã sustentam a recuperação das cotações, enquanto maior fluxo de exportações limita os avanços
Publicado em: 05/10/2026 às 11:10hs
Os preços do café avançavam nas bolsas internacionais na manhã desta segunda-feira (5), com o mercado atento às condições climáticas no Brasil e no Vietnã. Por volta das 9h, no horário de Brasília, o arábica subia entre 1,40% e 1,76% em Nova York, enquanto o robusta registrava valorização próxima de 2% em Londres.
A recuperação ocorre após um setembro de perdas nos mercados externo e brasileiro. As preocupações com a oferta, reforçadas pelos baixos estoques certificados de arábica, dão suporte às cotações. Entretanto, a maior chegada da safra brasileira aos canais de comercialização e a perspectiva de abastecimento por outras origens seguem como fatores de pressão.
Cotações do café avançam nas bolsas internacionais
Na Bolsa de Nova York, o contrato de arábica para dezembro de 2026 era negociado a 293,75 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 1,73%. O vencimento março de 2027 avançava 1,43%, a 284,50 centavos, enquanto maio subia 1,40%, a 281,70 centavos. Julho registrava ganho de 1,76%, cotado a 280,55 centavos.
Em Londres, o robusta para novembro de 2026 alcançava US$ 3.539 por tonelada, valorização de 2,02%. Os contratos para janeiro, março e maio de 2027 também avançavam, negociados, respectivamente, a US$ 3.501, US$ 3.476 e US$ 3.470 por tonelada.
As cotações representam o movimento observado naquele horário e estão sujeitas a mudanças ao longo da sessão.
Florada brasileira e chuvas no Vietnã concentram as atenções
No Brasil, o acompanhamento das chuvas nas regiões produtoras de arábica é decisivo para avaliar o desenvolvimento das floradas que darão origem à safra de 2027. Embora o cenário descrito pela Safras & Mercado até o fim de setembro tenha sido favorável à floração e ao pegamento inicial, a continuidade da disponibilidade de água permanece no radar dos agentes.
No Vietnã, o excesso de precipitação gera apreensão quanto ao início da colheita de robusta e à qualidade dos grãos. Esse quadro contribui para sustentar os preços em Londres.
Os estoques certificados de arábica na ICE, apontados como historicamente baixos, também ampliam a sensibilidade das cotações a possíveis problemas de abastecimento. A combinação desses fatores mantém o mercado sujeito a oscilações, mesmo diante da melhora no fluxo global de café.
Maior oferta brasileira pressionou os preços em setembro
Segundo o analista da Safras & Mercado Gil Barabach, a queda das cotações em setembro refletiu uma mudança na percepção sobre o abastecimento internacional.
O atraso na colheita brasileira e na chegada dos grãos ao mercado havia alimentado preocupações com a disponibilidade de café. Com o avanço da entrada da safra nas cooperativas, nos armazéns de tradings e nas praças de comercialização, esse cenário começou a se modificar.
As entregas relacionadas a vendas antecipadas também ajudaram a ampliar o fluxo para os portos e os mercados consumidores. Conforme a análise, os embarques brasileiros superaram 4 milhões de sacas em agosto, e os dados parciais do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) sinalizavam volume acima desse patamar em setembro.
Dados da Organização Internacional do Café (OIC) apresentados no levantamento mostram que as exportações globais somaram 130,81 milhões de sacas entre outubro de 2025 e agosto de 2026, crescimento de 1% frente ao mesmo intervalo da temporada anterior.
Além do Brasil, a proximidade da colheita vietnamita, a chegada de café de origens africanas e da América Central e o avanço da colheita principal na Colômbia reforçam a expectativa de maior disponibilidade nos próximos meses.
Café arábica perdeu 6,7% em Nova York no mês
No balanço de setembro, o contrato dezembro do arábica recuou de 311,50 para 290,70 centavos de dólar por libra-peso em Nova York, uma desvalorização de 6,7%. Em Londres, o robusta para novembro acumulou queda de 2,4%.
A melhora do abastecimento ofereceu maior conforto aos compradores e reduziu parte da pressão que havia impulsionado os preços anteriormente. Mesmo com movimentos de recuperação técnica, a ampliação da oferta física continuou pesando sobre o mercado, conforme Barabach.
Mercado brasileiro acompanha perdas, com negociação cautelosa
No mercado físico nacional, produtores administraram a disponibilização de lotes, enquanto compradores buscaram oportunidades durante os recuos das bolsas.
No sul de Minas Gerais, o arábica bebida boa da safra nova passou de R$ 1.770 para R$ 1.650 por saca na base de compra durante setembro, queda de 6,8%.
Para o conilon tipo 7, na base de compra em Vitória, no Espírito Santo, a referência caiu de R$ 1.020 para R$ 990 por saca, retração de 2,9%.
A alta desta segunda-feira acrescenta um movimento de recuperação a esse cenário. Sua continuidade dependerá do equilíbrio entre os riscos climáticos nas principais regiões produtoras e a efetiva chegada de café ao mercado internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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