Café hoje: preços recuam após disparada histórica em Nova York; melhora do clima, avanço da colheita e dólar pressionam mercado
Após registrar uma das maiores altas do ano, mercado do café devolve parte dos ganhos nesta sexta-feira (10). Clima mais favorável, avanço da colheita brasileira, queda do dólar e realização de lucros reduzem as cotações nas bolsas internacionais, enquanto produtores limitam as vendas no mercado físico
Publicado em: 10/07/2026 às 11:10hs
O mercado de café encerra a semana em um cenário de forte volatilidade, refletindo a rápida mudança de percepção dos investidores sobre a safra brasileira. Depois de uma expressiva valorização registrada na quinta-feira (9), os contratos futuros do arábica e do robusta operam em forte queda nesta sexta-feira (10), pressionados pela melhora das condições climáticas no Brasil, pelo avanço da colheita e pela realização de lucros nas bolsas internacionais.
No mercado doméstico, a combinação entre a retração das cotações em Nova York (ICE Futures US) e a desvalorização do dólar frente ao real reduz o interesse dos produtores em negociar, mantendo a oferta limitada e os negócios em ritmo lento.
Bolsa de Nova York devolve parte da forte alta da véspera
O contrato setembro/2026 do café arábica na ICE Futures US recuava cerca de 7,4%, sendo negociado próximo de 322,15 centavos de dólar por libra-peso, após ter encerrado o pregão anterior em 347,90 cents/lbp, com valorização de 12,3%, uma das maiores altas recentes do mercado.
O vencimento dezembro/2026 também registrava perdas, refletindo um movimento de realização de lucros após a forte escalada dos preços.
Na ICE Europe, o café robusta acompanhava o movimento negativo. O contrato setembro/2026 era negociado ao redor de US$ 3.799 por tonelada, enquanto o novembro/2026 também operava em queda.
Clima mais favorável reduz prêmio de risco
A principal razão para a correção das cotações é a atualização das previsões meteorológicas para as regiões cafeeiras brasileiras.
Nos últimos dias, o mercado incorporou um prêmio climático devido ao temor de geadas durante o inverno. Entretanto, os modelos meteorológicos mais recentes indicam redução desse risco, diminuindo as preocupações com possíveis perdas produtivas.
Ao mesmo tempo, a colheita da safra brasileira segue avançando, aumentando a expectativa de maior disponibilidade de café nas próximas semanas, fator que também contribui para pressionar os preços.
Apesar da queda desta sexta-feira, operadores continuam atentos às condições climáticas durante o restante do inverno, especialmente diante da possibilidade de novas ondas de frio que possam alterar novamente o cenário.
Forte alta da quinta-feira foi impulsionada por preocupações com a colheita
O movimento baixista ocorre logo após uma sessão de intensa valorização.
Na quinta-feira, os preços dispararam em Nova York diante das preocupações com o ritmo da colheita brasileira, prejudicada por episódios de chuva em importantes regiões produtoras.
Além dos fatores climáticos, o mercado também foi influenciado pelo vencimento de opções, ajustes técnicos nas posições dos fundos de investimento e pela volatilidade provocada pelas oscilações do dólar e das bolsas globais.
Analistas destacam que parte da movimentação teve caráter especulativo, embora o mercado continue monitorando eventuais impactos sobre a qualidade dos grãos.
Mesmo assim, permanecem as expectativas de uma safra brasileira de grande volume em 2026, fator que limita movimentos sustentados de alta.
Mercado físico registra menor liquidez
Com a queda simultânea do dólar e das bolsas internacionais, os produtores brasileiros reduziram o ritmo de comercialização nesta sexta-feira.
Após aproveitarem a valorização expressiva observada na quinta-feira, muitos vendedores passaram a aguardar melhores oportunidades antes de fechar novos negócios.
Na sessão anterior, o mercado físico havia registrado forte recuperação dos preços.
Entre as principais referências:
- Sul de Minas (arábica bebida boa, safra nova): R$ 1.890 a R$ 1.895 por saca;
- Cerrado Mineiro (arábica bebida dura): R$ 1.910 a R$ 1.915 por saca;
- Zona da Mata (arábica tipo Rio): R$ 1.380 a R$ 1.390 por saca;
- Vitória (ES) – Conilon tipo 7: R$ 1.120 a R$ 1.130 por saca;
- Conilon tipo 7/8: R$ 1.110 a R$ 1.120 por saca.
O volume negociado permaneceu moderado, refletindo a estratégia dos produtores de dosar a oferta diante da elevada volatilidade.
Estoques certificados continuam caindo
Outro fator monitorado pelo mercado é o comportamento dos estoques certificados da ICE.
Na posição de 9 de julho de 2026, os estoques certificados somavam 346.419 sacas de 60 quilos, redução diária de 7.842 sacas.
Embora a queda dos estoques continue oferecendo suporte estrutural aos preços, o mercado, neste momento, concentra sua atenção principalmente sobre o clima brasileiro e o ritmo da colheita.
Dólar mais fraco também pressiona o café
O mercado cambial também contribui para a pressão sobre as cotações domésticas.
O dólar comercial operava em torno de R$ 5,11, em queda frente ao real. A valorização da moeda brasileira reduz a competitividade das exportações e diminui a remuneração dos produtores, colaborando para um mercado físico mais lento.
Cenário internacional permanece cauteloso
Nos mercados globais, os investidores seguem acompanhando os desdobramentos da economia mundial.
As bolsas asiáticas encerraram o dia sem direção única, enquanto os mercados europeus operavam próximos da estabilidade. O petróleo também registrava leve recuo, refletindo um ambiente financeiro mais cauteloso.
Perspectivas para o mercado do café
Apesar da forte correção desta sexta-feira, especialistas avaliam que a volatilidade deverá permanecer elevada nas próximas semanas.
O comportamento do clima durante o inverno brasileiro continuará sendo o principal fator de formação dos preços, ao lado do avanço da colheita, da qualidade dos grãos, da evolução da oferta global, da atuação dos fundos de investimento e das oscilações do dólar.
Enquanto esses fatores permanecerem em constante mudança, o mercado do café deverá continuar registrando movimentos intensos tanto nas bolsas internacionais quanto no mercado físico brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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