Publicado em: 20/05/2024 às 19:20hs
As condições climáticas desfavoráveis no Hemisfério Norte têm sustentado a alta dos preços do trigo, impactando também o mercado interno brasileiro. Durante o período de entressafra do trigo nacional, a sazonalidade da importação tem sido um fator crucial para o aumento das cotações locais.
No mercado interno, o mês de abril terminou com o trigo no Rio Grande do Sul cotado em média a R$ 1.218 por tonelada, um aumento de 4,1% em 30 dias. No Paraná, os preços subiram 3,7%, encerrando abril em R$ 1.288 por tonelada. Essas altas foram impulsionadas pela paridade de importação, combinando preços internacionais e câmbio, ambos em ascensão.
As lavouras americanas de trigo estão sofrendo com a estiagem, com cerca de 30% das plantações de trigo de inverno em déficit hídrico até a primeira semana de maio, segundo o monitor do USDA. Na Rússia, maior exportador global do cereal, as condições de seca no sudeste do país também preocupam. Essas adversidades, juntamente com a redução dos estoques globais, têm mantido os preços do trigo em alta nas bolsas internacionais. Entre o início de abril e 15 de maio, o preço do bushel na bolsa americana subiu 19,7%, ultrapassando USD 6,6.
Apesar das incertezas climáticas, o atual cenário oferece janelas de oportunidade para produtores que utilizam ferramentas de gestão de risco. Durante a entressafra no Brasil, os preços internos tendem a seguir a paridade de importação. Para os produtores, o momento atual pode ser propício para fixações da safra 2024/25, considerando que ainda é cedo para quantificar as perdas nas lavouras do Hemisfério Norte. Eventuais melhorias nas condições climáticas podem recuperar as plantações americanas e russas, influenciando os preços internacionais.
Além disso, os preços do trigo estão interligados aos do milho, ambos substitutos na formulação de ração animal. Se a oferta de trigo melhorar, é provável que os preços sigam a tendência dos preços do milho.
No Brasil, o plantio de trigo para 2024 avança mais lentamente no Paraná, segundo maior produtor do cereal, com apenas 27% da área semeada, contra 39% no ano passado. No Rio Grande do Sul, maior produtor nacional, as chuvas intensas em junho causaram estragos nas infraestruturas logísticas e maquinários, impactando o início das operações de plantio. As enchentes também afetaram as reservas de nutrientes do solo, elevando os custos da operação agrícola e atrasando a instalação das culturas.
Diante desse cenário, os produtores brasileiros enfrentam desafios adicionais para garantir a produtividade e atender à crescente demanda interna e externa por trigo.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias