Publicado em: 08/05/2026 às 11:00hs
O mercado do café iniciou esta sexta-feira (8) tentando recuperar parte das perdas registradas na sessão anterior nas bolsas internacionais. Após um pregão marcado por forte desvalorização em Nova York, os contratos futuros do arábica e do robusta operam em alta técnica, enquanto operadores seguem atentos ao avanço da safra brasileira, às condições climáticas nas regiões produtoras e às tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Na ICE Futures US, em Nova York, o café arábica abriu o dia em recuperação. Por volta das 9h (horário de Brasília), o contrato maio/26 era negociado a 291,05 cents/lbp, enquanto o julho/26 subia para 277,50 cents/lbp. O setembro/26 avançava para 269,45 cents/lbp e o dezembro/26 era cotado a 262,90 cents/lbp.
Em Londres, o café robusta também registrava valorização. O contrato maio/26 era negociado a US$ 3.662 por tonelada, enquanto julho/26 avançava para US$ 3.452. Já o setembro/26 trabalhava a US$ 3.331 por tonelada e o novembro/26 operava em US$ 3.245.
A recuperação ocorre após a forte liquidação observada na quinta-feira (7), quando o mercado do arábica encerrou o pregão com perdas expressivas. Os contratos com entrega em julho/26 fecharam cotados a 273,25 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 10,60 centavos, equivalente a queda de 3,7%. O setembro/26 terminou a sessão em 265,15 centavos, baixa de 4%.
O principal fator baixista continua sendo a chegada da nova safra brasileira. A expectativa de uma produção elevada e o avanço da colheita aumentam a percepção de maior oferta global nas próximas semanas, pressionando as cotações internacionais.
Além disso, as condições climáticas seguem favorecendo os trabalhos no campo em boa parte das regiões produtoras. O mercado acompanha especialmente o ritmo da colheita de café robusta e o desenvolvimento das lavouras de arábica.
Apesar da recuperação técnica desta sexta-feira, analistas avaliam que o mercado permanece sensível ao aumento da disponibilidade do produto no Brasil, principal produtor e exportador mundial de café.
As previsões meteorológicas continuam sendo monitoradas de perto pelos operadores. A atuação de uma frente fria associada a um ciclone extratropical deve provocar chuvas em áreas produtoras de São Paulo, sul de Minas Gerais, Espírito Santo e sul da Bahia nos próximos dias.
Segundo informações climáticas, também há expectativa de queda nas temperaturas devido à entrada de uma massa de ar polar. Neste momento, porém, não há indicativos de frio extremo ou risco de geadas para o cinturão cafeeiro brasileiro.
As menores temperaturas devem ocorrer no sul de Minas Gerais, com mínimas ligeiramente abaixo dos 10°C, cenário que ainda não representa ameaça significativa às lavouras.
No mercado físico brasileiro, o ritmo dos negócios continua lento. De acordo com informações do Escritório Carvalhaes, compradores reduziram suas ofertas nos últimos dias, resultando em baixo volume de negociações.
Mesmo com a cautela nas negociações, ainda existe demanda para todos os padrões de café. Produtores, no entanto, seguem retraídos diante da volatilidade das bolsas e das incertezas relacionadas aos preços futuros.
O mercado também segue influenciado pelo cenário externo. Na quinta-feira, as cotações do café acompanharam o movimento de queda do petróleo e de outras commodities diante das expectativas de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Entretanto, a tensão voltou a ganhar força após o endurecimento do discurso iraniano envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. O episódio elevou novamente a cautela nos mercados internacionais.
Além do cenário geopolítico, o comportamento do dólar frente ao real e a movimentação dos fundos de investimento continuam ampliando a volatilidade das cotações do café neste início de maio.
Fonte: Portal do Agronegócio
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