Publicado em: 30/03/2026 às 11:30hs
O mercado de trigo registra avanço nos preços tanto no Brasil quanto no cenário internacional, impulsionado pela combinação de oferta limitada, demanda aquecida e preocupações climáticas nas principais regiões produtoras. No Sul do país, a escassez de trigo de qualidade reforça o movimento de alta, enquanto fatores externos seguem dando sustentação às cotações.
O mercado brasileiro apresenta recuperação nos preços, especialmente na Região Sul, onde as negociações seguem pontuais e estratégicas. Compradores buscam garantir abastecimento futuro diante da menor disponibilidade de trigo de melhor qualidade.
No Rio Grande do Sul, os moinhos voltaram a pagar entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, conforme o prazo de entrega, com indicações mais firmes para maio. A avaliação predominante é de que os patamares mais baixos dificilmente devem retornar.
A valorização é sustentada pela escassez de produto de qualidade, agravada por problemas na safra argentina. Nesse contexto, os lotes ainda disponíveis tendem a ser mais valorizados. Em Panambi, o preço pago ao produtor subiu para R$ 57,00 por saca.
Em Santa Catarina, o abastecimento segue baseado no trigo gaúcho, negociado ao redor de R$ 1.200 por tonelada, acrescido de frete e ICMS. O produto local gira próximo de R$ 1.300 CIF, embora com menor disponibilidade.
Os preços de balcão permanecem estáveis na maioria das regiões, com variações pontuais, incluindo alta em Xanxerê.
No Paraná, o mercado segue firme, porém com ritmo mais lento de negócios. As negociações estão concentradas em contratos com prazos mais longos, enquanto produtores priorizam a colheita de soja e milho.
Os preços variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada no Norte do estado, enquanto nos Campos Gerais ficam próximos de R$ 1.300 CIF.
As projeções para a próxima safra indicam redução na área plantada e na produtividade, o que deve manter o suporte às cotações no médio prazo.
As estimativas apontam queda de 6% na área cultivada e recuo de 12% na produção, com volume projetado em 2,53 milhões de toneladas.
No mercado externo, não houve oferta de trigo argentino na semana, reforçando o cenário de restrição. O produto paraguaio foi cotado entre US$ 260 e US$ 262 por tonelada, posto em Ponta Grossa.
No cenário global, o trigo encerrou a semana com leve valorização, sustentado principalmente pela demanda internacional aquecida e pelas incertezas climáticas.
Entre os destaques, a compra de aproximadamente 700 mil toneladas pela Argélia, a preços superiores aos registrados anteriormente, contribuiu para dar suporte às cotações.
Nos Estados Unidos, o relatório semanal do USDA apontou vendas de 397,2 mil toneladas, próximas ao limite superior das expectativas do mercado.
O volume acumulado da safra 2025/26 já supera em cerca de 15% o registrado no mesmo período do ano anterior, com participação relevante de países asiáticos e do México.
Ao mesmo tempo, o clima segue como fator de risco. Cerca de 57% das áreas de trigo de inverno enfrentam condições de seca, o que pode comprometer a produtividade, já que essa cultura representa a maior parte da produção norte-americana.
Outros fatores continuam influenciando o mercado global, como os conflitos no Oriente Médio e na região do Mar Negro, que mantêm elevado o nível de incerteza logística.
Além disso, o aumento nos custos de fertilizantes pode impactar o plantio, especialmente no Hemisfério Sul, enquanto há expectativas de redução da área plantada nos Estados Unidos e menor produção na Europa.
Por outro lado, a valorização do dólar, a realização de lucros por fundos de investimento e a previsão de chuvas nas Grandes Planícies dos EUA limitaram avanços mais expressivos nas cotações.
No curto prazo, o mercado de trigo deve seguir em movimento lateral, com leve viés de alta. O equilíbrio entre oferta restrita e demanda firme, aliado às incertezas climáticas e geopolíticas, mantém a sustentação dos preços no Brasil e no cenário internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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