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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo: baixa demanda derruba preços no Sul enquanto Chicago dispara com temor sobre safra europeia e relatório do USDA

Mercado brasileiro segue pressionado pelo consumo fraco e pela cautela dos moinhos, enquanto cenário internacional impulsiona as cotações com preocupações climáticas na Europa e expectativa de redução dos estoques de trigo nos Estados Unidos.


Publicado em: 10/07/2026 às 11:40hs

Trigo: baixa demanda derruba preços no Sul enquanto Chicago dispara com temor sobre safra europeia e relatório do USDA

O mercado de trigo iniciou o dia dividido entre dois cenários distintos. Enquanto no Brasil a baixa demanda continua pressionando os preços, especialmente na Região Sul, o mercado internacional registrou forte valorização na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionado pelos riscos climáticos na Europa e pela expectativa de redução dos estoques norte-americanos no relatório mensal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

A combinação entre consumo interno enfraquecido, moagem reduzida e fatores climáticos internacionais mantém produtores, cooperativas e indústrias atentos aos próximos movimentos do mercado.

Mercado de trigo segue lento no Sul do Brasil

Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado brasileiro permanece com baixo volume de negociações, reflexo da demanda reduzida por farinha e farelo e das restrições no consumo das famílias.

No Rio Grande do Sul, os preços seguem em trajetória de acomodação. Após negócios próximos de R$ 1.350 por tonelada até meados de junho, as negociações passaram para R$ 1.330 e R$ 1.320 por tonelada, chegando recentemente a R$ 1.300 para retirada em agosto.

A moagem continua operando em ritmo reduzido diante do consumo enfraquecido, limitando novas compras por parte dos moinhos.

Mesmo com o cenário de preços mais baixos, o mercado acompanha com preocupação o planejamento da próxima safra.

Próxima safra preocupa produtores gaúchos

Além dos preços pouco atrativos, produtores enfrentam custos elevados de produção, risco climático associado ao possível retorno do fenômeno El Niño e preocupação com maior incidência de DON (Deoxinivalenol), micotoxina que compromete a qualidade dos grãos.

Cooperativas das regiões Central e Noroeste do Rio Grande do Sul já relatam possibilidade de redução de até 40% na área destinada ao trigo, embora ainda sem confirmação oficial.

A Emater-RS projeta uma produção de aproximadamente 2,2 milhões de toneladas na próxima safra, significativamente inferior às cerca de 3,8 a 4 milhões de toneladas registradas anteriormente. Caso essa estimativa se confirme, o estado poderá enfrentar déficit preliminar de aproximadamente 1,9 milhão de toneladas.

No mercado de balcão, entretanto, houve leve valorização em algumas regiões. Em Panambi, por exemplo, a cotação alcançou R$ 70,02 por saca.

Santa Catarina mantém mercado travado

Em Santa Catarina, o mercado também permanece lento.

Os produtores continuam retraídos, aguardando melhores preços antes de negociar novos volumes.

Durante a semana houve movimentação de trigo oriundo do Rio Grande do Sul, negociado a R$ 1.350 FOB para trigo tipo 1 e R$ 1.240 FOB para trigo tipo 2.

No mercado de balcão, as cotações permaneceram praticamente estáveis, com exceção de Chapecó, onde foi registrada leve alta.

Paraná amplia importações de trigo paraguaio

No Paraná, a recente valorização do real frente ao dólar favoreceu a entrada de trigo importado do Paraguai.

Diversos moinhos aproveitaram o câmbio mais favorável para ampliar compras externas, enquanto as negociações domésticas continuam acontecendo apenas de forma pontual.

O trigo disponível é negociado, em média, a R$ 1.450 por tonelada CIF.

Nos Campos Gerais foram comercializadas entre 8 mil e 10 mil toneladas ao longo da semana. Já na região Norte do estado, as indicações variaram entre R$ 1.520 e R$ 1.530 por tonelada posto moinho.

Para a safra 2026/27 ainda não há liquidez significativa. As indicações giram ao redor de R$ 1.400 CIF para entrega entre o final de agosto e setembro.

Chicago sobe quase 2% com preocupação sobre safra europeia

Enquanto o mercado brasileiro segue pressionado, os contratos futuros do trigo registraram forte valorização na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira.

O principal fator foi a intensificação das preocupações com o calor excessivo nas principais regiões produtoras da União Europeia, especialmente na França, elevando o risco de perdas na produção do bloco.

Além do clima, investidores ajustaram posições antes da divulgação do relatório mensal de oferta e demanda do USDA, considerado um dos principais indicadores para o mercado global de grãos.

Analistas esperam redução dos estoques finais de trigo dos Estados Unidos na safra 2026/27.

As projeções apontam estoques de aproximadamente 710 milhões de bushels, abaixo dos 744 milhões estimados anteriormente.

No cenário mundial, a expectativa também é de leve redução nos estoques globais, passando de 275,4 milhões para cerca de 273,2 milhões de toneladas.

Oferta mundial continua ampla

Apesar da valorização registrada em Chicago, o mercado segue monitorando a ampla oferta global.

Na Argentina, a Bolsa de Comércio de Rosário elevou sua estimativa para a safra 2026/27 para 20,5 milhões de toneladas.

Ao mesmo tempo, a expectativa de mais uma grande produção na Rússia continua reforçando a disponibilidade mundial do cereal, fator que limita movimentos de alta mais intensos.

Outro ponto observado pelos investidores é que a pressão típica da colheita norte-americana começa a perder força. Com aproximadamente 59% da área de trigo de inverno já colhida, o mercado passa novamente a concentrar atenção nos fundamentos de oferta e demanda.

Exportações dos EUA permanecem dentro das expectativas

Os dados semanais do USDA mostraram vendas líquidas de trigo da safra 2026/27 de 313,1 mil toneladas na semana encerrada em 2 de julho.

A Coreia do Sul foi o principal comprador, adquirindo cerca de 101 mil toneladas.

Embora o volume tenha ficado próximo do limite inferior esperado pelo mercado, os números contribuíram para manter o foco dos investidores na expectativa de menor oferta futura.

Cotações encerram em forte alta

Ao final do pregão, os contratos futuros apresentaram ganhos consistentes.

O vencimento para setembro encerrou cotado a US$ 6,19¾ por bushel, com valorização de 12 centavos, equivalente a 1,97%.

Já o contrato para dezembro fechou a US$ 6,34 por bushel, alta de 10,75 centavos, ou 1,72%.

Perspectivas para o mercado do trigo

O mercado de trigo permanece dividido entre a fraqueza da demanda interna brasileira e o fortalecimento dos fundamentos internacionais.

No Brasil, o consumo reduzido, a cautela dos moinhos e as incertezas sobre a próxima safra continuam limitando a recuperação dos preços.

No exterior, entretanto, fatores climáticos, possíveis cortes nos estoques norte-americanos e a divulgação do relatório do USDA podem manter elevada a volatilidade das cotações nas próximas sessões, influenciando diretamente a formação dos preços do cereal também no mercado brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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