Mercado do trigo: colheita lenta e dólar baixo ampliam pressão das importações no Sul
Problemas de qualidade restringem a oferta para os moinhos; no Rio Grande do Sul, cereal argentino já apresenta preços inferiores aos do trigo da safra anterior
Publicado em: 08/10/2026 às 11:40hs
A queda do dólar e os problemas de qualidade do trigo recém-colhido estão alterando as condições de comercialização do cereal no Sul do Brasil. Segundo a TF Agroeconômica, o câmbio mais baixo torna o produto importado mais competitivo e limita o espaço para valorização dos preços internos, mesmo com a oferta restrita de lotes adequados à moagem.
O cenário reúne dificuldades distintas nos três estados da região. No Rio Grande do Sul, a umidade mantém a colheita em ritmo lento. Em Santa Catarina, a disponibilidade de trigo de qualidade é limitada e a produção deve recuar. No Paraná, problemas nos lotes da nova safra e a escassez de estoques remanescentes podem ampliar a necessidade de importações.
Trigo argentino ganha competitividade no Rio Grande do Sul
No mercado gaúcho, o trigo da safra anterior atingiu a paridade de importação, enquanto o cereal argentino já chega a preços inferiores, conforme a TF Agroeconômica. Essa relação aumenta a concorrência externa e reduz a margem para avanços nas cotações domésticas.
As indicações no interior do estado são de R$ 1.550 por tonelada para o trigo da safra velha e de R$ 1.400 por tonelada para lotes recém-colhidos com qualidade adequada.
A consultoria estima que a colheita ainda não tenha ultrapassado 1,5% da área estadual. A umidade elevada dificultou os trabalhos, e a retomada das operações permanece incerta.
No mercado de balcão, as referências são de R$ 75 por saca em Panambi e de R$ 78 em Espumoso.
Santa Catarina projeta queda de cerca de 37% na produção
A oferta restrita de trigo com qualidade também influencia o mercado catarinense. Diante da dificuldade de abastecimento, os moinhos avaliam alternativas de compra no exterior.
Segundo o levantamento da TF Agroeconômica, um moinho local informou reajuste de 11,5% na tabela de farinhas, percentual ainda considerado insuficiente pela indústria consultada.
Para a safra 2026/27, a Epagri projeta redução de 35% na área plantada e de 2,5% na produtividade média. A produção estimada é de 243 mil toneladas, aproximadamente 37% abaixo do volume do ciclo anterior.
As cotações de balcão variam de R$ 72 por saca em Rio do Sul a R$ 80 em Xanxerê.
Qualidade da nova safra preocupa produtores e moinhos no Paraná
No Paraná, a combinação entre poucos lotes remanescentes da safra anterior e dificuldades de qualidade no trigo novo deve aumentar a demanda por cereal importado, de acordo com a consultoria.
Parte das áreas colhidas apresentou baixo peso hectolítrico ou baixo índice de queda, parâmetros utilizados na avaliação da qualidade do trigo. Nesse contexto, produtores buscam renegociar contratos.
Para o trigo tipo 1 entregue aos moinhos, o levantamento apresenta indicações de compra que vão de R$ 1.550 por tonelada, na referência de setembro, a R$ 1.450 por tonelada para novembro.
Entre as alternativas externas, o trigo paraguaio é indicado a US$ 320 por tonelada nos Campos Gerais. O argentino com teor de proteína de 11,5% tem referência de US$ 325 por tonelada em Paranaguá.
Câmbio e oferta de trigo de qualidade orientam as negociações
O mercado regional passa a depender tanto do avanço da colheita quanto das características dos lotes disponíveis. A restrição de cereal adequado à indústria mantém a atenção dos compradores sobre a qualidade, enquanto o dólar mais baixo favorece a busca por fornecedores externos.
Segundo a TF Agroeconômica, essa combinação limita a valorização do trigo brasileiro e amplia o peso das importações nas decisões de abastecimento dos moinhos do Sul.
Fonte: Portal do Agronegócio
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