Publicado em: 29/12/2023 às 18:00hs
O mercado internacional de café vivenciou um ano de 2023 marcado por expressivas altas nas cotações, especialmente no segmento arábica da Bolsa de Nova York (ICE Futures US), referência global para a comercialização. O consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, destaca que o período foi caracterizado por movimentos bruscos e intensos nos preços, notadamente em dezembro.
A transição de um cenário de baixo potencial produtivo no Brasil, devido a geada e seca nas safras de 2021 e 2022, para um ano de safra abundante em 2023, não ocorreu de forma linear, como esperado. Barabach destaca que o El Niño, mesmo classificado como moderado, trouxe episódios severos, como bolsões de calor extremo no Brasil, reavivando memórias de eventos prejudiciais à produção, como em 2016.
O café arábica na ICE US começou 2023 cotado em torno de 165 cents, impulsionado pelo otimismo produtivo com chuvas no Brasil. No entanto, a pressão vendedora reduziu os preços para 145 cents. Correções ocorreram, mas a safra brasileira avançando trouxe aumento na oferta e interesse crescente dos produtores em negociar, pressionando novamente as cotações para perto de 145 cents.
Após desenhar um fundo gráfico em torno de 145 cents, o mercado teve uma guinada de alta, impulsionada pela entressafra e postura mais cautelosa dos vendedores. Fatores como o conflito no Oriente Médio, aumento no petróleo e a redução nos estoques certificados na ICE US contribuíram para essa guinada.
A flutuação cambial, queda do dólar e dúvidas produtivas para a safra brasileira de 2024, devido às altas temperaturas relacionadas ao El Niño, foram adicionadas à equação. O mercado passou a precificar preocupações com a oferta, levando o preço do café em NY para 200 cents no final de 2023, acumulando uma valorização de 19% no contrato de março. Um ano positivo para os produtores, considerando a recuperação na produção de arábica no Brasil e um ritmo mais lento na demanda global da indústria.
Fonte: Portal do Agronegócio
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