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Café recua com avanço da safra brasileira, mas bolsas internacionais ensaiam recuperação nesta terça-feira

Mercado acompanha colheita do café 2026/27, estoques globais e riscos climáticos enquanto produtores mantêm postura cautelosa nas negociações


Publicado em: 02/06/2026 às 11:10hs

Café recua com avanço da safra brasileira, mas bolsas internacionais ensaiam recuperação nesta terça-feira

O mercado de café iniciou esta terça-feira (2) com recuperação moderada nas bolsas internacionais, após as fortes quedas registradas na sessão anterior. Apesar da alta nos contratos futuros de arábica e robusta, o avanço da colheita da safra brasileira 2026/27 continua sendo o principal fator de pressão sobre os preços, mantendo os agentes do setor atentos à evolução da oferta nos próximos meses.

No mercado físico brasileiro, a expectativa é de um dia marcado por negociações pontuais. Com a Bolsa de Nova York operando em alta e o dólar recuando frente ao real, produtores seguem comercializando volumes limitados, priorizando vendas de acordo com necessidades imediatas de caixa.

Mercado físico registra retração nas cotações

A segunda-feira (1º) foi marcada por baixa liquidez e queda nos preços internos. O recuo das cotações do arábica em Nova York e do robusta em Londres pressionou os negócios, reduzindo o interesse dos vendedores diante da perspectiva de novas desvalorizações.

No Sul de Minas Gerais, principal região produtora do país, o café arábica bebida boa com 15% de catação foi negociado entre R$ 1.640 e R$ 1.650 por saca, abaixo dos R$ 1.680 a R$ 1.690 registrados no fechamento anterior.

No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura ficou entre R$ 1.660 e R$ 1.670 por saca, também abaixo dos R$ 1.700 a R$ 1.710 observados na última semana.

Já na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica tipo rio apresentou preços entre R$ 1.170 e R$ 1.180 por saca.

No Espírito Santo, o café conilon tipo 7 foi negociado entre R$ 930 e R$ 935 por saca em Vitória, enquanto o tipo 7/8 variou entre R$ 920 e R$ 925 por saca.

Bolsas internacionais tentam recuperação

Após atingir os menores níveis em quase 11 meses durante a sessão anterior, o mercado futuro do café apresentou reação técnica nesta terça-feira.

Por volta das 9h10 (horário de Brasília), o contrato julho/2026 do café arábica na Bolsa de Nova York avançava para 261,85 centavos de dólar por libra-peso, recuperação após o fechamento da segunda-feira a 260,60 centavos, quando acumulou perda de 1,9%.

  • Os vencimentos mais longos também operavam em alta:
  • Setembro/2026: 255,40 centavos de dólar por libra-peso;
  • Dezembro/2026: 247,75 centavos de dólar por libra-peso.

No mercado do robusta, negociado em Londres, os ganhos também predominavam:

  • Julho/2026: US$ 3.476 por tonelada;
  • Setembro/2026: US$ 3.353 por tonelada;
  • Novembro/2026: US$ 3.278 por tonelada.

Apesar da recuperação, analistas destacam que o cenário fundamental continua pressionado pela expectativa de uma grande safra brasileira.

Produção recorde mantém pressão sobre os preços

A entrada da nova safra brasileira segue ampliando a disponibilidade de café no mercado global. A colheita do conilon avança nas principais regiões produtoras, enquanto os trabalhos de campo com o arábica ganham ritmo gradualmente.

As estimativas para a produção brasileira permanecem elevadas e parte do mercado trabalha com números superiores a 70 milhões de sacas para o ciclo 2026/27, reforçando a perspectiva de aumento da oferta mundial.

Esse cenário foi determinante para que os contratos futuros do arábica em Nova York atingissem, na segunda-feira, os menores patamares desde julho de 2025.

Estoques certificados recuam

Em contrapartida, um fator de sustentação para os preços continua vindo dos estoques certificados da Bolsa de Nova York.

Os estoques monitorados pela ICE Futures somavam 434.930 sacas de 60 quilos em 1º de junho, redução de 500 sacas em relação ao dia anterior.

A diminuição dos estoques disponíveis para entrega ajuda a limitar quedas mais acentuadas e oferece suporte técnico às cotações internacionais.

Clima segue no radar do mercado

Além da evolução da safra, as condições climáticas permanecem entre os principais pontos de atenção dos investidores.

O mercado monitora a possibilidade de formação de um novo evento climático associado ao El Niño nos próximos meses, bem como os riscos de geadas durante o inverno brasileiro.

Também ganharam destaque relatos preliminares de granizo em áreas produtoras do Sul de Minas Gerais, especialmente na região de Boa Esperança. Embora os impactos nacionais ainda sejam considerados limitados, produtores locais avaliam possíveis danos em lavouras atingidas.

Dólar mais fraco favorece mercado doméstico

No câmbio, o dólar comercial operava em queda de 0,35%, cotado a R$ 5,0031, enquanto o Dollar Index recuava para 99,081 pontos.

A valorização do real tende a reduzir a competitividade das exportações brasileiras, mas também influencia a formação dos preços internos e as decisões de comercialização dos produtores.

Cenário segue dividido entre oferta e clima

O início de junho reforça o equilíbrio delicado que domina o mercado cafeeiro global. De um lado, a entrada da nova safra brasileira aumenta a oferta disponível e mantém pressão sobre os preços. De outro, a redução dos estoques certificados e as incertezas climáticas continuam limitando movimentos mais agressivos de queda.

Enquanto a colheita avança nas principais regiões produtoras do Brasil, o mercado seguirá acompanhando atentamente os números de produção, a qualidade dos grãos colhidos e as condições climáticas que poderão influenciar a formação dos preços ao longo do segundo semestre.

Fonte: Portal do Agronegócio

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