Aveia, Trigo e Cevada

Trigo reage no Sul do Brasil com oferta restrita e acompanha alta em Chicago impulsionada por exportações e clima

Preços do trigo sobem no Sul com escassez de produto de qualidade, enquanto mercado internacional é sustentado por demanda dos EUA e clima adverso


Publicado em: 27/03/2026 às 11:10hs

Trigo reage no Sul do Brasil com oferta restrita e acompanha alta em Chicago impulsionada por exportações e clima
Foto: FMC
Mercado de trigo no Sul mostra recuperação com oferta limitada

O mercado de trigo na Região Sul do Brasil apresenta sinais de reação nos preços, ainda que com negociações pontuais e foco dos compradores em garantir o abastecimento nos próximos meses. A firmeza nas cotações é sustentada, principalmente, pela oferta restrita de trigo de melhor qualidade.

No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, com indicações mais altas para entregas a partir de maio. A tendência é de manutenção dos preços em patamares elevados, já que a escassez de trigo de qualidade — agravada por problemas na safra argentina — reduz a disponibilidade no mercado. Nesse cenário, lotes superiores tendem a alcançar maior valorização. O preço ao produtor também avançou, chegando a R$ 57,00 por saca em Panambi.

Custos logísticos elevam preços e pressionam farinha em Santa Catarina

Em Santa Catarina, o mercado segue dependente do trigo gaúcho. O aumento recente nos preços foi impulsionado, sobretudo, pelo custo do frete, que elevou os valores CIF para a faixa de R$ 1.310 a R$ 1.315 por tonelada. Há também oferta de produto local em níveis semelhantes.

O encarecimento logístico levou os moinhos a reajustarem os preços da farinha em cerca de 3%, movimento que encontrou baixa resistência no mercado. Apesar da boa qualidade geral, parte dos lotes apresenta limitações técnicas. Já o trigo branqueador segue escasso e com prêmios elevados.

Paraná mantém mercado firme, com foco em contratos futuros

No Paraná, o mercado continua firme, embora com ritmo lento de negociações. Há uma disputa entre compradores e vendedores, com cotações variando entre R$ 1.300 e R$ 1.380 por tonelada CIF.

O interesse maior está voltado para contratos de entrega futura, enquanto a menor movimentação também reflete a prioridade dos produtores na colheita de outras culturas. No segmento de trigo importado, a demanda permanece concentrada em produtos de maior qualidade, com destaque para origens da Argentina e do Paraguai.

Alta em Chicago é sustentada por exportações dos EUA

No cenário internacional, o mercado de trigo também registrou valorização. A Bolsa de Mercadorias de Chicago encerrou a sessão desta quinta-feira (26) em alta, impulsionada pelo bom desempenho das exportações norte-americanas.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicaram vendas líquidas acima das expectativas na semana encerrada em 19 de março. Foram comercializadas 397.200 toneladas para a safra 2025/26, com destaque para 69.700 toneladas destinadas às Filipinas. Para a temporada 2026/27, foram negociadas mais 205.800 toneladas.

O volume total ficou dentro da faixa projetada pelo mercado, entre 150 mil e 600 mil toneladas, reforçando o suporte às cotações.

Clima seco nas Planícies dos EUA preocupa e reforça preços

Outro fator relevante para a alta foi a preocupação com o clima nas Planícies dos Estados Unidos. As previsões indicam manutenção de tempo seco, com poucas chances de chuva até o início de abril, além de temperaturas mais elevadas.

Esse cenário pode comprometer o desenvolvimento das lavouras de trigo de inverno, contribuindo para a sustentação dos preços no mercado internacional.

Contratos futuros encerram sessão em alta

Os contratos de trigo com entrega em maio fecharam cotados a US$ 6,05 por bushel, alta de 7,25 centavos, ou 1,21% em relação ao fechamento anterior. Já os contratos com vencimento em julho encerraram a US$ 6,15 3/4 por bushel, avanço de 7,00 centavos, ou 1,14%.

Perspectiva: mercado segue atento à oferta e ao clima

O cenário atual indica um mercado de trigo sustentado por fundamentos tanto no Brasil quanto no exterior. A oferta restrita de produto de qualidade no Sul, aliada às incertezas climáticas nos Estados Unidos e ao bom ritmo das exportações, deve manter os preços firmes no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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