Publicado em: 11/02/2026 às 11:00hs
O mais recente boletim WASDE (Relatório de Oferta e Demanda Mundial Agrícola), divulgado nesta terça-feira (10) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), trouxe novas projeções para o trigo na safra 2025/26.
Nos Estados Unidos, a oferta total deve permanecer estável, com leve redução no consumo doméstico e exportações praticamente inalteradas. Como resultado, os estoques finais foram revisados para cima, chegando a 931 milhões de bushels, um crescimento de 9% em relação ao ano anterior, o maior volume desde 2019/20. O preço médio pago ao produtor foi mantido em US$ 4,90 por bushel.
O relatório também apontou que o consumo interno caiu devido à menor utilização do grão na alimentação, conforme indicado pelo NASS Flour Milling Products Report. Parte dessa queda foi compensada por um leve aumento no uso de sementes.
Em nível mundial, o USDA estimou redução na oferta global de trigo para 1,101,6 bilhão de toneladas, reflexo de estoques iniciais menores e de uma produção reduzida em países como Turquia e Mongólia.
Apesar disso, a produção recorde na Argentina, de 27,8 milhões de toneladas, ajudou a compensar parte dessas perdas. O consumo mundial foi ajustado para 824,1 milhões de toneladas, impulsionado pelo aumento da demanda para alimentação, sementes e uso industrial.
As exportações globais devem atingir 222 milhões de toneladas, com destaque para o avanço da Argentina e do Canadá, que compensaram a redução dos embarques da União Europeia. Já os estoques finais globais caíram ligeiramente, para 277,5 milhões de toneladas, embora continuem sendo os maiores dos últimos cinco anos.
A Argentina deve registrar um novo recorde nas vendas externas de trigo, alcançando 18 milhões de toneladas. O resultado reflete o bom ritmo de embarques entre dezembro e janeiro e a competitividade do cereal argentino no mercado internacional.
Essa expansão argentina tem influenciado diretamente a dinâmica do comércio na América do Sul, especialmente em países importadores como o Brasil, que se beneficia dos preços competitivos, apesar dos recentes aumentos no frete marítimo.
O mercado brasileiro, especialmente nos estados do Sul, vem sendo impactado pelos custos logísticos internacionais e pela concorrência entre origens. De acordo com a TF Agroeconômica, o aumento dos fretes marítimos de US$ 18 para US$ 21,45 por tonelada reduziu a competitividade do trigo argentino e limitou as importações.
No Rio Grande do Sul, os negócios seguem pontuais, com preços entre R$ 1.150 e R$ 1.200 por tonelada. O trigo gaúcho continua competitivo em Santa Catarina e Paraná, embora o volume negociado permaneça baixo.
Em Santa Catarina, moinhos priorizam a compra de trigo gaúcho, mais barato (cerca de R$ 1.070 por tonelada acrescido de ICMS e frete), enquanto o produto local é ofertado a R$ 1.250, sem fechamento de novos contratos. Já no Paraná, a entrada de trigo do Rio Grande do Sul e do Paraguai pressiona os preços locais, com cotações médias de R$ 1.200 a R$ 1.280 CIF.
Na Bolsa de Chicago (CBOT), o trigo abriu o pregão desta quarta-feira (11) em US$ 5,29/bu, alta de 0,4% frente ao fechamento anterior. O valor mantém o cereal próximo da máxima recente de US$ 5,34/bu, mas ainda distante do pico das últimas 52 semanas (US$ 6,21/bu).
Nas últimas quatro semanas, o trigo acumula valorização de 4,08%, reduzindo parte das perdas do ano. O movimento acompanha a queda projetada de 0,7% na renda agrícola dos EUA em 2026, destacada pelo USDA, e a dependência crescente de subsídios agrícolas, que já representam 29% da renda do setor.
Além disso, a oscilação do dólar tem influenciado diretamente os custos de importação para moinhos brasileiros e a formação de preços internos.
O mercado global encerrou a terça-feira (10) com movimentação mista nas principais bolsas. Em Chicago, o contrato de março do trigo brando (SRW) caiu 0,09%, para 528,25 centavos de dólar por bushel, enquanto o vencimento de maio recuou 0,14%. Já em Kansas, o trigo duro (HRW) avançou 0,33%, e em Minneapolis, o trigo de primavera (HRS) caiu 0,39%.
Na Euronext, o contrato de março do trigo para moagem permaneceu estável, a 189,50 euros por tonelada. O equilíbrio entre estoques elevados nos EUA e oferta global ligeiramente menor resultou em variações discretas, mantendo a cautela dos investidores e o comportamento lateralizado do mercado.
Fonte: Portal do Agronegócio
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