Publicado em: 06/04/2026 às 10:35hs
O Brasil consolidou sua posição entre os três maiores mercados globais de bioinsumos, ao movimentar mais de R$ 7 bilhões na safra 2024/2025. O país divide protagonismo com Estados Unidos e China, respondendo por cerca de 15% a 18% do mercado mundial e aproximadamente 50% da movimentação na América Latina.
O avanço ocorre em meio à rápida transformação da indústria nacional, que registrou crescimento superior a 50% no número de empresas entre 2022 e 2025, impulsionado pela entrada de novos players e pela diversificação de companhias tradicionais.
Os dados foram apresentados durante o Workshop de Inteligência de Mercado em Bioinsumos, promovido pela ANPII Bio, realizado em março, em Campinas (SP).
O evento reuniu cerca de 200 participantes, incluindo executivos de mais de 90 empresas, além de representantes do setor público, como o Ministério da Agricultura e a Embrapa, especialistas e consultorias.
A programação teve foco na análise de mercado, tendências e perspectivas para o setor, reforçando a importância da inteligência de dados para a tomada de decisão.
Segundo dados apresentados durante o encontro, o mercado global de bioinsumos foi estimado em cerca de US$ 15 bilhões em 2025, com crescimento médio anual projetado de 10% até 2030.
O segmento de biocontrole lidera o setor, concentrando mais de 50% do volume, seguido pelos bioestimulantes (28%) e pelos inoculantes e promotores de crescimento (17%).
A América Latina se destaca como um dos principais motores desse crescimento, com projeção de expansão de 14% até 2030 e faturamento estimado em US$ 6,7 bilhões.
Dentro desse cenário, o Brasil se consolida como referência global tanto em escala de uso quanto em desenvolvimento tecnológico de bioinsumos.
O crescimento é impulsionado pela busca por soluções sustentáveis, maior eficiência no uso de nutrientes e integração dos biológicos ao manejo agronômico, especialmente em culturas como soja, milho e trigo.
Além disso, o ambiente regulatório e a adoção em larga escala favorecem o avanço de tecnologias baseadas em microrganismos, ampliando a resiliência das lavouras diante de desafios climáticos.
Apesar do crescimento acelerado, o setor enfrenta desafios relacionados à captura de valor.
Com o aumento da concorrência, as empresas precisam comprovar resultados no campo, fortalecer a confiança do produtor e oferecer suporte técnico, geração de dados e serviços agronômicos que vão além da venda do produto.
O cenário internacional, incluindo avanços nas negociações do Mercosul, traz novas oportunidades e desafios para o setor.
A possível eliminação de tarifas e maior acesso ao mercado europeu podem impulsionar exportações e cadeias agroindustriais. Por outro lado, o ambiente também aumenta a concorrência, pressiona margens e eleva exigências regulatórias e de rastreabilidade.
No Brasil, culturas como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, café e citros concentram 96% do uso de bioinsumos, evidenciando sua relevância em sistemas produtivos de larga escala.
Os bioinsumos já representam 7,2% do mercado em relação aos químicos, com maior participação no milho (10,1%), seguido pela cana-de-açúcar (8,1%) e soja (7,1%).
Entre os segmentos, os bionematicidas lideram com 31% de participação, seguidos por bioinseticidas (25%) e biofungicidas (15%).
A área tratada com bioinsumos segue em expansão, mas o crescimento em valor tem sido mais moderado.
Na comparação com a safra anterior, a área potencial tratada avançou 15,8%, enquanto o valor de mercado cresceu 3,6%, refletindo maior concorrência e pressão sobre preços.
A projeção para os próximos cinco anos é de expansão de 66% na área tratada, com crescimento médio anual de 10,6% entre 2025 e 2030.
A indústria brasileira de bioinsumos vive um momento de forte expansão. Atualmente, o país conta com mais de 200 empresas registradas e mais de 1.500 produtos biológicos disponíveis, incluindo inoculantes, defensivos biológicos e biofertilizantes.
Empresas nacionais respondem por 85% da produção e 75% do crescimento recente, enquanto apenas 15% dos produtos são importados, evidenciando baixa dependência externa.
Mesmo diante de desafios como pressão de oferta, riscos de crédito e maior competitividade, a expectativa é de crescimento de 17% no consumo de bioinsumos no Brasil ao longo do ano.
O cenário aponta para um mercado em expansão, com aumento do número de empresas, diversificação de produtos e avanço tecnológico.
Para o setor, o principal desafio será transformar esse crescimento em valor sustentável para toda a cadeia, com foco em inovação, qualidade e resultados no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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