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Moinhos de trigo do Paraná enfrentam alta de custos e dependência de importações; setor debate desafios no Moatrigo 2026

Aumento das importações, pressão de custos e cenário global impactam competitividade da indústria moageira no PR


Publicado em: 27/03/2026 às 11:25hs

Moinhos de trigo do Paraná enfrentam alta de custos e dependência de importações; setor debate desafios no Moatrigo 2026
Setor moageiro do Paraná entra em alerta com custos e cenário global

A indústria de moagem de trigo do Paraná enfrenta um cenário desafiador em 2026, marcado pelo aumento da dependência de importações, alta nos custos de insumos e pressão internacional sobre commodities.

O Estado concentra o maior parque moageiro do Brasil e responde por cerca de 30% da produção nacional de farinha de trigo, o que amplia a preocupação com a competitividade do setor.

Diante desse contexto, o Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná (Sinditrigo-PR) promove, no dia 13 de abril, o workshop Moatrigo 2026, em Curitiba, reunindo lideranças e especialistas da cadeia produtiva para discutir soluções e perspectivas.

Paraná deve importar 1,3 milhão de toneladas de trigo em 2026

A redução da área plantada de trigo no estado tem aumentado a dependência de importações. Segundo a presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli, a disponibilidade de matéria-prima vem diminuindo nos últimos anos.

“Garantir abastecimento com qualidade adequada ao padrão industrial se torna uma preocupação não apenas do setor, mas também de segurança alimentar”, afirma.

A estimativa é que o Paraná importe cerca de 1,3 milhão de toneladas de trigo em 2026, com a Argentina permanecendo como principal fornecedora. No entanto, a demanda global aquecida e os custos logísticos mais elevados reduzem a previsibilidade para os moinhos.

Guerra no Oriente Médio e petróleo pressionam custos

O cenário internacional, especialmente a guerra no Oriente Médio, tem impacto direto sobre a cadeia do trigo. A elevação do preço do petróleo influencia o custo do frete e dos insumos, afetando toda a logística do setor.

Os fertilizantes já apresentam aumento relevante de preços, enquanto o custo das embalagens subiu mais de 25%, refletindo o ambiente global de inflação de commodities.

Além disso, o frete marítimo registrou forte alta, somado ao aumento do diesel — segundo maior custo dos moinhos — gerando um efeito cascata que chega ao consumidor final.

“Estamos vivendo uma pressão generalizada sobre as commodities, e essa tendência deve continuar até a próxima safra”, destaca Paloma Venturelli.

Eficiência, gestão e qualidade são estratégias para manter competitividade

Diante da volatilidade, a indústria moageira tem reforçado investimentos em modernização e eficiência operacional. A substituição de equipamentos antigos por tecnologias mais avançadas e o foco em qualidade têm sido fundamentais para manter a competitividade.

Segundo Venturelli, o principal diferencial dos moinhos está na padronização e qualidade do produto final.

“A expertise em mesclas e processos permite enfrentar períodos de instabilidade sem comprometer a entrega ao cliente”, afirma.

O Paraná segue liderando o setor nacional com investimentos contínuos na modernização do parque industrial.

Gargalos estruturais e custos trabalhistas preocupam setor

Apesar dos avanços, desafios estruturais ainda limitam o desempenho da cadeia produtiva. Problemas como a precariedade das rodovias e a insuficiência de armazenagem em silos impactam diretamente produtores e moinhos.

Além disso, mudanças no ambiente regulatório, como a reforma tributária e possíveis alterações nas regras de jornada de trabalho, também geram preocupação quanto ao aumento dos custos operacionais.

Moatrigo 2026 reúne especialistas e lideranças do setor

O workshop Moatrigo 2026 será um espaço estratégico para análise de mercado, troca de experiências e tomada de decisão. Na edição anterior, o evento reuniu mais de 400 participantes e teve alta procura.

A programação deste ano inclui o Painel do Trigo Nacional, com especialistas que apresentarão dados atualizados e perspectivas para a próxima safra, além de palestras voltadas à gestão, inovação e produtividade.

Entre os destaques estão temas como desempenho organizacional e o uso de inteligência artificial na tomada de decisão, reforçando a importância da tecnologia no futuro da indústria.

Moatrigo 2026

Fonte: Portal do Agronegócio

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