Aveia, Trigo e Cevada

Preço do trigo segue firme no Brasil mesmo com pressão do mercado internacional e avanço da colheita global

Oferta restrita no Sul sustenta cotações, enquanto Bolsa de Chicago recua diante de perspectivas de safra favoráveis no Hemisfério Norte


Publicado em: 15/06/2026 às 11:45hs

Preço do trigo segue firme no Brasil mesmo com pressão do mercado internacional e avanço da colheita global
Foto: CNA

O mercado brasileiro de trigo continua demonstrando resistência às pressões baixistas observadas no cenário internacional. Enquanto as cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) recuam diante do avanço da colheita no Hemisfério Norte e da expectativa de maior oferta global, a oferta limitada do cereal no Brasil mantém os preços sustentados, especialmente nos estados do Sul.

Levantamentos da TF Agroeconômica apontam que a disponibilidade reduzida de trigo no mercado interno, associada à necessidade de importações para atender a demanda da indústria moageira, segue dando suporte às cotações domésticas. O cenário é mais evidente no Rio Grande do Sul, onde produtores mantêm postura firme nas negociações diante da expectativa de escassez até a entrada da nova safra.

Oferta restrita impulsiona preços no Sul do país

No Rio Grande do Sul, a procura continua concentrada em lotes de trigo com maior força de glúten (W elevado), utilizados para produção de farinhas de melhor qualidade. A estimativa é de que existam cerca de 210 mil toneladas disponíveis no estado, enquanto a necessidade de importação pode alcançar 240 mil toneladas nos próximos meses.

Esse desequilíbrio entre oferta e demanda tem aproximado os preços internos da paridade de importação. Com o trigo argentino chegando a Canoas ao redor de US$ 300 por tonelada, os valores pagos pelos moinhos gaúchos registraram avanço.

Os negócios para embarque entre junho e julho foram negociados em torno de R$ 1.350 por tonelada FOB, enquanto operações para julho e agosto chegaram a R$ 1.370 por tonelada. Para agosto, os preços alcançam até R$ 1.400 por tonelada FOB.

Os valores CIF para trigo de melhor qualidade variam entre R$ 1.480 e R$ 1.500 por tonelada, enquanto lotes de qualidade intermediária são negociados entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada.

Santa Catarina e Paraná também registram firmeza nas negociações

Em Santa Catarina, foram registrados negócios de trigo pão a R$ 1.360 por tonelada FOB e trigo melhorador a R$ 1.400 FOB. Os preços permanecem competitivos frente ao cereal importado, reforçando a firmeza do mercado regional.

Já no Paraná, as negociações ocorreram em níveis de R$ 1.420 por tonelada CIF nos Campos Gerais e R$ 1.480 CIF na região Norte do estado. Apesar disso, o ritmo dos negócios segue lento, já que muitos vendedores optam por reter o produto diante da expectativa de novas valorizações.

Para a safra 2026, as indicações de mercado variam entre R$ 1.320 e R$ 1.350 por tonelada FOB, com perspectiva de avanço caso a oferta continue apertada.

Chicago recua com colheita avançando nos principais produtores

No mercado internacional, o cenário permanece mais pressionado. Os contratos futuros do trigo iniciaram a semana em queda na Bolsa de Chicago, refletindo o avanço da colheita de inverno nos Estados Unidos e as boas condições das lavouras em importantes regiões produtoras.

Os investidores acompanham também a evolução da safra na Europa e na região do Mar Negro, onde as perspectivas de produtividade seguem favoráveis. A expectativa de estoques globais mais confortáveis continua limitando movimentos de recuperação das cotações.

Embora o contrato julho de 2026 tenha conseguido interromper duas semanas consecutivas de perdas recentemente, os analistas ainda observam uma tendência predominantemente lateral a baixista no mercado internacional.

Além da maior oferta global, pesam sobre as cotações o ritmo mais lento das exportações norte-americanas, a redução das áreas afetadas por seca nos Estados Unidos e a possibilidade de ampliação da participação da Rússia no mercado asiático, especialmente na China.

Produção menor no Brasil reforça sustentação dos preços

Outro fator que fortalece o mercado brasileiro é a revisão para baixo da produção nacional. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reduziu sua estimativa para a safra de trigo de 6,39 milhões para 6,30 milhões de toneladas.

O volume projetado permanece significativamente abaixo das 7,87 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior, cenário que contribui para a redução dos estoques finais e aumenta a dependência das importações.

No Paraná, os indicadores de mercado continuam apontando tendência de valorização moderada, impulsionada pela demanda por farinhas especiais e de maior qualidade. No Rio Grande do Sul, embora os moinhos enfrentem margens mais apertadas, a limitação da oferta disponível segue impedindo quedas significativas nos preços.

Clima e safra de inverno seguem no radar

As atenções do mercado agora se voltam para o desenvolvimento da nova safra de inverno no Sul do Brasil. As condições climáticas das próximas semanas serão determinantes para consolidar o potencial produtivo das lavouras e influenciar diretamente a formação dos preços ao longo do segundo semestre.

Além disso, o setor acompanha os desdobramentos das políticas agrícolas da Argentina. O governo do país anunciou reduções nas alíquotas de exportação de grãos e sinalizou novos cortes até 2028, medida que pode estimular o plantio e ampliar a oferta de trigo na América do Sul nos próximos anos.

Diante desse cenário, o mercado brasileiro deve continuar operando em uma dinâmica própria, sustentado pela oferta restrita e pela necessidade de abastecimento interno, mesmo em meio à pressão baixista observada nas bolsas internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

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