Publicado em: 14/04/2026 às 11:10hs
O mercado de trigo segue em alta no Brasil, sustentado pela escassez de oferta e pela demanda ativa durante a entressafra. Ao mesmo tempo, o cenário internacional apresenta volatilidade, influenciado por fatores climáticos e tensões geopolíticas, enquanto os derivados do cereal mostram comportamentos distintos.
Os preços do trigo continuam em trajetória de alta no mercado interno brasileiro, mesmo diante da queda das cotações externas e da desvalorização do dólar frente ao real.
De acordo com o Cepea, o movimento é impulsionado principalmente pela necessidade de reposição de estoques por parte dos compradores e pela baixa disponibilidade de produto no mercado spot durante a entressafra.
Outro fator relevante é a postura mais retraída dos vendedores, que estão concentrados nas atividades da safra de verão, o que reduz ainda mais a liquidez e sustenta os preços em patamares elevados.
A restrição de oferta é mais evidente nos principais estados produtores da região Sul, onde o mercado segue firme e com pouca disponibilidade de produto.
No Rio Grande do Sul, o volume limitado de trigo disponível mantém pressão sobre os preços. Compradores têm aceitado reajustes sucessivos diante da dificuldade de encontrar produto. As negociações no interior variam entre R$ 1.250 e R$ 1.280 por tonelada, enquanto vendedores pedem entre R$ 1.300 e R$ 1.350.
No campo, o preço da saca também avançou, com destaque para a valorização registrada na região de Panambi.
Em Santa Catarina, a maior parte da oferta ainda é proveniente do estado gaúcho, com menor presença de produto local e do Paraná. O trigo gaúcho é negociado, em média, a R$ 1.300 FOB, com retirada prevista entre maio e junho.
No Paraná, o mercado segue mais travado. O câmbio abaixo de R$ 5,00 favorece a competitividade do trigo argentino, reduzindo o ritmo de negociações internas. Os preços giram entre R$ 1.300 e R$ 1.400 por tonelada, mas há dificuldade para fechamento de novos negócios.
Além da oferta restrita, o setor enfrenta desafios logísticos relevantes. Segundo o Cepea, há dificuldades no transporte, especialmente devido à concorrência com o escoamento da safra de soja.
Esse cenário tem impactado diretamente os moinhos, que relatam restrições no fluxo de recebimento do cereal, elevando custos operacionais e dificultando a reposição de estoques.
Os derivados do trigo registraram movimentos diferentes nas últimas semanas, refletindo as condições específicas de oferta e demanda.
O farelo de trigo apresentou queda nos preços, pressionado pelo aumento da oferta e pela menor demanda. Parte dos consumidores já está abastecida ou optou por substitutos na ração animal.
Por outro lado, os preços das farinhas seguem em alta, refletindo o encarecimento da matéria-prima e a necessidade de reposição por parte da indústria.
No cenário externo, os contratos futuros de trigo encerraram a última sessão em alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago.
O movimento foi impulsionado pela escalada das tensões no Oriente Médio, com preocupações sobre possíveis interrupções no fluxo de exportações pelo Estreito de Ormuz, o que elevou a aversão ao risco nos mercados.
Ao mesmo tempo, persistem incertezas climáticas nas Planícies dos Estados Unidos. Apesar das chuvas recentes, ainda há dúvidas sobre sua eficácia em reverter o quadro de seca em regiões produtoras.
A desvalorização do dólar frente a outras moedas também contribuiu para o avanço das cotações, ao aumentar a competitividade do trigo norte-americano no mercado global.
Segundo o USDA, as inspeções de exportação de trigo dos Estados Unidos somaram 320,8 mil toneladas na semana encerrada em 9 de abril, abaixo do volume registrado na semana anterior.
Apesar da queda semanal, o acumulado da safra 2025/26 já supera 21 milhões de toneladas, acima do registrado no mesmo período da temporada anterior.
Na CBOT, os contratos futuros do trigo encerraram com alta:
Diante da oferta restrita no Brasil, da demanda ativa e das incertezas no cenário internacional, a tendência é de manutenção dos preços firmes no curto prazo.
O mercado segue atento ao avanço da nova safra, ao comportamento do câmbio e aos desdobramentos climáticos e geopolíticos, que continuam sendo determinantes para a formação dos preços do trigo.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias