Publicado em: 13/03/2026 às 10:30hs
O mercado de trigo na região Sul do Brasil registrou negociações moderadas, influenciadas por fatores como volatilidade de preços, câmbio e limitações de armazenamento. Dados da TF Agroeconômica indicam movimentos distintos entre os estados produtores durante a semana.
No Rio Grande do Sul, o mercado se manteve mais retraído devido às oscilações recentes. Apesar disso, foram reportadas vendas de cerca de 4 mil toneladas, com preços entre R$ 1.150 e R$ 1.180 FOB. Há ainda interesse de compradores para a safra futura 2026/27, com cotações em R$ 1.200 sobre rodas no porto de Rio Grande. No interior, o preço de referência avançou para R$ 55 por saca em Panambi.
Em Santa Catarina, a semana foi considerada estável, mas com pressão por liberação de espaço nos armazéns. Foram registrados negócios pontuais de trigo melhorador a R$ 1.250 FOB, enquanto o trigo tipo 2 teve cerca de 150 toneladas negociadas a R$ 1.050. Nos balcões pagos aos produtores, os valores variaram de R$ 59 a R$ 64 por saca, dependendo da localidade, com destaque para Xanxerê em R$ 64 e São Miguel do Oeste em R$ 62,75.
No Paraná, a valorização de 1,62% do dólar encareceu as importações de trigo e farinha. As negociações internas ocorreram em torno de R$ 1.350 CIF moinhos, com entregas previstas entre maio e julho. A principal limitação no curto prazo é a falta de espaço nos moinhos, que reduz o volume de moagem e de vendas de farinha.
No mercado externo, ofertas de trigo argentino seguem disponíveis no porto de Paranaguá a US$ 275 por tonelada, com retirada até 15 de abril e acréscimo de US$ 15 por tonelada a cada dez dias após esse prazo. O custo de reposição calculado, incluindo frete, demurrage e armazenagem, é de aproximadamente US$ 286 por tonelada.
Além disso, há disponibilidade de farinha argentina armazenada em Barracão (PR), ofertada ao mercado interno, reforçando a oferta externa como fator de influência nos preços domésticos.
O mercado de trigo na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciou o pregão de sexta-feira (13) com leves oscilações, mantendo a volatilidade observada nas últimas sessões.
Segundo a Reuters, os contratos agrícolas têm sido influenciados por fatores macroeconômicos recentes, especialmente o comportamento do mercado de energia, como a alta do petróleo, que impacta custos de produção e logística do setor.
Além disso, operadores seguem atentos a movimentações de fundos e ajustes técnicos após forte volatilidade nas bolsas agrícolas, enquanto geopolítica e commodities energéticas continuam a influenciar diretamente a dinâmica de preços do trigo.
O ambiente de volatilidade tanto no Brasil quanto no exterior reforça a necessidade de atenção de produtores e investidores. No Sul do país, o ritmo moderado de negócios e a pressão de armazenagem indicam ajustes pontuais nos preços. No mercado internacional, os contratos futuros acompanham fatores macro e energéticos, alternando ganhos e perdas conforme as expectativas de oferta e demanda do cereal se ajustam.
O mercado brasileiro de trigo segue sensível a cotações externas, câmbio e logística interna, enquanto a Bolsa de Chicago continua a servir como referência global para investidores e agentes do setor agrícola.
Fonte: Portal do Agronegócio
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