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Aveia, Trigo e Cevada

UPL e Embrapa Trigo firmam parceria para criar certificação de trigo de baixo carbono

Programa terá duração prevista de quatro anos e desenvolverá protocolo para reconhecer práticas que reduzam emissões na produção brasileira do cereal


Publicado em: 09/10/2026 às 08:30hs

UPL e Embrapa Trigo firmam parceria para criar certificação de trigo de baixo carbono
Foto: Wenderson Araujo

A UPL Brasil firmou um acordo de cooperação técnica com a Embrapa Trigo para participar do programa Trigo Baixo Carbono (TBC), que desenvolverá um protocolo brasileiro de certificação da cultura com menores emissões de gases de efeito estufa. A companhia está entre as quatro empresas selecionadas para apoiar a iniciativa.

Com duração prevista de quatro anos, o projeto reunirá pesquisa, desenvolvimento de critérios técnicos e preparação do sistema de certificação. A proposta é reconhecer práticas sustentáveis adotadas pelos produtores e criar oportunidades de diferenciação comercial para o trigo brasileiro.

A participação da UPL incluirá apoio financeiro, compartilhamento de conhecimento técnico, atuação na governança do programa e indicação de áreas piloto. A empresa também contribuirá com sua experiência em iniciativas de sustentabilidade e certificação agrícola.

Certificação terá adesão voluntária e verificação independente

O programa será executado em duas fases. A primeira abrangerá a implantação da iniciativa, as pesquisas e o desenvolvimento do protocolo. Na segunda, o sistema será levado ao mercado, com atuação de certificadoras habilitadas pela Embrapa.

Segundo a proposta, esse será o primeiro padrão brasileiro de certificação de baixo carbono específico para o trigo. A adesão será voluntária, e a verificação ficará a cargo de uma organização privada e independente.

Os produtores que atenderem aos critérios poderão receber o selo “Trigo Baixo Carbono”. A expectativa é que o reconhecimento das práticas adotadas no campo contribua para agregar valor à produção e ampliar sua competitividade na comercialização.

UPL levará experiência em inventários de carbono e certificações

Entre as contribuições previstas, a UPL compartilhará conhecimentos acumulados em programas que apoiam produtores na obtenção de certificações internacionais, como Global GAP e Sustainable Agriculture Initiative (SAI), em cadeias como uva, laranja e batata.

Outra referência será o Pacto Agro Sustentável (PAS), desenvolvido pela companhia em parceria com as cooperativas Comigo, Copasul, Coplacana, Holambra e Integrada. A iniciativa apoia produtores na elaboração de mais de 1.000 inventários de carbono e relatórios simplificados de sustentabilidade.

Para Cristiano Figueiredo, CEO da UPL Brasil, a cooperação com pesquisadores e produtores é essencial para transformar sustentabilidade em soluções aplicáveis à agricultura. Segundo ele, o programa poderá valorizar boas práticas e fortalecer a eficiência da produção nacional de trigo.

Critérios técnicos buscam conectar desempenho ambiental e mercado

Liria Hosoe, diretora de assuntos regulatórios, políticas, governança, assuntos institucionais e stewardship da UPL Brasil, destaca que a parceria permitirá colocar a experiência da companhia a serviço da construção de critérios técnicos e transparentes para reconhecer práticas agrícolas.

O objetivo é estabelecer uma base de avaliação que dê consistência à certificação e permita identificar os produtores que atendem ao protocolo.

Na avaliação de Robison Serafim, diretor de Marketing da UPL, iniciativas desse tipo também precisam gerar valor econômico para a cadeia. Ele considera que a aproximação entre ciência, inovação e mercado pode oferecer ferramentas para melhorar o desempenho ambiental das propriedades e ampliar as oportunidades comerciais.

Expansão do trigo para o Cerrado amplia relevância do programa

A criação do protocolo acompanha a diversificação geográfica da triticultura brasileira. Embora o Sul continue concentrando a maior parte da produção, o cultivo vem ampliando sua presença em estados do Sudeste e do Centro-Oeste, incluindo áreas do Cerrado.

Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados na apresentação da iniciativa, o trigo ocupou cerca de 2,9 milhões de hectares e teve produção de 7,5 milhões de toneladas em 2024. O volume representa crescimento de 20% em relação a 2014 e de 163% na comparação com 1974.

Nesse cenário, o programa pretende associar o desenvolvimento da cultura à adoção de práticas de menor emissão. A expectativa é contribuir para uma produção mais competitiva e sustentável, reconhecendo o desempenho dos produtores por meio da certificação.

Parceria dá continuidade à atuação no Soja Baixo Carbono

A cooperação no trigo amplia uma relação já existente entre a UPL e a Embrapa. Desde 2022, a companhia participa do programa Soja Baixo Carbono, coordenado pela Embrapa Soja.

A iniciativa voltada à oleaginosa também trabalha com critérios técnicos para mensuração, reporte e verificação das emissões de gases de efeito estufa.

A experiência acumulada nesse projeto será uma das bases para a contribuição da empresa ao Trigo Baixo Carbono, que buscará desenvolver um padrão específico para as condições e as práticas de produção do cereal no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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