Aveia, Trigo e Cevada

Trigo mantém mercado lento no Sul do Brasil, mas cenário internacional mostra valorização e sinais de recuperação

Preços do trigo seguem estáveis no Sul, enquanto alta global impulsionada por demanda externa e fatores climáticos reacende otimismo para os próximos meses


Publicado em: 26/01/2026 às 11:05hs

Trigo mantém mercado lento no Sul do Brasil, mas cenário internacional mostra valorização e sinais de recuperação
Foto: Embrapa
Ritmo lento marca o mercado de trigo no Sul do Brasil

O mercado de trigo nos estados do Sul do Brasil permanece em compasso de espera, com poucas negociações e forte influência das condições externas sobre os preços. Segundo levantamento da TF Agroeconômica, as operações seguem lentas no Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, refletindo tanto a diferença de competitividade entre origens quanto o baixo ritmo de moagem neste início de ano.

No Rio Grande do Sul, o trigo importado continua sendo um dos principais fatores de referência para a formação de preços. O produto paraguaio, conhecido pela boa qualidade, se mostra o mais competitivo em algumas regiões, especialmente no noroeste do estado, seguido pelo trigo uruguaio. Já o trigo argentino apresenta diferença de cerca de R$ 120 por tonelada em relação aos demais.

Com os moinhos abastecidos e a moagem reduzida em janeiro e fevereiro, os preços devem permanecer estáveis até março, com expectativa de leve recuperação a partir de abril. O trigo argentino é ofertado a US$ 253 CIF Canoas (R$ 1.358,61), enquanto o gaúcho aparece a R$ 1.180 CIF. O preço ao produtor segue em R$ 54 por saca em Panambi.

Santa Catarina mantém equilíbrio de preços e baixo ritmo de compras

Em Santa Catarina, o trigo gaúcho tem sido mais competitivo, chegando aos moinhos do Leste com valores entre R$ 1.230 e R$ 1.250 CIF, abaixo das ofertas locais, que variam de R$ 1.250 a R$ 1.300 FOB. No interior do estado, o mercado segue calmo, com fornecimento direto de produtores e cooperativas. Os preços de balcão variam de R$ 60 a R$ 65 por saca, dependendo da região.

No Paraná, moinhos focam em entregas e pagamentos

O mercado paranaense também apresenta lentidão nas negociações. Com as compras de janeiro já concluídas, os moinhos concentram-se nas entregas e nos pagamentos dos contratos firmados. O trigo paraguaio e o gaúcho seguem competitivos, enquanto o argentino mantém boa aceitação, com preço médio de US$ 250 nacionalizado no porto. Apesar da boa qualidade, o produto paraguaio enfrenta desafios logísticos que limitam sua participação.

Cenário global dá sinais de reação e sustenta otimismo

No cenário internacional, o mercado de trigo encerrou a semana com forte valorização, impulsionado por uma combinação de fatores: aumento da demanda externa, variação cambial e preocupações climáticas nas principais regiões produtoras.

Os contratos futuros negociados nas bolsas americanas e europeias registraram ganhos expressivos. Em Chicago, o trigo brando (SRW) com vencimento em março subiu 2,72%, enquanto em Kansas o trigo duro (HRW) avançou 2,85%. Em Minneapolis, o trigo HRS teve alta de 0,22%, e na Euronext de Paris, o trigo para moagem subiu 0,79%, encerrando a 191 euros por tonelada.

Demanda internacional e câmbio impulsionam os preços

O movimento de alta foi liderado por um relatório de vendas externas acima das expectativas, totalizando 618,1 mil toneladas. Além disso, a desvalorização de 1,65% do dólar frente ao euro aumentou a competitividade do trigo norte-americano no mercado global, em meio a uma oferta ainda considerada ampla.

A preocupação com as condições de seca nas áreas de trigo de inverno dos Estados Unidos — que já afeta cerca de 42% das lavouras — e os riscos de geadas no Meio-Oeste também deram suporte às cotações.

Geopolítica e perspectivas futuras para o setor

O cenário geopolítico segue no radar dos investidores, especialmente em relação às negociações no Mar Negro, região estratégica para o comércio mundial de grãos. A postura firme da Rússia sobre as condições para um novo acordo amplia as incertezas no mercado.

Com isso, no acumulado da semana, o trigo apresentou ganhos consistentes: 2,22% em Chicago, 2,56% em Kansas e 1,77% em Minneapolis, reforçando o sentimento de que o mercado pode iniciar um ciclo de recuperação nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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