Publicado em: 02/06/2026 às 11:40hs
O mercado brasileiro de trigo iniciou junho em um cenário de valorização dos preços, sustentado pela baixa oferta interna, pela postura cautelosa dos produtores e pelas expectativas de redução da produção nacional nos próximos anos. Enquanto isso, no mercado internacional, os contratos futuros registraram queda na Bolsa de Chicago (CBOT), pressionados pela melhora das condições climáticas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostra que as cotações do trigo avançaram em maio em praticamente todas as regiões produtoras do país. A menor disponibilidade do cereal no mercado físico e a retração vendedora reduziram a liquidez das negociações e fortaleceram os preços.
No Paraná, principal estado produtor do país, o trigo foi negociado em média a R$ 1.352,59 por tonelada em maio, alta de 2,6% em relação a abril. Apesar da recuperação mensal, o valor ainda permanece 14,1% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior.
No Rio Grande do Sul, a valorização foi ainda mais intensa. O preço médio atingiu R$ 1.299,65 por tonelada, avanço de 7,6% sobre abril e o maior patamar desde agosto do ano passado. Ainda assim, o indicador segue 9,2% abaixo da média observada em maio de 2025.
Em São Paulo, o trigo registrou média de R$ 1.467,25 por tonelada, alta de 5,2% no mês. Já em Santa Catarina, os preços avançaram 4,1%, alcançando R$ 1.285,99 por tonelada.
Na contramão do mercado brasileiro, os contratos futuros de trigo operaram em baixa nesta terça-feira (2) na Bolsa de Chicago.
O contrato com vencimento em julho de 2026 foi negociado a US$ 6,03 por bushel, enquanto os vencimentos de setembro e dezembro recuaram para US$ 6,15 e US$ 6,35 por bushel, respectivamente.
A pressão sobre as cotações internacionais está ligada às chuvas registradas recentemente em importantes áreas produtoras dos Estados Unidos. As precipitações melhoraram as perspectivas para o desenvolvimento das lavouras e reduziram parte das preocupações com a safra norte-americana.
Além das condições climáticas favoráveis, o mercado global continua monitorando a forte competitividade do trigo oriundo da região do Mar Negro, especialmente da Rússia, que segue ampliando sua participação no comércio internacional e influenciando a formação dos preços globais.
No mercado doméstico, o cenário continua favorável à sustentação das cotações. A disponibilidade de trigo de melhor qualidade permanece restrita, enquanto parte dos compradores demonstra preferência pelo cereal nacional diante dos desafios de qualidade encontrados em lotes importados.
Segundo análise da TF Agroeconômica, os negócios no Sul do país seguem ocorrendo de forma pontual, mas com preços firmes.
No Rio Grande do Sul, o trigo branqueador foi negociado próximo de R$ 1.450 por tonelada, enquanto o trigo pão oscilou entre R$ 1.350 e R$ 1.370 por tonelada para entregas nos próximos meses. A procura por lotes de melhor qualidade manteve o mercado ativo durante a última semana.
Para a safra nova, produtores elevaram as pedidas diante da expectativa de menor área cultivada. Algumas ofertas para entrega em setembro já alcançam R$ 1.500 por tonelada, embora ainda sem fechamento expressivo de negócios.
Em Santa Catarina, os preços ficaram entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB, refletindo um mercado equilibrado e negociações realizadas principalmente conforme as necessidades imediatas da indústria.
No Paraná, a concorrência entre moinhos e o mercado de farinhas limitou reajustes mais agressivos. Os negócios mais recentes ocorreram próximos de R$ 1.400 por tonelada FOB, enquanto produtores seguem buscando valores ao redor de R$ 1.500.
As perspectivas para os próximos anos reforçam o viés altista para o mercado brasileiro de trigo. De acordo com a TF Agroeconômica, a combinação entre redução da área plantada e menor investimento tecnológico pode provocar uma queda significativa da produção nacional.
As projeções indicam que a safra brasileira poderá recuar para cerca de 6,5 milhões de toneladas em 2027. Como consequência, o país poderá elevar suas importações para aproximadamente 6,75 milhões de toneladas, aumentando a dependência do mercado externo.
Esse cenário tende a aproximar os preços domésticos da paridade internacional, criando um ambiente potencialmente mais favorável para os produtores que mantiverem o cultivo da cultura nos próximos ciclos.
Enquanto os estoques remanescentes seguem sustentando os preços, o mercado acompanha atentamente o avanço da semeadura da nova safra de trigo no Sul do Brasil.
As condições climáticas durante o período de plantio, o comportamento do mercado internacional e os custos de produção serão fatores decisivos para a definição da oferta nacional nos próximos meses.
Com estoques mais ajustados, menor disponibilidade futura e expectativa de aumento das importações, o trigo segue entre as commodities agrícolas com maior potencial de sustentação de preços no mercado brasileiro em 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
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