Publicado em: 06/04/2026 às 11:10hs
O mercado de trigo no Sul do Brasil voltou a registrar valorização nos preços, impulsionado pela redução da oferta imediata e por ajustes nas pedidas dos vendedores. Mesmo com uma semana mais curta e menor volume de negócios, o cenário aponta para firmeza nas cotações e possibilidade de alta no médio prazo.
No Rio Grande do Sul, os preços apresentaram recuperação, com indicações entre R$ 1.300 e R$ 1.320 por tonelada no interior para entrega futura. Também há registros de negociações a R$ 1.300 CIF para maio, com pagamento antecipado.
Apesar disso, os vendedores seguem firmes, pedindo até R$ 1.350 por tonelada, o que limita o fechamento de novos negócios.
No mercado físico, o valor pago ao produtor também subiu. Em Panambi, a cotação da chamada “pedra” avançou 3,51%, passando de R$ 57,00 para R$ 59,00 por saca.
No cenário externo, houve ausência recente de ofertas de trigo argentino, enquanto um carregamento uruguaio é aguardado no porto de Porto Alegre.
Em Santa Catarina, o abastecimento continua dependente do trigo gaúcho, acrescido de custos logísticos como frete e ICMS, além da produção local.
Os preços giram em torno de R$ 1.300 CIF, com menor volume de ofertas no mercado. No balcão, os valores seguem majoritariamente estáveis, com exceções pontuais de alta em regiões como Chapecó e Xanxerê.
No Paraná, o mercado apresenta pouca movimentação, mas com pedidas mais firmes por parte dos vendedores.
As ofertas chegam a R$ 1.350 FOB, enquanto compradores demonstram resistência.
No norte do estado, os negócios ocorrem entre R$ 1.370 e R$ 1.380 CIF, com indicações próximas a R$ 1.350 nos moinhos. Já nos Campos Gerais, os preços giram em torno de R$ 1.300 CIF, com baixa disposição de venda.
A menor movimentação está ligada à prioridade dos produtores na colheita de soja e milho.
Entre os importados, o trigo paraguaio é o único presente no mercado, cotado entre US$ 260 e US$ 262 posto Ponta Grossa.
No mercado global, o trigo apresenta sinais de recuperação, sustentado por uma demanda internacional ativa.
Compras recentes de países como Tunísia e Jordânia ajudam a manter os preços próximos de US$ 275 por tonelada.
Entre os principais fatores de sustentação estão:
No cenário doméstico, a entressafra reduz a disponibilidade de trigo, contribuindo para a sustentação dos preços.
Além disso, projeções indicam possível redução na área plantada, o que pode limitar ainda mais a oferta futura.
A sazonalidade também favorece o movimento de alta, com histórico de valorização entre janeiro e abril e possibilidade de manutenção até julho.
Apesar do viés positivo, alguns fatores seguem pressionando o mercado:
No mercado futuro, os preços em Chicago mostram recuperação desde fevereiro, com rompimento da tendência de baixa.
As cotações se consolidam na faixa entre 590 e 620 cents por bushel, indicando um cenário de estabilidade no curto prazo, mas com viés positivo.
A expectativa é de continuidade da firmeza nos preços no Brasil, sustentada pela oferta restrita e pelas incertezas climáticas globais.
O comportamento das cotações nos próximos meses dependerá principalmente da evolução da safra de inverno, fator determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda.
Fonte: Portal do Agronegócio
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