Publicado em: 22/06/2026 às 10:30hs
O plantio do trigo no Rio Grande do Sul segue em ritmo heterogêneo, influenciado pelas variações climáticas registradas nos últimos dias. Em áreas com melhor distribuição de chuvas, a semeadura foi retomada com normalidade, enquanto regiões com precipitações mais frequentes enfrentaram janelas curtas de tempo seco para a operação no campo.
Os dados constam no Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (18/06). De modo geral, as lavouras com boa disponibilidade hídrica e temperaturas adequadas apresentam estabelecimento satisfatório e desenvolvimento inicial dentro do esperado.
Em contrapartida, em áreas com maior estabilidade do tempo, o excesso de umidade no solo, aliado à alta nebulosidade e à elevada umidade relativa do ar, tem limitado o avanço das máquinas e o progresso da semeadura.
A estimativa oficial da área cultivada com trigo na Safra 2026 ainda está em fase de levantamento pela Emater/RS-Ascar, com divulgação prevista para a próxima segunda-feira (22/06).
Na safra anterior, o Rio Grande do Sul registrou 1.166.163 hectares cultivados, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção total de 3.458.083 toneladas, conforme dados do IBGE.
Na região administrativa de Santa Rosa, a umidade do solo tem favorecido a germinação e o estabelecimento inicial das plantas. Apesar disso, o desenvolvimento vegetativo é considerado abaixo do esperado em algumas áreas, reflexo da baixa incidência de radiação solar, que reduz a evapotranspiração e limita a absorção de nutrientes.
A Emater destaca ainda a adoção de menor nível tecnológico nesta safra, com redução de investimentos em adubação de base e cobertura como estratégia de contenção de custos e mitigação de riscos. Essas áreas poderão ser destinadas tanto à produção de grãos quanto à cobertura do solo.
As culturas de inverno seguem em desenvolvimento no Rio Grande do Sul, com destaque para a aveia-branca e a canola, que apresentam bom estabelecimento inicial na maioria das regiões produtoras. Ao mesmo tempo, as culturas de verão avançam para o encerramento do ciclo produtivo, com colheitas praticamente concluídas.
A semeadura da aveia-branca está praticamente concluída no Estado. Nas áreas implantadas precocemente, já há registro de início de perfilhamento, com produtores realizando adubação nitrogenada em cobertura.
As condições climáticas têm favorecido a emergência e o estabelecimento das lavouras, que apresentam população de plantas satisfatória e baixa incidência de pragas e doenças até o momento.
A implantação da canola está em fase final e deve ser concluída nos próximos dias. A umidade do solo e as chuvas recentes favoreceram a germinação e a emergência das plântulas, garantindo estandes adequados.
Por outro lado, temperaturas mais baixas e menor incidência de radiação solar têm limitado o desenvolvimento vegetativo inicial e dificultado o controle de plantas invasoras em algumas regiões.
A Emater/RS-Ascar destaca que há perspectiva de expansão da área cultivada, impulsionada pelo desempenho econômico das últimas safras e pelo interesse dos produtores na rotação de culturas.
A colheita da soja está tecnicamente encerrada no Rio Grande do Sul, restando apenas áreas pontuais de segunda safra sem relevância no volume total produzido. Em algumas regiões, produtores ainda aguardam melhores condições de umidade para finalização de pequenas áreas remanescentes.
Com a conclusão do ciclo, áreas já colhidas vêm sendo destinadas à implantação de forrageiras e culturas de cobertura, além do início do planejamento da próxima safra de verão.
A colheita do milho está praticamente finalizada no Estado, com cerca de 99% da área colhida. Restam apenas lavouras tardias e áreas de safrinha, que representam menos de 5% dos 56.571 hectares cultivados na região de Bagé.
Em Maçambará, a expectativa de ocorrência do fenômeno El Niño tem incentivado produtores de sequeiro a manter ou ampliar investimentos na cultura.
O feijão 2ª safra avança para a maturação de grãos em regiões como Erechim e Ijuí. Em algumas áreas, produtores aguardam condições climáticas mais favoráveis para iniciar a colheita.
Há registro de leve redução do potencial produtivo em relação às estimativas iniciais, principalmente devido a danos pontuais causados por geadas durante o ciclo da cultura.
As culturas olerícolas apresentam desempenho variado no Rio Grande do Sul, com destaque para o avanço da colheita da mandioca, início do plantio de alho e intensificação das atividades agroindustriais em diversas regiões.
Na região de Caxias do Sul, produtores avançam no preparo de canteiros e no plantio das primeiras lavouras de alho, embora a operação tenha sido prejudicada pela alta umidade do solo e pelas chuvas recentes.
Em Passo Fundo, seguem o preparo do solo e a vernalização dos bulbos, etapa essencial para o desenvolvimento da cultura.
Na região de Santa Rosa, a mandioca está em colheita com bom desenvolvimento geral. No entanto, o excesso de umidade tem causado casos pontuais de apodrecimento de raízes, especialmente em áreas mais adensadas e com baixa drenagem.
Para reduzir perdas, produtores têm antecipado a colheita e adotado armazenamento congelado em algumas propriedades. A qualidade das raízes é considerada satisfatória.
Em Soledade, a colheita segue intensa, com apoio de temperaturas amenas que favorecem a conservação e ampliam o período de comercialização. As agroindústrias da região operam em ritmo elevado no processamento.
A pecuária gaúcha apresenta desempenho geral satisfatório, com destaque para a recuperação nutricional dos rebanhos bovinos em áreas com boa oferta de pastagens de inverno. Ainda assim, regiões com baixa disponibilidade de forragem seguem enfrentando perda de condição corporal dos animais.
Na bovinocultura de corte, o estado corporal dos rebanhos varia entre regular e bom. O mercado permanece aquecido, impulsionado pela oferta restrita de animais terminados e pela forte demanda por reposição.
No entanto, o elevado custo de reposição tem limitado novas aquisições em algumas regiões produtoras.
Na bovinocultura de leite, o desempenho é considerado satisfatório na maior parte do Estado, com aumento de produção em diversas regiões, favorecido pela disponibilidade de forrageiras e suplementação alimentar.
Persistem, porém, limitações pontuais relacionadas ao excesso de umidade e à menor oferta de pasto em algumas áreas.
A ovinocultura gaúcha atravessa fase de parições em várias regiões, exigindo atenção redobrada com cordeiros recém-nascidos. Há registros de verminoses e problemas podais em áreas com alta umidade.
O mercado segue aquecido, com boa liquidez e valorização dos animais, especialmente dos cordeiros.
Fonte: Portal do Agronegócio
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