Publicado em: 07/07/2026 às 11:30hs
O mercado brasileiro de café inicia esta terça-feira com expectativa de preços mais baixos no mercado físico, refletindo a forte realização de lucros na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) após a expressiva alta registrada na sessão anterior. Ao mesmo tempo, a leve valorização do dólar frente ao real contribui para um ambiente de maior cautela entre produtores e compradores.
Depois de um avanço histórico superior a 16% na segunda-feira, as cotações internacionais do café arábica passam por uma correção técnica, enquanto os agentes do mercado aguardam a consolidação dos preços antes de ampliar os volumes negociados.
Os contratos futuros do café arábica negociados na ICE Futures US operam em queda nesta terça-feira.
O contrato com vencimento em setembro de 2026 recua 4,35%, sendo negociado a 334,70 centavos de dólar por libra-peso, devolvendo parte da forte valorização observada na sessão anterior.
Na segunda-feira, o mesmo contrato encerrou cotado a 349,95 centavos de dólar por libra-peso, acumulando alta de 48,75 centavos, equivalente a 16,2%, enquanto o vencimento dezembro/2026 avançou 17,1%, fechando a 335,40 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo o analista Gil Barabach, da Safras & Mercado, o forte movimento de alta foi impulsionado por uma combinação de fatores climáticos e financeiros.
Entre os principais motivos estão:
Esse conjunto de fatores acelerou as compras especulativas e levou o mercado aos maiores níveis em aproximadamente nove meses.
Apesar da expressiva valorização registrada na segunda-feira, o mercado físico brasileiro teve volume limitado de negócios.
De acordo com Safras & Mercado, os compradores não conseguiram repassar integralmente o aumento observado nas bolsas internacionais, enquanto os produtores optaram por reter parte da oferta aguardando preços mais consistentes.
O segmento de café conilon apresentou movimentação um pouco melhor, embora também tenha registrado negociações pontuais.
A expectativa para esta terça-feira é de menor liquidez, já que tanto vendedores quanto compradores aguardam uma definição mais clara da tendência internacional.
Na segunda-feira, as principais praças produtoras registraram forte valorização:
Sul de Minas Gerais: café arábica bebida boa (15% de catação) passou para R$ 1.850,00 a R$ 1.855,00 por saca, ante R$ 1.720,00/R$ 1.725,00 anteriormente.
Cerrado Mineiro: arábica bebida dura foi negociado entre R$ 1.860,00 e R$ 1.865,00, contra R$ 1.730,00/R$ 1.735,00 no fechamento anterior.
Zona da Mata (MG): café arábica tipo Rio 7 avançou para R$ 1.360,00 a R$ 1.365,00, frente aos R$ 1.290,00/R$ 1.295,00.
Vitória (ES): o conilon tipo 7 safra 2026 subiu para R$ 1.110,00 a R$ 1.115,00, enquanto o tipo 7/8 alcançou R$ 1.100,00 a R$ 1.105,00 por saca.
Os dados mais recentes da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), referentes à semana encerrada em 30 de junho, mostram aumento da confiança dos investidores no mercado do café.
Os grandes fundos e especuladores elevaram sua posição líquida comprada de 15.053 para 20.531 contratos, indicando maior aposta na continuidade da valorização das cotações.
Já as empresas comerciais — como indústrias, exportadores e tradings — mantinham posição líquida vendida de 20.776 contratos, estratégia tradicional de proteção das operações físicas.
Os pequenos investidores apresentavam posição líquida comprada de 245 contratos.
O número total de contratos em aberto na ICE Futures US somava 183.728 lotes, redução semanal de 2.889 contratos.
Além das oscilações nas bolsas internacionais, o mercado acompanha o comportamento do câmbio.
O dólar comercial opera em leve alta de 0,19%, cotado a R$ 5,1426, enquanto o Dollar Index avança 0,07%, aos 100,925 pontos.
No cenário internacional, as bolsas asiáticas encerraram o dia em queda, com destaque para Japão (-2,12%) e China (-1,26%). Na Europa, os principais índices operam sem direção única, enquanto o petróleo WTI sobe 0,71%, negociado próximo de US$ 69,04 por barril.
A tendência para os próximos dias é de elevada volatilidade nas cotações internacionais.
Os investidores permanecem atentos às condições climáticas nas principais regiões produtoras do Brasil, ao andamento da colheita, ao comportamento dos fundos de investimento e à evolução do dólar, fatores que deverão continuar determinando a formação dos preços tanto na Bolsa de Nova York quanto no mercado físico brasileiro.
Enquanto persistirem as incertezas sobre a qualidade da safra e a disponibilidade de oferta, o mercado tende a permanecer sensível a novas oscilações, mantendo produtores e compradores em posição de cautela.
Fonte: Portal do Agronegócio
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