Publicado em: 20/01/2026 às 18:40hs
O relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, destacou que os preços internacionais do café — tanto arábica quanto robusta — permaneceram relativamente estáveis nas últimas semanas, mesmo diante de forte volatilidade e condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras.
De acordo com o levantamento, o contrato do café arábica na Bolsa de Nova York (vencimento em março/26) variou entre US$ 3,40/lp e US$ 3,76/lp, encerrando o dia 14 de janeiro em US$ 3,56/lp, praticamente o mesmo valor observado há 30 dias.
No mercado londrino, o robusta também apresentou estabilidade, sendo negociado próximo a US$ 3.950/t. No Brasil, os preços ao produtor seguiram em torno de R$ 2.200/sc para o arábica e R$ 1.300/sc para o conilon.
O Sul de Minas, principal polo produtor do país, registrou chuvas 40% abaixo da média histórica em dezembro, com apenas 168 mm em Varginha. Até 14 de janeiro, o volume acumulado era de 35 mm, indicando baixa recuperação hídrica.
Na Zona da Mata, a situação é semelhante, enquanto o Cerrado Mineiro teve volumes próximos do normal, mas concentrados na primeira quinzena do mês. Além da escassez de chuvas, o calor excessivo tem elevado as preocupações sobre o desenvolvimento das lavouras.
Segundo o Itaú BBA, o cenário atual é resultado de um equilíbrio entre forças altistas e baixistas.
Entre os fatores de alta, destacam-se o risco climático no Brasil, enchentes na Indonésia e os baixos estoques globais. Por outro lado, chuvas pontuais e projeções de maior oferta na Ásia atuaram como elementos de contenção nos preços.
Além das condições climáticas, o contexto geopolítico internacional também adiciona volatilidade ao mercado. O relatório cita tensões entre EUA e Colômbia, após ações na Venezuela, e o impacto da suspensão temporária de vistos para o Brasil, medida que gerou especulações sobre possíveis efeitos comerciais.
Os fundos especulativos ampliaram sua posição líquida comprada desde o início de janeiro, atingindo cerca de 34 mil contratos em 6 de janeiro — aumento de 14 mil contratos em relação à mínima registrada em julho.
Mesmo com expectativa de safra brasileira maior em 2026, o Itaú BBA avalia que o mercado continuará apertado nos próximos meses, o que deve limitar quedas mais expressivas nos preços internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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