Publicado em: 10/03/2026 às 11:00hs
O mercado brasileiro de café iniciou esta terça-feira com baixo volume de negócios e ritmo mais lento nas negociações. O cenário reflete o recuo das cotações nas bolsas internacionais e a volatilidade do câmbio, fatores que seguem influenciando diretamente a formação dos preços no mercado interno.
Além do comportamento das bolsas, o ambiente macroeconômico também permanece no radar dos agentes do setor. O Banco Central do Brasil acompanha a evolução das condições financeiras globais e do mercado cambial, variáveis que impactam as commodities exportadas pelo país, entre elas o café.
Nas negociações da ICE Futures US, em Nova York, principal referência mundial para o café arábica, os contratos operam em queda entre os vencimentos mais negociados.
O contrato com entrega em maio de 2026 é negociado próximo de 294,15 centavos de dólar por libra-peso, com recuo de aproximadamente 1% na sessão.
Outros vencimentos também apresentam ajustes:
Segundo analistas do mercado internacional, o movimento representa principalmente realização de lucros, após ganhos recentes registrados nas bolsas.
No caso do café robusta, negociado na ICE Europe, em Londres, as cotações também iniciaram o dia em queda:
Com o desempenho negativo no exterior e a oscilação do dólar frente ao real, o mercado físico brasileiro tende a permanecer com negociações limitadas. Produtores e compradores seguem cautelosos diante da volatilidade observada nas bolsas e no câmbio.
Na segunda-feira, os preços registraram movimento de estabilidade a leve alta, sustentados pelo desempenho positivo do arábica em Nova York no início da semana. Ainda assim, a volatilidade cambial contribuiu para manter o volume de negócios reduzido.
Levantamentos de mercado indicam os seguintes níveis de preços nas principais regiões produtoras do país:
Além dos fundamentos de oferta e demanda, fatores geopolíticos também têm impactado o comportamento das commodities agrícolas.
Tensões no Oriente Médio e possíveis interrupções em rotas estratégicas do transporte marítimo elevaram os custos logísticos globais, incluindo fretes, combustíveis e seguros. Esse cenário afeta diretamente o comércio internacional de commodities, como o café.
Outro fator observado pelos analistas é o comportamento do dólar no mercado internacional. A valorização da moeda norte-americana tende a limitar movimentos mais fortes de alta nas commodities, já que produtos cotados em dólar ficam mais caros para importadores.
Do lado da oferta, o mercado continua atento às estimativas de produção no Brasil, maior produtor e exportador mundial de café.
De acordo com o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira de café em 2026 poderá atingir cerca de 66,2 milhões de sacas.
Se confirmado, o volume representará um crescimento aproximado de 17% em relação ao ciclo anterior, impulsionado principalmente por:
Apesar das perspectivas de aumento na produção, especialistas ressaltam que o equilíbrio do mercado global ainda dependerá das condições climáticas ao longo do desenvolvimento das lavouras e da eficiência logística para exportação.
No mercado cambial, o dólar comercial apresenta leve valorização, sendo negociado próximo de R$ 5,17, enquanto o Dollar Index registra recuo no mercado internacional.
O comportamento do câmbio segue sendo um dos principais fatores para o café brasileiro, já que influencia diretamente a competitividade das exportações e a formação de preços internos.
Nesse contexto, o Banco Central do Brasil mantém monitoramento constante da dinâmica cambial e das condições financeiras globais, fatores que podem impactar o fluxo de capitais e o desempenho das commodities exportadas pelo país.
Os mercados financeiros globais operam com viés positivo nesta sessão.
Na Europa, os principais índices apresentam alta:
Na Ásia, as bolsas também encerraram o dia em terreno positivo:
No setor de energia, o petróleo também registra valorização. O contrato WTI para abril negociado em Nova York opera próximo de US$ 86,13 por barril, com alta superior a 6%.
Diante do cenário de ajustes nas bolsas, oscilações do câmbio e expectativas em torno da próxima safra brasileira, o mercado de café deve continuar marcado por volatilidade no curto prazo.
Especialistas destacam que produtores e exportadores precisam acompanhar atentamente o comportamento das bolsas internacionais, o câmbio e as condições climáticas nas lavouras, fatores que podem abrir oportunidades de comercialização ao longo das próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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