Preço do trigo sobe até 11,6% em setembro com preocupação sobre qualidade da safra
Chuvas no Sul sustentam cotações dos lotes adequados à moagem; mercado encerra o mês com baixa liquidez e maior diferença entre trigo industrial e produto para ração
Publicado em: 05/10/2026 às 18:40hs
A qualidade da nova safra passou a orientar as negociações de trigo no Brasil durante setembro, sustentando os preços em importantes praças do Sul. A expectativa inicial de maior pressão sobre as cotações com o avanço da colheita no Paraná perdeu força diante das chuvas e das dúvidas sobre o padrão dos grãos.
Segundo Thiago Oleto, analista da Safras & Mercado, o mercado encerrou o mês com valorização do trigo físico em diversas regiões, mas ainda com baixa liquidez. A diferenciação entre lotes adequados à indústria de moagem e produtos de qualidade inferior também aumentou.
Entre 2 e 29 de setembro, a referência de compra em Curitiba avançou de R$ 1.460 para R$ 1.630 por tonelada, alta de aproximadamente 11,6%, a maior entre as quatro praças destacadas no levantamento.
Colheita no Paraná avança, mas qualidade limita pressão sobre preços
No início de setembro, o avanço da colheita paranaense ampliava a disponibilidade de trigo e alimentava a expectativa de preços menores. As referências estavam próximas de R$ 1.500 por tonelada CIF para entrega imediata, R$ 1.450 para outubro e R$ 1.400 para novembro.
Ao longo do mês, entretanto, as condições climáticas mudaram a percepção dos agentes. As chuvas levantaram dúvidas sobre produtividade e, principalmente, sobre a qualidade industrial da produção.
Perto da metade de setembro, surgiram relatos de problemas em alguns lotes, inclusive associados à brusone. Em regiões com limitações de armazenagem após a boa safra de milho, também houve pressão pontual de venda.
Mesmo assim, a evolução da colheita não provocou o recuo de preços inicialmente esperado. Em 22 de setembro, 46% da área estava colhida. No fechamento do mês, o percentual chegou a 62%, deixando 38% das lavouras ainda no campo.
Com as interrupções nos trabalhos e a preocupação com o padrão dos grãos, os lotes de melhor qualidade ganharam sustentação. No Sudoeste do Paraná, as ofertas encerraram setembro próximas de R$ 1.600 por tonelada.
Demanda dos moinhos fortalece mercado no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, a disponibilidade limitada de trigo da safra anterior manteve o mercado firme desde o começo do mês. Inicialmente, as indicações de compra estavam próximas de R$ 1.355 por tonelada na origem, na modalidade FOB, enquanto vendedores pediam entre R$ 1.400 e R$ 1.500.
Na segunda metade de setembro, a melhora da demanda dos moinhos facilitou as negociações. Segundo Oleto, lotes próximos de R$ 1.500 por tonelada passaram a encontrar compradores com maior facilidade.
Ao final do mês, a atenção também se voltou à qualidade da nova produção. A colheita gaúcha ainda era inferior a 1% da área, e os primeiros lotes apresentavam peso hectolítrico (PH) entre 73 e 80, com maior concentração próxima de 77.
Os volumes disponíveis, porém, ainda não permitiam determinar o padrão médio da safra.
Chuvas interrompem trabalhos perto da maturação
Acumulados de chuva entre 40 e 200 milímetros interromperam a colheita no Rio Grande do Sul quando aproximadamente 20% a 25% das áreas se aproximavam da maturação.
Na avaliação de Oleto, o risco está na possibilidade de haver trigo disponível em volume, mas uma oferta mais limitada de grãos com características adequadas à moagem.
Essa distinção ajuda a explicar por que o avanço da colheita não resulta, necessariamente, em preços menores para os lotes procurados pela indústria.
Cotações sobem nas principais praças acompanhadas
Além de Curitiba, outras referências registraram valorização entre 2 e 29 de setembro. Em Maringá, o preço de compra passou de R$ 1.400 para R$ 1.530 por tonelada, avanço de aproximadamente 9,3%.
Em Carazinho, a referência subiu de R$ 1.360 para R$ 1.500 por tonelada, alta de cerca de 10,3%. Em Porto Alegre, na modalidade CIF, passou de R$ 1.440 para R$ 1.580, valorização de aproximadamente 9,7%.
O trigo destinado à alimentação animal seguiu uma trajetória diferente. No fechamento de setembro, as indicações nominais em Carazinho e Santa Rosa estavam em R$ 769 por tonelada.
A distância entre essas referências evidencia o peso da qualidade na formação dos preços: enquanto os lotes adequados à moagem ganharam valor, o trigo para ração permaneceu depreciado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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