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Aveia, Trigo e Cevada

Preço do trigo segue firme no Brasil com oferta restrita da safra velha e baixa liquidez no mercado

Escassez de trigo de melhor qualidade, postura cautelosa de produtores e necessidade de importações sustentam as cotações durante a entressafra, apesar do ritmo lento dos negócios.


Publicado em: 10/07/2026 às 16:00hs

Preço do trigo segue firme no Brasil com oferta restrita da safra velha e baixa liquidez no mercado

O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com preços sustentados pela reduzida disponibilidade da safra velha e pelo baixo volume de negociações típico do período de entressafra. A combinação entre oferta limitada, demanda moderada dos moinhos e necessidade de importações continua dando suporte às cotações no mercado interno, especialmente para os lotes de melhor qualidade.

Segundo análise de Safras & Mercado, o ambiente permaneceu equilibrado, mas com pouca liquidez. Produtores seguem retraídos na comercialização, enquanto os moinhos mantêm compras pontuais diante da dificuldade em repassar o aumento do custo da matéria-prima para os preços da farinha.

Escassez de trigo de qualidade mantém mercado sustentado

De acordo com o analista Elcio Bento, a principal característica do mercado nesta semana foi a baixa disponibilidade de trigo da safra velha, especialmente de lotes com padrão de qualidade superior.

A oferta restrita mantém os preços firmes, mesmo com o ritmo reduzido das negociações.

"O mercado permaneceu equilibrado, porém pouco dinâmico, sustentado principalmente pela escassez de trigo de melhor qualidade", destaca o analista.

Paraná registra estabilidade nas negociações

No Paraná, as cotações apresentaram poucas alterações ao longo da semana.

Os preços do trigo pão permaneceram entre R$ 1.450 e R$ 1.500 por tonelada CIF moinho, embora negócios na faixa superior continuem limitados pela resistência dos compradores.

Para lotes destinados ao Norte do Estado, com qualidade superior, as indicações seguiram entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada CIF.

Na semana encerrada em 2 de julho, a média dos preços FOB no interior paranaense ficou em R$ 1.397 por tonelada, recuo de 0,7% em relação à semana anterior e de 2,3% frente ao mês anterior.

Apesar dessas oscilações recentes, o mercado acumula valorização de 19% em 2026, demonstrando a firmeza das cotações ao longo do ano.

Segundo Bento, os moinhos continuam acompanhando o desenvolvimento das lavouras da nova safra, mas ainda evitam antecipar compras de maior volume.

Rio Grande do Sul enfrenta forte restrição de oferta

No Rio Grande do Sul, o mercado segue ainda mais dependente da disponibilidade de trigo com baixos níveis de DON (Deoxinivalenol), característica altamente valorizada pela indústria moageira.

Com pouca oferta desse produto, os moinhos concentraram suas aquisições em lotes de melhor padrão.

As indicações permaneceram entre R$ 1.300 e R$ 1.330 por tonelada FOB no interior, enquanto as referências para entrega imediata ficaram próximas de R$ 1.350 por tonelada CIF Porto Alegre, com registros pontuais alcançando R$ 1.400 por tonelada.

Já os lotes com problemas de qualidade continuaram sendo negociados com descontos expressivos, variando entre R$ 1.285 e R$ 1.315 por tonelada FOB, dependendo das características do cereal.

Importações, dólar e bolsas internacionais dão suporte aos preços

Além da oferta limitada da safra velha, outros fatores seguem sustentando o mercado brasileiro de trigo.

Entre eles estão:

necessidade de importações durante a entressafra;

  • recuperação recente das cotações do trigo nas bolsas norte-americanas;
  • câmbio ainda em patamar superior ao observado no mês anterior;
  • baixa disponibilidade de trigo de alta qualidade.

Esses elementos impedem uma queda mais acentuada dos preços, mesmo diante da menor liquidez observada nas negociações.

Perspectivas para o mercado de trigo

A expectativa é que o mercado permaneça com poucos negócios nas próximas semanas, enquanto produtores e compradores seguem distantes na formação de preços.

Os agentes também acompanham a evolução das lavouras da nova safra, que deverá definir o comportamento das cotações no segundo semestre.

Até lá, a combinação entre oferta restrita, demanda cautelosa e necessidade de abastecimento da indústria deverá continuar sustentando os preços do trigo no mercado brasileiro, especialmente para os lotes de melhor qualidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

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