Publicado em: 18/03/2024 às 11:10hs
No cenário atual do mercado de trigo brasileiro, as transações comerciais envolvendo o cereal nacional permanecem estáticas, como ressalta o analista Elcio Bento, da Safras & Mercado. Os moinhos locais estão bem supridos, o que resulta em baixo interesse de compra, enquanto os produtores adotam uma postura defensiva, aguardando possíveis mudanças no panorama.
Enquanto isso, os produtores que trabalham com trigo destinado à alimentação animal optam por exportar suas últimas cargas a preços mais competitivos no mercado internacional, aproveitando a janela de exportação antes da entrada da safra de soja.
Bento destaca a importância de observar as movimentações externas, especialmente diante de duas situações específicas. Primeiramente, ressalta-se a manutenção dos preços atrativos do trigo russo, negociado a US$ 209 por tonelada no FOB do Mar Negro. Em segundo lugar, destaca-se o bloqueio da fronteira entre a Polônia e a Ucrânia, levado a cabo pelos produtores poloneses. Essa interrupção no fluxo habitual de exportação levou o trigo ucraniano a buscar rotas alternativas, principalmente através da Europa, resultando em preços extremamente competitivos, com indicação FOB de US$ 197,50 por tonelada, o mais baixo do mundo.
Por fim, observa-se uma leve alta nos preços do trigo argentino, de US$ 210 para US$ 215 por tonelada. Esse movimento, segundo Bento, requer atenção próxima, pois terá impacto direto nos preços internos brasileiros. Além disso, o fortalecimento do câmbio contribui para elevar as paridades com o país vizinho. A título de exemplo, nos preços atuais, para competir com o trigo argentino no CIF de Curitiba, produtores paranaenses poderiam vender a cerca de R$ 1.250 por tonelada no FOB, enquanto os gaúchos, a R$ 1.234 por tonelada no interior.
Fonte: Portal do Agronegócio
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