Café hoje: preços recuam com pressão das bolsas, dólar em queda e preocupação com qualidade da safra
Mercado de café inicia a semana em baixa; avanço da colheita, excesso de chuvas e desvalorização do dólar influenciam os preços no Brasil e no exterior
Publicado em: 29/06/2026 às 11:10hs
O mercado brasileiro de café começou a semana sob pressão, refletindo a combinação de recuo nas bolsas internacionais, desvalorização do dólar frente ao real e o avanço da colheita nas principais regiões produtoras. Apesar da melhora do tempo em parte das áreas cafeeiras, o excesso de chuvas registrado durante junho continua gerando preocupação quanto à qualidade da safra, fator que mantém produtores cautelosos e reduz o ritmo das negociações.
No mercado físico, a tendência é de preços mais fracos no curto prazo. Com os contratos futuros operando em baixa na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e o câmbio desfavorável para as exportações, muitos cafeicultores optam por adiar novas vendas à espera de um cenário mais favorável.
Mercado físico registra queda nas principais regiões produtoras
Na última sexta-feira, o mercado doméstico apresentou cotações entre estáveis e mais baixas, acompanhando as perdas registradas nas bolsas internacionais.
No Sul de Minas, o café arábica bebida boa, com 15% de catação e safra remanescente, foi negociado entre R$ 1.650,00 e R$ 1.655,00 por saca, abaixo dos R$ 1.670,00 a R$ 1.675,00 registrados anteriormente. Para a safra nova, os preços variaram entre R$ 1.540,00 e R$ 1.560,00.
No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura da safra 2025 foi comercializado entre R$ 1.660,00 e R$ 1.680,00 por saca, também em queda frente ao fechamento anterior. Já a safra nova ficou entre R$ 1.550,00 e R$ 1.580,00.
Na Zona da Mata de Minas Gerais, o café arábica tipo rio registrou valores entre R$ 1.230,00 e R$ 1.240,00 por saca para a safra remanescente. O café duro da nova safra variou de R$ 1.500,00 a R$ 1.520,00, enquanto o café rio novo foi negociado entre R$ 1.190,00 e R$ 1.200,00.
No Espírito Santo, o mercado de conilon apresentou estabilidade. O tipo 7 foi negociado entre R$ 1.050,00 e R$ 1.055,00 por saca, enquanto o tipo 7/8 permaneceu entre R$ 1.040,00 e R$ 1.045,00.
Chuvas seguem no radar e aumentam preocupação com a qualidade
Embora o retorno do tempo seco tenha permitido a retomada da colheita em diversas regiões, o excesso de precipitações ocorrido ao longo de junho ainda preocupa o setor cafeeiro.
Segundo levantamento do projeto "Choveu Demais", do Cafezal Sul de Minas, as chuvas frequentes interromperam diversas vezes os trabalhos no campo, elevaram a umidade dos grãos e dificultaram a secagem nos terreiros. O cenário aumenta o risco de fermentação indesejada, podendo comprometer a qualidade do café e reduzir o valor dos lotes comercializados.
Além disso, muitos produtores registraram aumento dos custos operacionais em razão das sucessivas paralisações da colheita.
Com uma safra considerada volumosa, o mercado passa a concentrar atenção não apenas na oferta, mas principalmente na qualidade do produto disponível. Cafés com melhor padrão tendem a conquistar prêmios, enquanto lotes afetados pela umidade podem sofrer descontos.
Bolsas internacionais operam em baixa
Os contratos futuros do café abriram a semana em queda nas bolsas internacionais.
Na ICE Futures US, o contrato com vencimento em setembro registrava recuo, refletindo a realização de lucros e o avanço da colheita brasileira. Também operavam em baixa os vencimentos de julho e dezembro.
Na ICE Futures Europe, os contratos do café robusta acompanharam o movimento negativo, diante da expectativa de maior disponibilidade da nova safra brasileira e do comportamento mais cauteloso dos investidores.
Fundos ampliam posição comprada no café
Os dados mais recentes da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), referentes à semana encerrada em 23 de junho, mostram aumento significativo do otimismo entre os grandes investidores.
Os fundos e grandes especuladores elevaram sua posição líquida comprada para 15.053 contratos, ante 9.206 contratos na semana anterior, indicando maior exposição ao mercado de café.
Já as empresas comerciais, como exportadores, indústrias e tradings, permanecem com posição líquida vendida de 13.998 contratos, enquanto os pequenos investidores apresentam posição praticamente neutra.
O número de contratos em aberto na ICE Futures US caiu para 186.617 lotes, redução de mais de 6 mil contratos na comparação semanal.
Dólar mais fraco reduz competitividade das exportações
Outro fator que limita os preços internos é a desvalorização do dólar frente ao real. A moeda norte-americana opera em queda, reduzindo a atratividade das vendas externas e pressionando as cotações domésticas.
Ao mesmo tempo, investidores acompanham o comportamento dos mercados globais, além das perspectivas para o clima no Brasil durante o segundo semestre. A evolução das condições meteorológicas continuará sendo determinante para a formação dos preços nas próximas semanas, especialmente diante das incertezas sobre a qualidade da safra e os possíveis impactos climáticos sobre a produção.
Fonte: Portal do Agronegócio
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