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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo: dólar e chuvas encarecem abastecimento no Sul, enquanto Chicago fecha em queda

Qualidade da safra brasileira preocupa moinhos e valoriza lotes superiores; no exterior, mercado acompanha negociações sobre o Mar Negro e plantio de inverno nos Estados Unidos


Publicado em: 28/10/2026 às 11:30hs

Trigo: dólar e chuvas encarecem abastecimento no Sul, enquanto Chicago fecha em queda

O mercado de trigo no Sul do Brasil enfrenta dificuldades de abastecimento diante da combinação entre valorização do dólar e problemas de qualidade da safra. Segundo a TF Agroeconômica, o câmbio encareceu as importações e elevou as pedidas de parte dos vendedores, enquanto as chuvas limitaram a disponibilidade de cereal com características adequadas à moagem.

No mercado internacional, os contratos futuros encerraram a sessão em baixa na Bolsa de Chicago (CBOT). As discussões sobre a segurança dos embarques pelo Mar Negro, o avanço do plantio norte-americano e a valorização do dólar frente a outras moedas pressionaram as cotações.

O cenário cria movimentos distintos: a queda externa pode favorecer as referências de importação, mas o câmbio e a escassez de lotes de melhor qualidade dificultam o alívio dos custos para os compradores brasileiros.

Qualidade do trigo preocupa no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, a TF Agroeconômica relata lotes da nova safra com baixo número de queda, conhecido como Falling Number (FN), e níveis elevados de desoxinivalenol (DON), micotoxina que exige atenção na avaliação da qualidade do cereal.

Os problemas aumentam a preocupação com a disponibilidade de trigo adequado ao processamento industrial.

O cereal argentino era indicado a US$ 320 por tonelada em Porto Alegre, referência considerada inferior às pedidas domésticas pela consultoria. Apesar desse quadro, o preço de balcão em Panambi recuou R$ 2, para R$ 73 por saca, mostrando diferenças entre as condições de negociação.

Dólar acrescenta R$ 170 por tonelada ao trigo importado em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a valorização cambial aumentou em aproximadamente R$ 170 por tonelada o custo do trigo importado, segundo o levantamento.

O estado também enfrenta problemas de qualidade, com preços variando conforme as características dos lotes. Nas praças acompanhadas, as referências ao produtor ficaram entre R$ 72 e R$ 80 por saca.

Para a temporada 2026/27, a Epagri estima redução de 35% na área cultivada e de 2,5% na produtividade. A produção projetada é de aproximadamente 243 mil toneladas, volume 37% inferior ao da safra anterior.

Paraná tem perdas de qualidade e possibilidade de ampliar importações

No Paraná, as chuvas dificultam a colheita e agravam os problemas de qualidade, com relatos de grãos brotados ainda no campo.

Segundo a TF Agroeconômica, circulam estimativas de mercado, ainda não confirmadas, de que o volume aproveitável de trigo tipo 1 poderia ficar próximo de 800 mil toneladas. Caso esse cenário se concretize, a consultoria avalia que o estado poderá precisar importar entre 1 milhão e 2 milhões de toneladas.

As referências informadas para o mercado paranaense foram:

  • Trigo tipo 1: R$ 1.650 por tonelada;
  • Trigo tipo 2: R$ 1.450 por tonelada, na modalidade CIF;
  • Trigo tipo 3: R$ 1.200 por tonelada, também CIF, com queda de R$ 100.

Na importação, houve registro de negócio com trigo argentino a US$ 300 por tonelada no porto. O produto paraguaio foi ofertado a US$ 330 por tonelada em Ponta Grossa, sem confirmação de venda. As referências correspondem a diferentes locais e condições de entrega.

Chicago recua com atenção aos embarques pelo Mar Negro

Na Bolsa de Chicago, o trigo foi pressionado pelas discussões sobre medidas para garantir a segurança do transporte de grãos pelo Mar Negro.

Uma eventual melhora nas condições de embarque pode facilitar o acesso da produção regional ao mercado internacional e ampliar a concorrência entre exportadores.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Alexander Alimov, afirmou que o país avalia propostas e mantém contato com a Turquia. Apesar das conversas, declarou não identificar, por enquanto, perspectivas de retomada do acordo de grãos.

A valorização internacional do dólar também contribuiu para a pressão sobre Chicago, ao tornar o trigo norte-americano mais caro para compradores que utilizam outras moedas.

Plantio de trigo de inverno nos EUA chega a 76%

Outro fator acompanhado pelos operadores é a semeadura do trigo de inverno nos Estados Unidos. Segundo o Departamento de Agricultura norte-americano (USDA), o plantio alcançou 76% da área prevista até 25 de outubro.

O resultado representa avanço sobre os 63% da semana anterior e está próximo da média de 77% dos últimos cinco anos.

Nesse contexto, o contrato com vencimento em dezembro fechou a US$ 6,1025 por bushel, queda de 5 centavos de dólar, ou 0,81%. O vencimento março de 2027 encerrou a US$ 6,23 por bushel, recuo de 6,25 centavos, equivalente a 0,99%.

Câmbio e qualidade seguem decisivos para o mercado brasileiro

No Brasil, a evolução da colheita e a qualidade dos lotes disponíveis serão determinantes para as próximas negociações. Mesmo com preços internacionais menores, a valorização do dólar pode limitar a redução do custo do cereal importado.

Para os moinhos, o desafio é assegurar matéria-prima com as características exigidas pelo processamento. Para os produtores, a diferenciação por qualidade tende a continuar influenciando as oportunidades de comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

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