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Café avança na colheita, mas atraso preocupa setor; mercado segue volátil com foco no clima, El Niño e preços internacionais

Colheita de café no Brasil acelera em julho, porém continua abaixo da média histórica; mercado acompanha impacto do El Niño, oferta restrita e oscilações nas bolsas de Nova York e Londres


Publicado em: 08/07/2026 às 10:40hs

Café avança na colheita, mas atraso preocupa setor; mercado segue volátil com foco no clima, El Niño e preços internacionais

A cafeicultura brasileira entra em uma fase decisiva da safra 2026/27. Embora o ritmo da colheita tenha ganhado força neste início de julho, favorecido pelas condições mais secas em importantes regiões produtoras, os trabalhos ainda seguem atrasados em relação aos anos anteriores, enquanto o mercado internacional do café permanece altamente volátil diante das incertezas climáticas e da entrada gradual da nova safra.

Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que diversas regiões produtoras ainda não alcançaram metade da área colhida, cenário diferente do observado no mesmo período do ano passado, quando muitas localidades já haviam superado os 50% dos trabalhos.

O atraso é consequência direta das chuvas registradas ao longo de junho, que dificultaram a operação das máquinas e o avanço da colheita em importantes polos cafeeiros do país.

Clima seco favorece colheita, mas preocupações permanecem

Nos últimos dias, o retorno do tempo seco trouxe melhores condições para a retirada dos frutos e para a secagem dos grãos, especialmente no Sul de Minas, Cerrado Mineiro, Alta Mogiana e demais áreas produtoras de Minas Gerais e São Paulo.

As previsões meteorológicas apontam que as chuvas deverão permanecer concentradas na faixa leste do Sudeste brasileiro, sem impactos relevantes sobre as principais regiões cafeeiras. Além disso, não há expectativa de geadas ou de episódios de frio intenso capazes de comprometer os cafezais neste momento.

Apesar desse cenário favorável no curto prazo, especialistas alertam que as preocupações do setor continuam voltadas para os efeitos climáticos de médio e longo prazo, especialmente diante da influência do fenômeno El Niño.

O aquecimento das temperaturas pode afetar etapas fundamentais do desenvolvimento da próxima safra, incluindo a florada e o enchimento dos grãos, aumentando os riscos para a produção brasileira de café em 2027/28.

Mercado internacional vive forte volatilidade

O mercado futuro do café segue refletindo essa combinação de fatores climáticos, produtivos e financeiros.

Após registrar uma valorização expressiva superior a 16% em uma única sessão, os contratos de café arábica negociados na ICE Futures US passaram por um movimento intenso de realização de lucros e correção técnica.

O contrato setembro/2026 encerrou o pregão recente cotado a 317,60 cents de dólar por libra-peso, com queda superior a 9%, enquanto o vencimento dezembro/2026 fechou próximo de 305 cents/lbp.

Segundo analistas, a forte correção ocorreu após o mercado atingir os maiores níveis em aproximadamente nove meses, impulsionado por preocupações climáticas, reposicionamento de fundos de investimento e ajustes de carteiras diante do vencimento de opções.

Mesmo com a devolução parcial dos ganhos, as cotações do arábica continuam sustentadas nos níveis mais elevados observados desde o início do ano.

Arábica encontra suporte; robusta recua com avanço da safra brasileira

Na abertura desta quarta-feira, o comportamento das bolsas internacionais voltou a demonstrar a diferença entre os dois principais tipos de café.

Enquanto o arábica permaneceu próximo da estabilidade em Nova York, sustentado pela oferta limitada de cafés remanescentes da safra anterior e pela entrada lenta da nova produção, o robusta apresentou queda em Londres, pressionado pelo avanço da colheita brasileira.

O mercado acompanha atentamente o ritmo da entrada da safra 2026/27, que continua mais lento do que o esperado devido aos efeitos climáticos registrados nos últimos meses, além dos desafios relacionados à disponibilidade de mão de obra e aos custos de produção.

Oferta restrita mantém comercialização lenta no Brasil

No mercado físico brasileiro, a comercialização continua cautelosa.

A demanda por cafés arábica de diferentes padrões permanece ativa, mas muitos produtores seguem vendendo apenas volumes necessários para atender compromissos financeiros imediatos.

O comportamento reflete a percepção de que ainda existe pouca disponibilidade de café da safra anterior nas propriedades, enquanto a nova safra entra gradualmente no mercado.

Essa postura mais conservadora tem contribuído para limitar os negócios e sustentar os preços em níveis historicamente elevados.

Relação de troca melhora para o cafeicultor

Um dos fatores positivos para o produtor rural é a melhora da relação de troca entre o café e os principais insumos utilizados na lavoura.

Mesmo com as recentes oscilações das bolsas, o café permanece negociado em patamares elevados, enquanto fertilizantes importantes, especialmente a ureia, registraram queda significativa de preços nos últimos meses.

Na prática, isso significa que os cafeicultores conseguem adquirir maiores volumes de fertilizantes utilizando a mesma quantidade de sacas de café, ampliando o poder de compra e criando um ambiente mais favorável para o planejamento financeiro das propriedades.

Especialistas destacam que acompanhar a relação de troca pode ser tão importante quanto monitorar apenas o preço da commodity, pois esse indicador oferece uma visão mais precisa da rentabilidade real da atividade.

O que o mercado observa nos próximos meses

Os próximos meses serão determinantes para a formação dos preços e para as expectativas da safra futura.

Entre os principais fatores monitorados pelo mercado estão:

  • Avanço da colheita brasileira: A velocidade da entrada da safra 2026/27 continuará influenciando diretamente a oferta disponível e o comportamento dos preços.
  • Impactos do El Niño: O risco climático permanece no radar dos investidores e dos produtores, principalmente pelos possíveis reflexos sobre a florada e o potencial produtivo da safra 2027/28.
  • Estoques reduzidos: A oferta limitada de café arábica disponível no mercado físico segue fornecendo sustentação às cotações.
  • Movimentação dos fundos: A atuação dos investidores institucionais continua gerando forte volatilidade nas bolsas internacionais.
  • Relação de troca dos insumos: A manutenção dos preços elevados do café combinada com fertilizantes mais baratos pode favorecer a rentabilidade do produtor brasileiro.
Perspectiva para o setor cafeeiro

Apesar dos atrasos observados na colheita, o cenário geral continua de atenção moderadamente positiva para a cafeicultura brasileira. O clima seco deve favorecer o avanço dos trabalhos nas próximas semanas, enquanto a oferta ainda restrita e as incertezas climáticas globais continuam oferecendo suporte aos preços.

No entanto, a volatilidade permanece elevada, exigindo dos produtores acompanhamento constante das condições climáticas, da evolução da colheita e do comportamento dos mercados internacionais para a tomada de decisões comerciais e de gestão da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

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