Publicado em: 30/04/2026 às 19:40hs
O mercado de café encerrou abril com queda nos preços no Brasil, pressionado pelo avanço da colheita e pela expectativa de uma safra robusta. Apesar da volatilidade nas bolsas internacionais, o mercado físico doméstico apresentou descolamento negativo, refletindo maior oferta e postura cautelosa dos compradores.
No cenário internacional, o café registrou forte oscilação ao longo do mês, especialmente na Bolsa de Nova York, referência para o arábica. As incertezas geopolíticas envolvendo tensões entre Estados Unidos e Irã, somadas à alta do petróleo e às variações do dólar, aumentaram a aversão ao risco e influenciaram diretamente o comportamento dos investidores.
Além disso, decisões recentes de política monetária — com manutenção de juros nos Estados Unidos e corte da Selic no Brasil — também contribuíram para a instabilidade, sustentando movimentos de curto prazo nas cotações.
Apesar das oscilações externas, os fundamentos do mercado seguem mais baixistas. A expectativa de uma safra recorde no Brasil tem limitado tentativas de alta e reforçado a tendência de pressão sobre os preços no médio e longo prazo.
O comportamento recente das cotações em Nova York reflete esse cenário: forte queda observada anteriormente, seguida por recuperações pontuais e de baixa intensidade, típicas de um mercado em acomodação.
No Brasil, o avanço da colheita começa a ampliar a disponibilidade de café novo no mercado. Produtores intensificam a oferta, inclusive com envio de amostras, ao mesmo tempo em que buscam liberar espaço para a entrada da nova safra.
Esse movimento tem gerado um descolamento negativo em relação às referências internacionais e ao câmbio, tornando o mercado físico mais enfraquecido.
A pressão adicional vem da postura dos compradores. Indústrias e exportadores seguem com aquisições pontuais, focadas apenas em necessidades imediatas, reduzindo a liquidez e limitando reações de preços.
No balanço de abril:
No mercado interno:
O mercado entra agora em um período típico de transição, com concorrência entre o café remanescente da safra anterior e o produto recém-colhido. Esse cenário exige maior atenção dos produtores, especialmente em relação ao fluxo de caixa durante a colheita.
A orientação é equilibrar a comercialização, adotando estratégias de proteção no curto prazo, mas mantendo flexibilidade para aproveitar possíveis mudanças de mercado — sobretudo diante das incertezas climáticas e geopolíticas que ainda influenciam o setor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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