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Café : Quebra no Espírito Santo pode chegar a 50%

A colheita de café conilon no norte do Espírito Santo desta safra de 2016 está começando a andar lentamente ainda na fase inicial


Publicado em: 11/05/2016 às 16:30hs

Café : Quebra no Espírito Santo pode chegar a 50%

A colheita começou e alguns produtores pararam pelas condições dos grãos nas árvores. Em um ano atípico de muitos problemas climáticos, os produtores agora se deparam com um café miúdo e seco. “O pessoal está esperando para ver se volta a chover e melhora alguma coisa.” A avaliação parte do presidente da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha (Cooabriel), Antônio Joaquim de Souza Neto, que falou à Agência SAFRAS.

A colheita está no máximo em 10% no momento, e normalmente estaria maisadiantada não fosse o clima desfavorável, diz Antônio Joaquim. A quebra na produção será superior a 50% na região de atuação da Cooabriel, que também abrange parte do sul da Bahia. “São dois anos de seca já”, afirma. “É muito mais sério que muita gente pensa. Nunca vi uma seca assim e nunca pensei que veria”, lamentou.

Ele acredita que o Espírito Santo só vai colher 4 milhões de sacas de café conilon este ano, contra cerca de 8 milhões ano passado. O recebimento da Cooabriel em 2015 foi de 940 mil sacas, caindo contra as 1,168 milhão de sacas de 2014. E ele indica que isso se agrava pelo fato de que ano passado entraram mais 350 novos sócios (cooperados). O número de sócios chega a 5.300 hoje. Em 2016 ainda não há estimativa de recebimento, diante da quebra da produção, e por ser ainda prematuro avaliar.

E a crise hídrica deve manter o cenário desfavorável à produção no próximo ano. “Demora no mínimo dois anos para recuperar a lavoura”, observou Antônio Joaquim. Ele destaca que há irrigação na região, mas os açudes secaram e nem mesmo esses produtores conseguiram evitar perdas.

A comercialização está lenta na região. Em 2014, o ano terminou com estoque na Cooabriel de 611 mil sacas de 60 quilos. O ano de 2015 chegou ao final com 490 mil sacas estocadas. E hoje o estoque é de 300 mil sacas. O produtor está vendendo conforme a necessidade. E, com a quebra na safra, Antônio Joaquim defende que se trabalhe junto ao governo por uma prorrogação das dívidas dos cafeicultores capixabas prejudicados pela seca. “Precisamos de uma securitização, uma prorrogação das dívidas, por 10, 12 anos”, defendeu.

Fonte: Safras & Mercado

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