Publicado em: 22/09/2025 às 11:30hs
Os preços do trigo em grão seguem em queda nas principais regiões produtoras do Brasil, pressionados pelo avanço da colheita, redução da produção e importações mais baratas. Segundo levantamento da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema), na semana de 12 a 18 de setembro, o trigo de qualidade superior recuou para R$ 68,00 por saco no Rio Grande do Sul, enquanto no Paraná os valores oscilaram entre R$ 69,00 e R$ 73,00 por saco.
No Paraná, cerca de 25% da área da nova safra já foi colhida neste início de semana, contra 34% no mesmo período do ano passado. O Departamento de Economia Rural (Deral) aponta que “aproximadamente 85% das lavouras estão em boas condições, com 49% em maturação e 31% em frutificação”. No Rio Grande do Sul, a Emater registrou 15% das lavouras na fase de enchimento de grãos.
Além do avanço da colheita, a valorização do real frente ao dólar tem tornado a importação mais barata, pressionando os preços internos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu sua estimativa de produção para 7,5 milhões de toneladas, o menor volume desde 2020, enquanto analistas privados, como a StoneX, projetam que a safra final pode atingir apenas 7,3 milhões de toneladas.
Apesar da retração de 9,5% em agosto, com 493,2 mil toneladas importadas, as compras externas devem chegar a 5,17 milhões de toneladas entre janeiro e setembro, podendo atingir 7 milhões de toneladas até o fim de 2025. O destaque é a concentração das compras na Argentina, que saltou de 189,5 mil toneladas para 465,6 mil toneladas, respondendo por quase todo o volume importado. Em contrapartida, países como Estados Unidos, Rússia e Uruguai perderam relevância no fornecimento.
Internamente, houve maior pulverização regional das entregas, com estados como Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pará e Espírito Santo aumentando sua participação, além do envio de pequenos volumes a regiões antes pouco representativas.
Apesar do cenário de preços baixos no mercado físico, especialistas da TF Agroeconômica apontam que o primeiro semestre de 2026 pode apresentar oportunidades de alta, devido à expectativa de menor produção nacional e possível recuperação dos preços internacionais à medida que os estoques globais forem consumidos.
A recomendação para produtores e moinhos é substituir operações no mercado físico pelas do mercado futuro. Essa estratégia permite garantir preços competitivos com apenas 8% a 12% do valor necessário no físico, liberando recursos para cobrir volumes maiores e enfrentar a concorrência no setor de farinhas.
Para os moinhos, que tradicionalmente compram grandes quantidades no físico, os contratos futuros possibilitam adquirir trigo aos preços de Chicago e revendê-lo posteriormente, garantindo margem quando os preços subirem. Dessa forma, o mercado futuro funciona como um instrumento eficiente de proteção contra a volatilidade, equilibrando risco e custo.
O momento de preços baixos pode ser aproveitado para planejar vendas e compras estratégicas ao longo do próximo semestre. A utilização de contratos futuros permite tanto aos agricultores quanto aos compradores protegerem-se das flutuações de mercado, maximizando lucros e garantindo maior segurança financeira.
Fonte: Portal do Agronegócio
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