Aveia, Trigo e Cevada

Trigo mantém preços firmes no Brasil, clima preocupa safra e mercado segue travado no Sul

Oferta restrita, clima adverso nos Estados Unidos e no Brasil e dependência das importações sustentam o mercado do trigo, enquanto produtores seguram vendas e moinhos enfrentam dificuldades para repassar custos


Publicado em: 25/05/2026 às 11:30hs

Trigo mantém preços firmes no Brasil, clima preocupa safra e mercado segue travado no Sul
Foto: CNA

O mercado brasileiro de trigo continua operando em ambiente de firmeza nos preços, baixa liquidez e elevada sensibilidade ao clima internacional e doméstico. A combinação entre oferta restrita da safra velha, dificuldades climáticas para a nova temporada e custos elevados de importação mantém o cereal sustentado no Brasil, especialmente nas regiões produtoras do Sul.

As análises de consultorias e agentes do setor apontam que o cenário ainda exige cautela tanto de produtores quanto de moinhos, diante da volatilidade internacional e das incertezas sobre a próxima safra brasileira.

No mercado externo, os contratos futuros do trigo seguem reagindo às preocupações climáticas nos Estados Unidos. Em Chicago, os preços encerraram a última semana com valorização, impulsionados pelo risco de menor produtividade nas lavouras norte-americanas e pelas incertezas no início da colheita do trigo de inverno.

Apesar das chuvas recentes em áreas produtoras, aproximadamente 70% das regiões de trigo de inverno nos Estados Unidos ainda registram algum nível de seca, percentual superior ao observado no mesmo período do ano passado. Em Kansas, principal estado produtor de trigo duro de inverno, a pressão sazonal da entrada da safra limitou parte das altas.

Nesta segunda-feira (25), os contratos futuros operavam em leve baixa na Bolsa de Chicago. O contrato julho/26 era negociado a US$ 6,46 por bushel, enquanto setembro/26 valia US$ 6,59 e dezembro/26 operava a US$ 6,79 por bushel, refletindo ajustes técnicos e acompanhamento do cenário argentino.

Mercado brasileiro segue travado e com baixa liquidez

No Brasil, o mercado permanece lento, com poucos negócios efetivamente realizados. O descompasso entre compradores e vendedores continua limitando a liquidez.

Produtores e detentores de estoques mantêm postura firme nas pedidas, sustentados pela baixa disponibilidade de trigo de qualidade e pelas perspectivas ainda incertas para a nova safra. Já os moinhos seguem cautelosos nas compras, diante das dificuldades para repassar preços mais elevados ao mercado de farinha.

Segundo análises do setor, a retração nas vendas de farinha tem limitado movimentos mais agressivos de alta, mas não altera o cenário estrutural de sustentação dos preços.

A escassez de trigo de melhor qualidade no Mercosul também continua dando suporte ao mercado brasileiro. A disponibilidade reduzida de cereal premium na Argentina e em outros países vizinhos mantém elevadas as paridades de importação e dificulta quedas mais intensas nos preços internos.

Outro fator de atenção é o clima no Brasil. A seca em regiões do Cerrado já começa a afetar o plantio da nova safra e reduz o potencial produtivo em parte das áreas cultivadas. A preocupação aumenta a percepção de maior dependência das importações nos próximos meses.

Rio Grande do Sul registra ajuste lento nos preços

No Rio Grande do Sul, os preços seguem em recuperação gradual, especialmente para trigo de melhor qualidade.

Negócios envolvendo safra velha indicaram compradores interessados para julho com ofertas entre R$ 1.400 e R$ 1.430 por tonelada CIF, enquanto vendedores pedem aproximadamente R$ 1.350 FOB.

O trigo branqueador continua restrito no estado, com negócios aceitando produto de até 270 de W ao redor de R$ 1.400 FOB no armazém do vendedor.

Para a safra nova, as referências giram em torno de R$ 1.250 FAS no porto, enquanto moinhos indicam níveis próximos de R$ 1.100 FOB, considerados pouco atrativos pelos produtores.

O mercado gaúcho também segue atento à cobertura dos moinhos. Junho já aparece praticamente fechado, enquanto julho apresenta cobertura parcial estimada em cerca de 40%.

No mercado de balcão, Panambi registrou alta, com a saca atingindo R$ 65,04.

Santa Catarina sente impacto do frete

Em Santa Catarina, o frete continua sendo um dos principais fatores de sustentação dos preços finais do trigo.

As indicações para o cereal local variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada FOB, com retirada e pagamento em 30 dias.

O trigo vindo do Rio Grande do Sul aparece entre R$ 1.350 e R$ 1.450 FOB, enquanto o produto do Paraná teve leve recuo no Sudoeste, oscilando entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB.

No mercado de balcão catarinense, os preços permaneceram estáveis em praças como Canoinhas, Xanxerê, Chapecó e Joaçaba, enquanto Rio do Sul e São Miguel do Oeste registraram altas.

Paraná mantém preços elevados e vendedores retraídos

No Paraná, a oferta continua limitada e os vendedores seguem trabalhando com expectativas mais altas de preços.

Negócios foram reportados ao redor de R$ 1.350 FOB na região central do estado, enquanto no Norte os lotes chegaram a R$ 1.400 FOB. Em Curitiba, as referências variaram entre R$ 1.400 e R$ 1.450 CIF.

O trigo branqueador apresenta referência próxima de R$ 1.450 FOB.

Para a safra nova, as indicações para setembro variam entre R$ 1.320 e R$ 1.350 FOB.

O mercado também acompanha de perto a situação da Argentina, principal fornecedora de trigo ao Brasil. A recente redução das “retenciones”, os impostos sobre exportações no país vizinho, melhora parcialmente as margens dos produtores argentinos, mas ainda não altera de forma significativa a competitividade internacional do cereal.

Custos logísticos, cambiais e produtivos seguem limitando avanços mais expressivos do trigo argentino no mercado externo, fator que continua sendo monitorado pelos compradores brasileiros.

Consultorias recomendam cautela nas vendas

Diante do atual cenário, consultorias recomendam que produtores evitem vendas agressivas neste momento.

A orientação é aproveitar momentos de alta para realizar comercializações parciais e escalonadas, especialmente porque ainda há potencial de valorização para trigo de melhor qualidade na safra 2026/27.

Para os moinhos, a recomendação continua sendo manter cobertura parcial das necessidades futuras, acompanhando atentamente o clima no Brasil e nos Estados Unidos, além da evolução das importações argentinas.

O mercado segue operando com viés firme, sustentado pela oferta restrita, pelo elevado custo de reposição e pelas incertezas climáticas que cercam a produção global e brasileira de trigo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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