Publicado em: 04/03/2026 às 11:40hs
O mercado internacional de café segue em um momento de tensão entre oferta crescente e fatores macroeconômicos que influenciam as cotações, como câmbio, petróleo e geopolítica. No Brasil, a perspectiva de uma safra recorde de arábica para 2026/27 e os preços médios de fevereiro em níveis mais baixos desde meados de 2025 pressionam o mercado físico, enquanto os contratos futuros apresentam oscilações nas bolsas de Nova York e Londres.
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/ESALQ), o preço médio do café arábica tipo 6, bebida dura, registrado em fevereiro ficou próximo do menor nível desde julho de 2025, em termos reais, pressionado pelas projeções de uma colheita recorde no Brasil na safra 2026/27 — o que não ocorre desde 2021.
O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica fechou o mês com média em torno de R$ 1.853 por saca de 60 kg, refletindo uma queda mensal significativa. Apesar da desvalorização recente, o valor ainda figura entre os mais elevados para um mês de fevereiro em termos históricos da série do Cepea, que começou em 1996.
No mercado futuro, os contratos de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE) exibem movimentos mistos entre os principais vencimentos, segundo cotações mais recentes: alguns contratos próximos registram leve alta, enquanto outros recuam, refletindo ajustes técnicos e influência de fatores externos.
Em Londres, os futuros de café robusta também apresentam variações, com alguns vencimentos em alta e outros em baixa, em meio à sensibilidade dos investidores a questões logísticas e custos de transporte.
Os preços internacionais do café estão sendo influenciados por uma combinação de fatores macroeconômicos:
A instabilidade no Oriente Médio e o aumento dos preços do petróleo pressionam os custos de frete marítimo e seguros de transporte, impactando os fluxos de exportação de commodities agrícolas, incluindo o café.
O fortalecimento do real frente ao dólar pode reduzir a competitividade do café brasileiro no mercado externo, limitando o potencial de valorização das cotações locais mesmo com oferta relativamente ajustada.
No campo, as condições climáticas seguem no radar dos operadores. Embora partes das áreas produtoras estejam recebendo chuva que ajuda a reposição de umidade, a qualidade e distribuição de precipitação continuam sendo fatores de risco para estimativas de produção e, consequentemente, para os preços.
No mercado físico, conforme relatado por operadores, os volumes de negócios com café arábica permanecem baixos, com produtores relutantes em vender a produção remanescente da safra 2025/26 diante dos atuais níveis de preços. Ainda assim, há demanda compradora presente para diferentes padrões de café.
Por outro lado, o conilon (robusta) apresenta maior fluidez de negócios, indicando mais atividade no segmento apesar da pressão nos preços gerais.
Analistas destacam que, mesmo com as projeções de safra abundante no Brasil, outros elementos — como custos de transporte, câmbio flutuante e pressões geopolíticas — continuam a moldar a trajetória dos preços no curto e médio prazo. A volatilidade nas bolsas internacionais e as reações dos mercados futuros refletem a incerteza dos investidores diante desses movimentos combinados.
Fonte: Portal do Agronegócio
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