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Mercado do trigo: chuvas afetam qualidade no Sul e ampliam espaço para importações

Colheita interrompida no Rio Grande do Sul e perda de qualidade nos primeiros lotes do Paraná dificultam negociações; dólar mais baixo favorece compras externas


Publicado em: 09/10/2026 às 11:40hs

Mercado do trigo: chuvas afetam qualidade no Sul e ampliam espaço para importações

O excesso de umidade nas lavouras de trigo do Sul do Brasil está dificultando a colheita e comprometendo a qualidade de parte dos grãos. Segundo a TF Agroeconômica, o cenário afeta as negociações, reduz a disponibilidade de trigo com características exigidas pelos moinhos e pode ampliar a demanda por importações.

Os problemas aparecem nos três estados da região. No Rio Grande do Sul, as chuvas interromperam os trabalhos de campo. No Paraná, os primeiros lotes da nova safra apresentam queda nos indicadores de qualidade, enquanto Santa Catarina enfrenta menor disponibilidade de trigo adequado ao processamento e perspectiva de redução da produção.

Rio Grande do Sul tem colheita interrompida e qualidade irregular

Até o levantamento, aproximadamente 3% da área de trigo havia sido colhida no Rio Grande do Sul. Do volume retirado, 63% apresentou peso hectolítrico (PH) entre 76 e 77, enquanto 20% registrou PH igual ou superior a 78.

Também foram identificadas cargas com níveis elevados de DON, entre 2.100 e 3.200, conforme os dados apresentados pela consultoria.

A Emater-RS aponta riscos à produtividade e à qualidade após episódios de granizo, ventos fortes e ocorrência de doenças nas lavouras. A área projetada para a safra de 2026 é de 814.220 hectares.

No mercado, compradores indicam R$ 1.550 por tonelada para o trigo da safra velha. Em Panambi, o preço pago ao produtor subiu para R$ 75 por saca.

A concorrência externa limita o espaço para valorização do produto local. O trigo argentino da safra anterior foi indicado a US$ 305 por tonelada em Rio Grande e a US$ 310 em Canoas.

Santa Catarina prevê queda de 37% na produção

Em Santa Catarina, a escassez de trigo de qualidade e o recuo do dólar tornam o cereal importado mais atrativo para os compradores.

Segundo a Epagri, a área plantada deve diminuir 35% na temporada 2026/27. A produção é estimada em aproximadamente 243 mil toneladas, volume 37% inferior ao da safra anterior.

As referências no mercado de balcão variam de R$ 72 por saca em Rio do Sul a R$ 80 em Xanxerê.

Paraná registra perda de qualidade e renegociação de contratos

Os primeiros lotes da nova safra paranaense apresentam redução do PH e do falling number, indicadores acompanhados nas negociações de trigo. Diante desse quadro, produtores buscam renegociar contratos.

A oferta de trigo tipo 1 diminuiu. No levantamento, as indicações com entrega no moinho, na modalidade CIF, variavam de R$ 1.550 por tonelada para setembro a R$ 1.450 para novembro.

Entre as alternativas importadas, o trigo paraguaio foi cotado a US$ 320 por tonelada nos Campos Gerais. O produto argentino apresentou referência de US$ 325 por tonelada em Paranaguá.

Com menor disponibilidade doméstica de trigo de qualidade, os moinhos podem aumentar as aquisições externas. A evolução da colheita e as características dos próximos lotes serão determinantes para as negociações no mercado regional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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