Café brasileiro escapa do tarifaço dos EUA: governo americano isenta café verde, torrado e solúvel de sobretaxa de 25%
Decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos preserva exportações brasileiras de até US$ 2,5 bilhões por ano. Entidades do setor comemoram a vitória, mas mantêm atenção a uma nova investigação comercial em andamento
Publicado em: 16/07/2026 às 18:20hs
O café brasileiro conquistou uma importante vitória no mercado internacional. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou a exclusão de todos os cafés produzidos no Brasil da lista de produtos que serão submetidos à tarifa adicional de 25% nas importações norte-americanas.
A medida beneficia tanto o café verde quanto os produtos industrializados, incluindo café torrado, café solúvel e seus derivados, preservando um dos principais fluxos comerciais do agronegócio brasileiro com o maior consumidor de café do mundo.
O anúncio foi comemorado pelas principais entidades do setor cafeeiro, que destacaram o intenso trabalho diplomático e institucional realizado ao longo dos últimos meses para evitar impactos às exportações brasileiras.
Trabalho conjunto garantiu a exclusão do café brasileiro
Em nota conjunta, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) afirmaram que a decisão representa um resultado direto da atuação coordenada junto ao governo norte-americano.
As entidades participaram das audiências públicas promovidas pelo USTR nos dias 6 e 7 de julho, além de manterem interlocução constante desde o primeiro anúncio das medidas comerciais, em 2025.
O trabalho contou ainda com o apoio da National Coffee Association (NCA) e de importadores norte-americanos, que defenderam a manutenção do fluxo comercial entre os dois países.
Café solúvel também foi incluído entre as exceções
Segundo as entidades, a decisão trouxe dois avanços importantes para o setor:
- manutenção da isenção dos cafés que já estavam contemplados na lista preliminar de exceções da investigação conduzida pelo USTR;
- ampliação da lista de produtos isentos, incluindo o café solúvel não aromatizado, que inicialmente poderia ser atingido pela nova tarifa.
Com isso, ficam excluídos da sobretaxa de 25%:
- café verde;
- café torrado;
- café solúvel;
- produtos industrializados derivados do café brasileiro.
Exportações de até US$ 2,5 bilhões são preservadas
Para Abic, Abics e Cecafé, a decisão protege um mercado estratégico para o agronegócio brasileiro.
Os Estados Unidos são o maior consumidor e importador mundial de café e representam um dos principais destinos das exportações brasileiras do produto.
Segundo as entidades, as vendas brasileiras para o mercado norte-americano movimentam entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano, consolidando o Brasil como fornecedor indispensável para a cadeia global de abastecimento.
Além do impacto econômico, a decisão reforça o reconhecimento da competitividade, da qualidade e da confiabilidade do café brasileiro no comércio internacional.
Nova investigação ainda preocupa o setor
Apesar da comemoração, as entidades alertam que o tema ainda não está totalmente encerrado.
Paralelamente à decisão anunciada pelo USTR, permanece em andamento uma segunda investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Esse processo poderá resultar na aplicação de uma nova tarifa sobre produtos brasileiros, com alíquota estimada em 12,5%, incluindo novamente o café entre os itens avaliados.
Diante desse cenário, o setor continuará acompanhando as negociações e mantendo diálogo permanente com autoridades brasileiras e norte-americanas.
Entidades reforçam compromisso com a competitividade do café brasileiro
Abic, Abics e Cecafé afirmam que seguirão atuando de forma conjunta na defesa dos interesses da cadeia produtiva do café.
O objetivo é preservar a competitividade internacional do produto brasileiro, ampliar mercados e garantir segurança jurídica para exportadores, indústria, cooperativas e produtores rurais.
As entidades destacam que o reconhecimento do café brasileiro como fornecedor estratégico para os Estados Unidos fortalece ainda mais a posição do país como maior produtor e exportador mundial da commodity, mantendo uma relação comercial considerada essencial para ambos os mercados.
Com a exclusão do café do tarifaço de 25%, o setor ganha fôlego para manter sua competitividade internacional, embora continue monitorando os próximos desdobramentos das investigações comerciais conduzidas pelo governo norte-americano.
Fonte: Portal do Agronegócio
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