Publicado em: 05/05/2026 às 11:50hs
O mercado brasileiro de trigo segue sustentado por fundamentos internos sólidos, com destaque para a oferta restrita e a baixa liquidez típicas da entressafra. Esse cenário garantiu a recuperação das cotações ao longo de abril e mantém os preços firmes neste início de maio, mesmo diante de ajustes técnicos no mercado internacional.
De acordo com o Cepea, vendedores permanecem retraídos, liberando volumes pontuais no mercado spot e aguardando melhores oportunidades de comercialização. A postura reduz a disponibilidade imediata e sustenta os preços, especialmente para compradores com necessidade urgente, que acabam aceitando patamares mais elevados.
A combinação de menor disponibilidade interna e ritmo lento de negociações segue como principal vetor de sustentação das cotações do trigo em grão. Em abril, esse movimento consolidou a trajetória de alta observada no mercado doméstico.
Enquanto isso, o segmento de farelo de trigo apresenta dinâmica oposta. Os preços seguem pressionados pela demanda enfraquecida, maior oferta e concorrência com produtos substitutos na nutrição animal. Já o mercado de farinhas mantém relativa estabilidade, refletindo equilíbrio entre oferta e demanda.
No cenário externo, os contratos futuros de trigo iniciaram esta terça-feira (5) em queda na Bolsa de Chicago, em um movimento de realização de lucros após recentes valorizações.
Os principais vencimentos registraram recuos, refletindo ajustes técnicos por parte dos investidores. Apesar disso, os fundamentos seguem sendo monitorados, especialmente as condições climáticas no Hemisfério Norte, com destaque para os Estados Unidos, fator determinante para o desenvolvimento das lavouras.
No mercado físico brasileiro, a semana começou com negociações pontuais nos estados do Sul, acompanhadas de preços firmes e ajustes regionais conforme oferta e demanda.
Rio Grande do Sul:
O estado manteve ritmo ativo, com negócios voltados à liberação de espaço e geração de caixa. As negociações para embarque em maio e junho ocorreram ao redor de R$ 1.300,00 por tonelada no interior. Para a safra nova, os volumes ainda são limitados, com indicações próximas de R$ 1.250,00 CIF porto e moinhos. No balcão, o preço em Panambi segue estável em R$ 62,04 por saca.
Santa Catarina:
O mercado segue dependente de trigo vindo de outros estados, principalmente do Rio Grande do Sul e Paraná. As pedidas avançaram, com o trigo catarinense ao redor de R$ 1.300,00 por tonelada FOB. No Sudoeste do Paraná, as ofertas chegaram a R$ 1.400,00 por tonelada, patamar também observado para o produto gaúcho. No balcão, houve estabilidade em algumas praças e alta em outras.
Paraná:
Após o feriado, os moinhos retomaram as compras. Na região central, os preços variaram entre R$ 1.330 e R$ 1.350 por tonelada FOB. No Norte, os negócios chegaram a R$ 1.400 por tonelada. No Oeste e Sudoeste, os valores giraram em torno de R$ 1.350 por tonelada. Também foram registradas vendas interestaduais e ofertas de trigo argentino a US$ 280,00 nacionalizado em Paranaguá. Para a safra nova, as indicações variam entre R$ 1.320 e R$ 1.350 por tonelada FOB.
O cenário atual indica um mercado doméstico ainda sustentado pela restrição de oferta, mesmo diante da volatilidade externa. A entressafra segue limitando a liquidez e reforçando o poder de barganha dos vendedores.
No curto prazo, o comportamento do clima no Hemisfério Norte e o avanço da nova safra no Brasil serão determinantes para a direção dos preços. Até lá, a tendência é de manutenção de um mercado firme, com negociações pontuais e sustentação das cotações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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