Publicado em: 30/03/2026 às 12:30hs
O manejo de pragas no milho enfrenta desafios crescentes no Brasil, com insetos como a cigarrinha-do-milho, o percevejo barriga-verde e a lagarta-do-cartucho pressionando produtores a buscar estratégias mais eficientes e sustentáveis. Nesse contexto, estudos conduzidos pelo ecossistema Cogny indicam que a combinação de bioinseticidas com o manejo químico tradicional pode reduzir os danos em até 58,8% e gerar aumento de produtividade de até 24,2 sacas por hectare.
O controle biológico utiliza microrganismos como fungos entomopatogênicos e baculovírus, que atacam pragas de forma direcionada. Diferente do manejo exclusivamente químico, essas tecnologias atuam como complemento dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP), prolongando a proteção da lavoura, preservando a eficácia dos produtos químicos e reduzindo a pressão de seleção por resistência.
Um dos produtos avaliados, com princípio ativo exclusivo BB15 e formulação em dispersão em óleo (OD), foi testado em Guarapuava (PR) na safra 2023/24. Associado ao manejo químico, o bioinseticida reduziu em 46,2% os danos do percevejo barriga-verde e em 28,3% os efeitos da cigarrinha-do-milho, resultando em aumento de 24,2 sacas por hectare na produtividade em relação ao manejo químico isolado.
Em Edéia (GO), outra tecnologia da Cogny com isolado exclusivo e formulação OD superou produto comercial à base de Beauveria bassiana IBCB 66, com 81,0% mais eficiência no controle de ninfas e 34,4% para adultos. A maior eficácia está associada à formulação que aumenta a estabilidade do produto no campo.
Para a lagarta-do-cartucho, ensaios conduzidos em Maracaju (MS) com tecnologias desenvolvidas em parceria com a Embrapa alcançaram 88,2% de eficiência, superando o manejo com inseticida químico premium Espinetoram (79,3% em três aplicações). Além disso, os bioinseticidas mostraram resultados consistentes quando combinados com moléculas de menor custo, como Metomil.
Bruno Agostini Colman, gerente de Produtos e Dados Agronômicos da Cogny, destaca que a adoção de estratégias integradas é essencial para a sustentabilidade e a eficiência dos sistemas produtivos. “A combinação de controle químico, biotecnologia e agentes de controle biológico maximiza a supressão de pragas, contribui para o manejo da resistência e reduz impactos negativos do uso isolado de ferramentas”, afirma.
Ivan Zorzzi, líder do departamento de Agronomia do ecossistema, reforça que a integração tecnológica permite um controle mais equilibrado e duradouro, aumentando a eficiência agronômica e econômica das lavouras.
Para Letícia Puntel, agrônoma de campo da Cogny, o desenvolvimento de soluções baseadas em pesquisa científica e validadas em condições reais de campo é crucial. “A convergência entre ciência aplicada e prática operacional otimiza o uso de insumos, aumenta a eficiência do sistema e contribui para a sustentabilidade técnica e financeira da produção agrícola”, explica.
O estudo reforça a tendência do setor em investir em bioinseticidas como ferramenta estratégica para complementar o manejo químico, elevando a produtividade e reduzindo riscos produtivos em lavouras de milho no Brasil.
Fonte: Portal do Agronegócio
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