Publicado em: 08/07/2026 às 11:00hs
O mercado brasileiro de trigo iniciou a semana sob pressão, refletindo a combinação de demanda enfraquecida, baixa liquidez e compras cada vez mais seletivas por parte da indústria moageira. Nos três principais estados produtores da Região Sul — Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná —, os negócios permanecem limitados, enquanto a queda do dólar também reduz a competitividade do cereal nacional frente ao produto importado.
De acordo com análise da TF Agroeconômica, o recuo da moeda norte-americana diminuiu em aproximadamente R$ 15 por tonelada o custo do trigo importado, aumentando a pressão sobre o mercado doméstico e dificultando a recuperação dos preços pagos ao produtor.
No Rio Grande do Sul, o volume negociado durante a semana foi estimado em apenas 12 mil toneladas, evidenciando o ritmo lento das negociações. A maior parte dos moinhos permanece abastecida para julho, restringindo novas compras e contribuindo para um ambiente de leve queda nas cotações.
Até meados de junho, o trigo pão era negociado no interior gaúcho ao redor de R$ 1.350 por tonelada. Nas semanas seguintes, as indicações recuaram para uma faixa entre R$ 1.320 e R$ 1.330, chegando atualmente a aproximadamente R$ 1.300 por tonelada para retirada em agosto.
A moagem também segue abaixo do esperado, reflexo de um consumo interno enfraquecido. Segundo a análise de mercado, a perda do poder de compra das famílias e mudanças nos hábitos de consumo, especialmente entre consumidores de maior renda, continuam reduzindo a demanda por derivados de trigo.
Além do cenário de preços comprimidos, os produtores gaúchos avaliam com preocupação o elevado custo de produção e os riscos climáticos para a próxima temporada.
Entre os fatores que aumentam a cautela estão:
Cooperativas das regiões Central e Noroeste do Rio Grande do Sul já relatam possibilidade de redução de até 40% da área cultivada, embora os números ainda não tenham confirmação oficial.
A estimativa da Emater-RS aponta produção próxima de 2,2 milhões de toneladas, bem abaixo das cerca de 3,8 a 4 milhões de toneladas registradas na safra anterior. Com isso, o estado poderá enfrentar déficit próximo de 1,9 milhão de toneladas, ampliando a necessidade de importações.
Apesar da pressão no mercado físico, algumas praças apresentaram leve valorização. Em Panambi, por exemplo, o preço de balcão avançou para R$ 70,02 por saca.
Em Santa Catarina, a comercialização também permanece travada. Produtores seguem retraídos, aguardando melhores oportunidades de venda, enquanto compradores mantêm postura cautelosa.
Negócios envolvendo trigo gaúcho destinados ao mercado catarinense foram registrados a:
A única oferta catarinense observada durante a semana foi de trigo branco a R$ 1.400 por tonelada, sem registro de compradores interessados.
No mercado de balcão, os preços permaneceram praticamente estáveis, com exceção de Chapecó, onde houve alta para R$ 71,00 por saca.
No Paraná, os moinhos continuam priorizando a aquisição de trigo paraguaio, principalmente em função da disponibilidade de lotes com qualidade e volume adequados às necessidades da indústria.
As compras de trigo nacional seguem restritas a oportunidades específicas, com ofertas médias ao redor de R$ 1.450 por tonelada CIF.
Nos Campos Gerais, o volume negociado ficou entre 8 mil e 10 mil toneladas durante a semana. Já na região Norte do estado, as indicações variaram entre R$ 1.520 e R$ 1.530 por tonelada, posto moinho, em um cenário de oferta limitada.
Para a nova safra, o mercado ainda apresenta pouca movimentação. As referências giram em torno de R$ 1.400 por tonelada CIF moinho, para entregas previstas entre o final de agosto e setembro.
O mercado brasileiro de trigo continua operando sob influência da baixa demanda da indústria, da concorrência do cereal importado e da cautela dos produtores quanto ao plantio da próxima safra.
Enquanto o consumo interno não apresentar sinais mais consistentes de recuperação e os moinhos permanecerem abastecidos, o mercado tende a seguir com negociações pontuais e preços pressionados. Ao mesmo tempo, uma eventual redução da área cultivada no Sul poderá alterar o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses, elevando a dependência brasileira das importações.
Fonte: Portal do Agronegócio
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